segunda-feira, 28 de novembro de 2011

CORA COVARDIA!

CORA, COVARDIA!

(RÔ Campos)

Coragem é lutar sem armas. Covardia é se armar até os dentes.
Coragem é ter medo do escuro. Covardia é usar máscara à luz do dia.
Coragem é se jogar no desconhecido, buscando ser feliz. Covardia é se trancar, pelo medo de amar.
Coragem é abrir a porta, sem saber a quem. Covardia é se fechar, com receio de ninguém.
Coragem é dizer não, ser leal. Covardia é dizer sim, e mentir.
Coragem é sorrir, quando o coração sangra. Covardia é chorar, quando se tem a alma fria.
Coragem é ficar, se o amor partir. Covardia é sair, se o amor entrar.
Coragem é ser covarde, e proteger a vida. Covardia é ter coragem, de embalar a morte.
Coragem é fugir da guerra, do ódio, desertar . Covardia é abrir trincheiras.
Coragem é parir, sem temer o porvir. Covardia é matar, quem não se pode defender.
Coragem é a covardia de deixar ir. Covardia é a coragem de não pedir pra ficar.

A CHAVE

(RÔ Campos)

‎Sábio é aquele que nunca tem certeza de nada, pois a própria natureza é inacabada. A propósito, bom lembrar Lavoisier, um cientista francês do século XVIII, considerado o pai da química moderna, autor da Teoria da Conservação das Massas: "na natureza, nada se cria, nada se perde; tudo se transforma."

A natureza e nós (como partes integrantes deste conjunto) estamos sempre em mutação, buscando a conformação. Por isso, tudo muda, o tempo todo.

A natureza não é estática, mas, sim, dinâmica. São forças sempre nos impulsionando para adiante, desde o momento em que somos concebidos, ou, quiçá, até antes, quando ainda somos incontáveis espermatozóides em verdadeira batalha pela vida.

Tudo o que fazemos e vivemos na terra caminha para o amanhã, o depois, nunca para o dantes. Por isso talvez envelheçamos, o que, a meu ver, não deixa de ser um verdadeiro galgar de degraus na escada da evolução. Vamos para a frente, sempre, pois o passado já é findo e o presente está aqui e agora, como uma dádiva. Se não envelhecêssemos, seríamos estáticos e, portanto, não evoluiríamos. Ficaríamos parados no tempo e no espaço.

Tudo em nós é expansão, dilatação, pois o corpo humano e as demais substâncias vivas existentes na natureza não comportam a redução, o aperto, a compressão, a diminuição.

Diante dessas minhas observações leigas, é claro (pois não sou, nem de longe, versada na Ciência), chego a pensar que, por isso, as células de nosso corpo se multiplicam tanto, e, infelizmente, muitas vezes, ocasionam o surguimento de malignidades, de tanto que elas buscam crescer, não encontrando limites para tudo isso. Resultado: um colapso total das engrenagens do veículo que é o nosso corpo.

Em minhas intermináveis elucubrações, pensei, várias vezes: adoecemos porque violentamos nosso corpo com variadas substâncias que o agridem, as quais entram em choque com as células que não param nunca com esse querer incessante de expandir-se. Elas simplesmente se defendem do ataque que lhe perpetram. Ao contrário, se alimentássemos nosso organismo sempre com substâncias inofensivas, restauradoras, , talvez acomodaríamos essa insanidade celular, alimentando-a, regenerando-a, conformando-a. Tanto assim o é que, em tratamentos para o câncer, por exemplo, a ciência tratou de bloquear os canais que alimentam o tumor e o deixam em contato com as células saudáveis, sugando-as, bombardeando-as e vencendo-as, diante de seu assombroso poder bélico.

Eu conheço os sinais de meu corpo, por isso não titubeio em fazer tal afirmação. É assim que acontece quando faço a ingestão de bebida alcoólica, quando fumo cigarros, quando consumo alimentos decididamente não recomendáveis para a saúde, quando faço uso de sal em excesso, de gorduras e frituras etc. Passo mal. A pressão arterial vai às alturas. Os ossos reclamam. O sono foge. Meu corpo grita.

