terça-feira, 7 de abril de 2015

SE NÃO FOSSE...


(RÔ Campos)

Ai de nós, se não fosse a coragem!
Ai de nós, se não fosse o medo!
Ai de quem nunca tenha crido!
Ai de quem nunca tenha amado!

Ai de quem nunca tenha sofrido!
Ai de quem nunca tenha chorado!
Ai de quem nunca tenha partido!
(Oh, pobre coração inteiro!!!)
Ai de quem nunca tenha chegado!

Ai de nós, se não fosse a dúvida!
Ai de nós, se não fosse o mistério!
Ai de quem seja só certeza!
Ai de todos os justiceiros!!!

OS CACOS DO MEU CORAÇÃO


(RÔ Campos)

Muitas foram minhas penas,
Em um passado que já vai longe.
Mas os monstros não conseguiram me destruir.
Ficaram as feridas, é claro,
Caíram alguns galhos,
Mas as raízes da árvore da vida, essas, não conseguiram arrancar.

Para ti, então, mesmo sem saber,
Eu guardei tudo o que havia sobrado dos cacos do meu coração.
Justamente o melhor que havia em mim.

E depois, era Primavera quando te encontrei.
E eu te dei tudo aquilo que havia guardado para ti.
E depois que tu te foste, levando tudo o que eu havia te dado,
Aqui fiquei sem ti, sem ninguém, e sem nenhum caco para juntar.

LEMBRANÇAS


(RÔ Campos)

Ainda sinto o teu cheiro,
Teus pelos roçando a minha pele.

Ainda ouço os teus apelos
Enquanto tuas mãos tentavam descobrir a minha geografia.

Ainda te sinto cá, dentro de mim,
Como a raiz que lentamente penetra o solo árido, até alcançar a profundidade.

E, por derradeiro, ainda escuto teus gemidos em forma de ecos,
Quando, ao escalares a montanha, atingias o cume.