quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PALHAÇO FORMIGUINHA, MEU AVÔ GENÉSIO BENTES, A ARTE E A VIDA

(RÔ Campos)



Chorei lendo trechos aqui na net que mencionam meu avô materno (e padrinho) Genésio Bentes, ator, humorista, radialista, um dos fundadores da Rádio Rio Mar, e que passou também pelas Rádios Baré e Difusora.

Como meu avô era bem humorado e belo, um homem sedutor. O amor que tenho pela arte decerto vem dele, um grande artista, que viajou pelo Brasil juntamente com grandes nomes, como Mario Lago.

Lembro-me que ele tomava o violão e dedilhava, todo garboso, tocando belíssimas canções de ouvido. Bom de papo, conquistava as mulheres de primeira. Teve muitas mulheres, por quem se apaixonava, feito um Vinícius de Moraes. E quando nova paixão nascia, ele não pensava duas vezes e se escafedia. Qualquer semelhança não será mera coincidência.

DNA fortíssimo, fez-me enveredar pelo mundo da arte desde cedo. Aos 11 anos comecei a fazer parte da turma do Programa Cirandinha na TV, na extinta TV Ajuricaba, no Morro do Bode, Bairro de Santo Antônio, com a Titia Maria do Céu. Cheguei a levar grande parte da família para lá. Até o nosso cachorro Rin-tin-tin, certa feita, invadiu os estúdios e entrou nas casas manauaras, todo prosa, quem sabe procurando o pequeno cabo Rust.

Entre declamações, dublagens, danças e outros papéis, como a da professora de uma escolinha (humorística), fui me realizando como ser, num mundo que já me era totalmente familiar. Tentei cantar, mas fui aconselhada a desistir, depois de algumas tentativas em ensaios. O guitarrista Leonardo, que fazia parte da banda que tocava no programa, desistiu antes de mim. Desempenho sofrível. Desafinada na música, mas afinada com a palavra, com a poesia, através da qual eu consigo cantar sem abrir a boca.

Hoje, me contento em tocar um humilde ganzá (cujo som, apesar de sua insignificância no contexto geral, fascina-me), ou a pandeirola, que, muitas vezes, deixa-me com os dedos esfolados, sangrando. Não importa. O que me importa é cantar através das mãos toda a melodia que emerge das minhas entranhas, passa pelo coração e cérebro e chega até elas, transferindo-as para os instrumentos que, repletos de energia, transbordam.

Eu posso até não cantar uma música, até porque o sol não é para todos, mas eu posso - e canto - a vida, como o meu avô a cantou nos quatro cantos do Brasil. Porque a vida, esta sim, é para todos aqueles que querem viver, e eu jamais deixarei de vivê-la, por um dia sequer, mesmo que eu esteja dormindo, pois amo tudo o que compõe essa ópera, A Ópera da Vida. E, quando durmo, meu corpo descansa e minha alma se desgarra e passeia por outros planos, trazendo-me notícias que não me são reveladas, mas que minha alma sabe e meu corpo sente.

3 comentários:

Zeca Torres disse...

Emocionante, querida Ro! Comovente mesmo!

Christiane Bentes disse...

Também sou neta do Genésio Bentes, aqui no Pará. Muito bom ler sua postagem! Minha avó Maria de Lourdes Habib Bentes, hoje com 89 anos também que ficou feliz em saber que o pai de seus filhos está na net. Rsrs
Um abraço!
Christiane Bentes da Silva

RÔ Campos disse...

Christiane Bentes, então somos primas em segundo grau. Você não tem ideia da emoção que senti quanto comecei a ler seus comentários. Então você deve ser filha de uma das irmãs ou dos irmãos do tio Adinamar Habib Bentes?
Ele ainda vive aqui em Manaus e sempre mantemos contato. Muito emocionada mesmo. Um cheiro grande. Não vamos mais perder contato. PRIMAAAAAAAAAAAAAA