É assim que acontece quando durmo mal, durmo pouco ou nem mesmo durmo. É assim que acontece quando deixo a raiva me dominar. É assim que acontece quando não dialogo muito bem com o estresse (que, bem administrado, é um verdadeiro aliado, pois, ao contrário, sempre será uma bala rumo ao peito de quem não sabe se desviar dela). Nessas ocasiões, "presenteio" meu corpo com verdadeiras dinamites. Nitroglicerina pura. Meu corpo é então ingênua e covardemente bombardeado por mim mesma (que deveria ter por ele verdadeira adoração, zelo e cuidado),e, por isso, agastado, queda.

É verdade que existe a tal da questão do peso do DNA, da genética, sobre determinadas doenças. Mas, continuo achando eu, no pico de minha ignorância (pois sou advogada, e não cientista, médica etc), que o que dita os dias do homem na terra é a vida que ele leva. Como disse-me uma pessoinha rude, mas sábia: o homem é aquilo que ele vive, o que ele come. Penso que podemos driblar os diabinhos que já vêm encostados em nosso DNA, com posturas sadias e um jeito manso de viver, a léguas de distância dos sete pecados capitais decretados sabiamente pela igreja católica, como se essa instituição fosse uma verdadeira Organização Mundial de Saúde.

Ao revés, no entanto, mesmo que sejamos privilegiados, e tenhamos nascido premiados, agraciados pela sorte de um corpo são e mente sã, sem defeitos de fábrica, se nos jogarmos na fogueira dos vícios, de uma vida desregrada, violando as normas do bem viver...sem perdão.

Comparo tudo isso, ou seja, o nosso corpo, com um cofre (é, um cofre onde se guardam, se juntam dinheiro e outras coisas mais). Você tem o código. Só você pode abrir esse cofre. Apenas você vai abri-lo e colocar lá dentro as coisas pelas quais você preza, seja lá o que for. Quem ama, zela. Mas, se você perde a chave e o código desse cofre, para abri-lo, você terá que violá-lo, açoitá-lo, agredi-lo. E nunca mais esse cofre será o mesmo. Moral da história: nós, unicamente nós, temos a chave do nosso corpo, da nossa vida, do nosso destino. Deixamos entrar nela quem e o que desejamos, o que permitimos. Podemos ser bons ou maus com a nossa vida. Decidimos se queremos viver saudavelmente ou se praticamos suicídio silencioso, dia a dia. Fixamos nossas próprias metas. Queremos ou não ser felizes. Eu mesma já decidi faz tempo. Quero ser feliz, sim. Quero amar e cuidar de mim e das pessoas que amo. E, apesar de ter uma visão absolutamente cristalina de tudo isso, ainda tenho sido estúpida o suficiente, por não cuidar bem da casa que agasalha meu espírito.

AMAZÔNIA: ESTAÇÕES DO SOL, DA CHUVA: CALOR, TEMPORAL, AGUACEIRO, CLIMA TROPICAL

(RÔ Campos)

É Inverno
Sol e Chuva
Calor. Temporal
Aguaceiro
Clima tropical.
Logo chega a Primavera
Flores! Flores!
Olores!
Cheiro de mato
Na mata molhada
No barro pisado
Longe do asfalto
Sol e chuva
Calor. Temporal
Aguaceiro
Clima tropical.
E mais uma vez, veremos
Virá o Verão
Veraneio. Inferno
Sol e chuva
Calor. Temporal
Aguaceiro
Transição
Clima tropical.
De repente, é Outono
As folhas caem
Outono/inverno
Sol e chuva
Calor. Temporal
Aguaceiro
Flagelo
Clima tropical.

sábado, 26 de novembro de 2011

SÓ O SOFRIMENTO E A DOR LAPIDAM O HOMEM

(RÔ Campos)


O último inquilino do meu coração é um hippie. Apedrejaram-me e disseram-me louca, louca, louca. Quantas coisas aprendi com ele. Aprendi que existe muita gente que anda pelo mundo desapercebida, como se fosse um ninguém, e que está cheia de conteúdo, de conhecimento e de sabedoria (só o sofrimento e a dor lapidam o homem!). E tantas pessoas que se acham e estão tão vazias... Até hoje não consegui trancar a porta do meu coração para ele, que se foi (graças aos caminhos que eu mesma pavimentei) ao encontro de quem lhe deu à luz, sangue do seu sangue, carne de sua carne. A vida é uma caixinha de surpresa. De onde você espera alguma coisa, geralmente não vem. Deixe-se abrir para o desconhecido, sem medo de ser feliz. E nunca se esqueça: quem ama, cuida. Mas, quem ama, também deixa ir embora...

DESEQUILÍBRIO NA BALANÇA DA EVOLUÇÃO

(RÔ Campos)

Ontem, passei horas maravilhosas no Corsário Music Bar, alimentando minha alma, ouvindo Paulinho Kokay tocar e cantar MPB, desfilando um repertório da fina flor. Ouvi, pela primeira vez em um bar, a música Amor, de Caetano Veloso, sobre poesia homônima de Maiakovski, dentre outras pérolas. Extasiei-me. Após a apresentação de Paulinho Kokay, foi a vez de Vítor França, meu amigo particular e dono da casa, com quem fiz percussão durante duas horas. A galera interagiu bastante, fez inúmeros pedidos, alimentou-se do que há de melhor na música brasileira. Havia jovens e alguns nem tanto, muitos dos quais frequentadores de carteirinha do Corsário. Não foi uma noite de muito público, coisa, aliás, que tem se acentuado em Manaus, no que diz respeito aos espaços privados que se dedicam à boa música, o que é lamentável e preocupante.Quando saí de lá (o bar fica na av. do Turismo) após as duas da madrugada, tomei o rumo do ET BAR, seguindo pela estrada do aeroporto. Necessariamente, tive que passar em frente ao Porteira Country, literalmente lotado, com gente saindo pelo ladrão. Logo após o aeroporto (colado ao Eduardinho), um posto de gasolina, totalmente entupido de carros, com a tampa de suas malas abertas e aqueles sons horrorosos e inaudíveis. Que pena! Há muita gente, principalmente jovem, alimentando apenas e incessantemente a matéria, e matando a alma de inanição. O resultado disso é que, não havendo o devido equilíbrio entre a matéria e o espírito, sabe-se bem o resultado dessa (in)equação.

ARREBENTAÇÃO

(RÔ Campos)

Sinto um desejo indizível
De me entregar ao mar
E nadar...nadar...nadar
No mar do meu coração
Ora calmo, ora revolto
Mas sempre navegante...

Amar nas altas marés
Quando o mar se acomoda,
E as ondas se deitam
Mas só sei amar assim
Quando o mar do meu coração se agita
Nas procelas
E rebenta.

Ah, essa doce calmaria
Quem diria,
Estagnar o mar
Do meu coração
Que, estanque
Se fecha para os ventos
Das grandes paixões
Essas paixões que embriagam
Como os vinhos jovens
Perfumados
Marcantes.

IMAGINÁRIO

(RÔ Campos)

Estrela cadente
Por onde ela anda
Eu não sei
Só sei que partiu
Dizendo que voltaria
Foi ver sua Constelação
Família
Havia 10 anos não via.
Era mês de festa
Dezembro
Nasceu o Menino
Jesus.

Estrela cadente
Deixou o meu céu
Tão escuro... o meu céu
...Solitário.
E como a mitigar minha dor
Ainda vejo essa estrela
No céu
Do meu imaginário.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

LIBERDADE! LIBERDADE!

Viva a liberdade de expressão!! Viva a liberdade em toda a sua glória!!!!! Nada é mais vital para o ser humano, além do gozo pleno da saúde, do que o gozo pleno da liberdade. Nascemos essencialmente livres e livres devemos viver. Livres para fazermos nossas escolhas, para traçarmos os nossos destinos, para perseguirmos nossos sonhos, para amarmos e vivermos com quem decidirmos. Livres para ir e vir. Esse é um direito fundamental de todo cidadão que vive em um mundo livre. Quem assim não pensar, que se mude para Coreia, Cuba, Líbia, China...E vá ser feliz por lá...(RÔ Campos)

AINDA SOBRE PAULA FERNANDES

‎(Comentário que acabei de fazer em minha postagem sobre o caso Paula Fernandes, no Facebook. Republico aqui como quem lança algo no ventilador, para que todos tenham oportunidade de tomar conhecimento)

"Não costumo fazer comentários sobre a personalidade e comportamentos de pessoas que eu conheço, que dirá daquelas que não conheço, sejam pessoas comuns ou artistas. Minha analise e postagem não tem nada a ver com isso. Refiro-me a questões artísticas e de mercado, exclusivamente. Jamais compartilharia opiniões sobre o que não conheço, não vi, não presenciei, não sei, talvez até pela minha formação jurídica. Não posso falar ou dar testemunho sobre o que eu "ouvi dizer". Tenho minhas opiniões próprias, sempre baseadas na análise dos fatos. Não sou Maria vai com as outras. É muito perigoso julgar. Geralmente, julga-se pelo que se ouve dizer, pelo que se vê na superfície, esquecendo-se o "todo". É mais temerário, ainda, condenar. É muito fácil ser pedra. Agora, sobre o que você se referiu, Cileno, se a moça é pedante ou se acha a rainha da cocada, ela não difere de muitos artistas daqui e dalhures. Conheço cada um(a), meu amigo, que até Deus duvida de sua criatura. Com as devidas exceções, é claro, é muito ego e superego, como se artista fosse o bicho da goiaba do universo. E tem um bocado que se acha...quando não passa de nadica de nada. Muito disso ficou escancarado, aqui, pelo menos, com esse imbróglio de OMB. Quanta gente do lado de lá, anônima, medíocre, inflada, se achando, constrangendo o artista de verdade!? Pra terminar, quero lhe dizer que li os vários comentários sobre esse caso, na postagem que você fez em seu mural. É engraçado, o pessoal diz defender tanto os nossos artistas, invoca que devem ser valorizados, que aqui tem isso e aquilo, mas na hora de incentivar de verdade, de comprar CDs, de ir aos shows...Cadê? Cadê? Cadê. Ou, como dizia meu filho, quando criança: Queide? A mesma coisa digo dos shows nacionais que já produzi aqui. Tanta coisa boa e público que é bom, nerusca de petibiriba. Então, deixemos em paz as pessoas que gostam, que seguem a moça, que compram seus CDs e DVDs, que vão aos shows, que são felizes assim, mesmo a despeito de ela ser "pedante" e "se achar a rainha da cocada". Ora porra, eles não querem comprar, ir aos shows? O dinheiro não é deles? O gosto não é deles? Se porventura eles se sentirem violados, humilhados etc, eles saberão se manifestar, se defender. Eles terão esse direito, porque seriam os ofendidos. Como disse Luiz Lauschner (pai do William, do Porão do Alemão), em postagem ontem, aqui no Face, mais ou menos assim: se você não gosta de gay, então não se case com um.

QUEM SABE

(RÔ Campos)

Alô! Alô!
Tem alguém aí?
Ninguém responde...
Todos estão surdos!?
Ou sou eu que já não escuto?
Estará o mundo perdido?
Eu não acredito.
Ninguém é perfeito.
Nada é pra sempre.
Tudo bem,
Mas o mundo ainda tem jeito.
Deve ter.
Deve haver algum lugar, além da Terra
Quem sabe, Vênus
Quem sabe, Marte.
Deve haver também vida inteligente
Em alguma outra parte.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CORAGEM (RÔ Campos)

Vá!

Deixe as trilhas no caminho,
Para você não se perder, quando quiser voltar.

Vá!

Esculpa o seu próprio destino.

Vá!

Não custa nada. Basta a vontade de ir.

Vá!

Arme-se contra o desestímulo, a desesperança.

Vá!

Acredite, você vai conseguir.

Vá!

É muito bom partir
E edificar os sonhos que sonhou.

Vá!

E será muito bom também voltar.
Mesmo que as coisas não se concretizem.
Mesmo que as coisas não aconteçam como você sonhou.
Não fique parado, aí, como uma estátua que não se move.
Que só tem à sua frente um horizonte, que nem mesmo vê.
Que não se volve para o passado, nem para os lados.

Vá!

Terá valido a pena ter ido.
Terá valido a pena ter voltado.
Terá valido a pena ter tentado.
Terá valido a pena ter vivido.

Vá!

Volte!

E nunca mais serás o mesmo.

FRUTUOSO: QUE DÁ MUITOS FRUTOS (RÔ Campos)

Estava comentando há pouco em postagem de um amigo do Face, sobre o fato de que não existem mais papais como o meu. Não era letrado, estudou até a quinta série do antigo curso primário, mas era ele quem corrigia nossas provas quando chegávamos em casa. Mesmo as provas de outras disciplinas, que não o português, ele corrigia as perguntas formuladas que porventura tivessem erro e nos falava para mostrarmos aos nossos professores. Contestávamos, mas ele insistia que tínhamos que mostrar, que aquilo era uma vergonha. "Como podia um professor formular quesitos com erro de português" - dizia ele. Outra coisa: em nossa casa jamais faltou um "pai dos burros" (um Aurélio, ou dicionário, para quem não sabe). Mas sempre perguntávamos primeiro a ele o significado de determinada palavra. Se ele não soubesse responder, dizia: vai ver no pai dos burros. Infelizmente, não se fabricam mais papais como o meu. Frutuoso - esse era o seu nome. Significado: de muitos frutos. Bendito seja, sempre!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

REPÚBLICA...DAS BANANAS!

Vou escrever logo uma frase que está fresquinha aqui na minha cabeça, antes que eu esqueça:

"Pra que tanta empáfia, tanto empavonamento, se tudo se vai num instante? A vida é uma caixinha de surpresa. Agora, estamos aqui, mas nada sabemos sobre o segundo seguinte. Não há controle remoto para o imprevisível, o imponderável, e nem Jobs no mundo para inventá-lo. A natureza, inacaba, e que há bilhões de anos movimenta-se, revolve-se, revoluteia-se, é implacável.
Aos tiranos de plantão. Aos arrogantes. Aos vaidosos. Aos que pensam que são o dono do mundo, deuses, semi-deuses. Aos avarentos. Aos preconceituosos. Aos chefes das capitanias hereditárias e donos de feudos (adoradores do nepotismo, sanguessugas do dinheiro público, "honrados" corruptos, néscios). Aos que pensam que vão virar pedra, um AVISO: O mundo vai acabar, sim. Felizmente! Todos vocês também vão morrer. E toda a sua geração. Ou vão ser devorados pelos vermes da terra, e se tornarão menos que um deles (pois eles têm uma grande importância para a humanidade); ou se tornarão cinzas (sem que deixem, ao menos, sombra); ou, quem sabe, desaparecerão no breu da escuridão (nas águas do mar, dos rios, nas matas, no gelo, no nada...)" (RÔ Campos)

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

RECORDAR É VIVER

Hoje, se ele ainda estivesse aqui, entre nós, JORGE AON completaria (se o alemão não está a me confundir) 80 anos. Uma das pessoas mais inteligentes que conheci nesta vida. Uma das pessoas mais importantes, juntamente com meus pais e minha irmã Rosalba, na minha formação, tanto acadêmica como humana. Desde que ele se foi, minha vida nunca mais foi a mesma. Havia entre nós um selo, um elo, um sentimento tão profundo, tão profundamente marcante, que viverá por todo o sempre. Eu perdi aquele que considerava o meu segundo pai, meu amigo, o que me ensinou tantas coisas, inclusive o caminho para a escrita, meu primeiro chefe (quando comecei a trabalhar na BRASILJUTA, aos 14 anos,, em 1973), meu parceiro de dominó, meu confidente, meu ombro e eu o ombro dele. Não havia uma pergunta que eu lhe fizesse que não tivesse uma resposta...Quando ele partiu, repentinamente, em 12 de maio de 2005, e sepultou-se no dia 13 (data da assinatura da Lei Áurea, marco do início da libertação dos negros arrancados de sua África, de seu calvário), ele libertava-se das agruras deste mundo, e deixava um vazio em nossas vidas, dantes tão cheias de seus ensinamentos, de seu carinho, de sua atenção, de seu amor...e de sua teimosia. Mas não uma teimosia insensata. Escorpião, assim como eu, ele não se dava por vencido em seus propósitos. Ele pode até ter adiado algumas coisas, como nossa viagem ao Líbano, para conhecer a terra de seus ancestrais. Como nossa viagem as Minas Gerais, seu berço, para rever os seus, sua filha Cidinha (temos a mesma idade e nos tornamos amigas-irmãs) e conhecer seus netos. Mas ele nunca desistiu de nada a que se propunha fazer. Ele era um teimoso sonhador e me contagiou. Se ele ainda estivesse aqui, entre nós, hoje, com certeza, amanheceríamos o dia jogando dominó, tomaríamos um vinho gostoso, acompanhado de queijos, palmito, tomate seco, aspargo, tomate cereja com orégano, regado ao azeite de oliva. Mas ele não está mais aqui...e só me resta recordar. Recordar é viver!
Eu só sei dizer, Jorge Aon, que eu te amo desde sempre!!!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

CITAÇÕES

"Preste bem atenção quando a tristeza chegar. Não feche a porta. Deixe a tristeza entrar. Perscrute. Reflita. Tente saber para onde ela quer te levar. Nada volta. Tudo segue adiante, assim como os dias e as noites. A tristeza abre nossos olhos para a vida, para o amanhã. A alegria apenas nos concede o gozo momentâneo. Viva cada uma delas no seu instante. Depois, tudo passa..."
~~~~~~~~ (RÔ Campos)~~~~~~

DESERTOS

(RÔ Campos)

Somos todos caminhantes
Num deserto de multidões
Ou uma multidão de desert0s.

Somos todos errantes
Sob um céu tão distante
Julgamos e condenamos
Somos juízes. Reus...jamais!

Aos inimigos, os rigores da lei
Aos amigos, todos os seus favores
Oh, quanta cordialidade!
Oh, quanta cordialidade!

Muitos somos os peregrinos
Há tantos sem rosto
Nos campos, com a foice
Nas cidades, com o martelo
Desertos!

Oásis...não nos pertencem
Os tiranos os lotearam
É onde se refestelam
Em seus palácios, suas alcovas

Somos perdidos
Andantes
Num deserto de multidões
Ou numa multidão de desertos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

ECOS DO ÂMAGO

(RÔ Campos)

Dentro de mim há sons e ritmos
Harmonia
Melodia
Rebuliço
Rios que correm
Sedentos.
Dentro de mim há pássaros que cantam
O vento que assobia
Uma floresta em desalinho
Temporais
Avalanches
Noites
Meio-dia.
Dentro de mim há uma África inteirinha
Seus tambores e gemidos
Seus gritos e lamentos
Espalhados pelo mundo
E há também o seu canto.
Dentro de mim há muitas etnias
Todas as Américas
Europa e Ásia
E também Oceania.
Dentro de mim há poesia
Janela de minh!alma!
Dentro de mim há erudição
Samba e Choro
Vastidão...
Dentro de mim há espanto
Alegria
Amor
E dor
É tudo isso que canto
Com minhas mãos:
O canto que ecoa
De todas as Nações.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

DESVARIO

(RÔ Campos)

Quando estou amando
Fico surda
Só escuto o amor falar
Quando estou amando
Fico muda
Só falo com o olhar
Ao ver o amor chegar
Quando estou amando
Fico cega
Só vejo o amor entrar
Quando estou amando
Não tenho os pés no chão
Vivo a flutuar
Quando estou amando
Perco os sentidos
Não sou mais que um mendigo
Estendo as mãos, imploro
Quero o amor pra mim
Para estar sempre comigo
Quando estou amando
Tudo em mim é desvario
Esqueço do mundo
Me perco
Não sei mais quem sou eu
Eu sou o outro
Que vive dentro de mim.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS, JÁ DIZIA MINHA VÓ

Eu acredito que não deverei mais tocar neste assunto, mas, vamos lá. Acordei e tenho o hábito de, antes de levantar-me, ficar na minha caminha conversando com os meus travesseiros. Pus-me a divagar sobre a guerra entre o bem e o mal que tomou conta do país, tendo como figura central o ex-presidente Lula. Os seus defensores, de sua política, de seu governo, do petismo, de sua dor, ou seja, aqueles que se julgam o Bem, tiriricas com o outro lado, a vertende que eles consideram o Mal, que começou com uma inofensiva piada (ao qual juntaram-se alguns outros e aumentaram o tom da brincadeira, cada qual à sua maneira), iniciou uma campanha de defesa bizarra, postando no Face cartazes com frases de apoio ao ex-presidente, que juram haver mudado este país, quando, a meu ver, mudou ele, o quê pudemos constatar quando trocou a cobertura de zinco de seu telhado por vidro. Mas o assunto é muito extenso e não vou me alongar, nesta postagem, até porque nem entendo muito bem dessas coisas. No entanto, parece-me que não tem sido o ex-presidente, o desrespeitado, como sustentam os seus fieis combatentes. Se for verdade mesmo (o que desconheço), que o Lula declarou, quando presidente, que o SUS era o sonho de consumo de todo brasileiro, conclamando a todos para que o usassem, assinando embaixo, como a fornecer um verdadeiro certificado de garantia. Se for verdade que ele afirmou que o SUS era a menina dos olhos do seu governo. Que não havia coisa similar em todo o mundo, inclusive no primeiro (já que somos segundos e terceiros). Que o SUS é o tal no tratamento do câncer. Então, me desculpem seus aliados (e quero logo esclarecer que não pertenço a nenhum partido, que não aprecio essa coisa de partido, pois gosto de tudo que é inteiro, que não defendo nenhum governo, que tudo o que desejo nesta vida é que todos nós tenhamos dignidade e possamos ser felizes), mas foi o próprio Lula quem abriu as portas para esses desatinos. Foi o próprio Lula que, no posto de presidente do país, mentiu - e mentiu escancaradamente, tripudiando o povo, para quem ele afirmava governar. Imaginem vocês quando um deles ouviu as declarações de Lula na TV (se é que foi assim), de que o SUS era maravilhoso, o quê não deve ter desejado para ele. Só quem vive os (des)caminhos desse sistema vergonhoso sabe o que é sofrer. E o Lula brincou com a dor do povo, a que mais fere, a que mais deprime, a que mais desespera. Que fizesse ao menos o mínimo. Que ficasse calado, ao invés de, nessa seara, meter-se a fazer declarações irresponsáveis, como se estivesse falando de jogo (de futebol), pois que trata-se de um jogo, sim, mas do jogo da vida, esse que os times mais fracos sempre perdem.