sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ORGASMOS DA ALMA

(Nesse texto, falo sobre a minha poesia, e da relação entre poesia e música. Deem uma olhadela. Feliz 2011. Falta menos de meia-hora. Muita música e poesia nos nossos corações).

"Não lancem sujidades sobre a minha poesia. Na pocilga vivem os porcos!
É onde me encontro com o meu outro “eu”, que de mim se desgarrou. Vive errante.
Tento fazer poesia. É o dia seguinte do frenesi ou da agonia. Ou as horas que os antecedem.

Não faço música. Embora ambas sejam gêmeas univitelinas, eternas meninas. Brotaram de um mesmo óvulo, de um único gozo.
(Poesia e música são os orgasmos da alma!).

Traz a minha poesia a melodia que a natureza canta. Exprimo-a nos meus risos e lágrimas, e também nos meus “ais’. Solfejo-a nas noites de lua, e até mesmo quando a lua não sai.
Ouço-a nos pingos da chuva, na dança das águas, na serenidade e na fúria do mar, na tempestade e na calmaria, no vento que assobia. Ouço-a até no gemido da manhã que se levanta e no silêncio da noite que se deita.

(Quantas vezes o silêncio soa mais alto que as trombetas!).

Às vezes tocam os anjos que me guardam; noutras, os fantasmas que teimam em me assediar. Descuido dos anjos!

A poesia dos outros também carrega melodia. Poetar é musicar a vida!
Vou musicando a minha, em vários compassos, sempre procurando uma saída. Vou vivendo a minha, como se poesia fosse. Livro-a do azedume da rotina. Perfumo-a com o aroma das flores.

E música não há sem poesia.São os acordes frases que deliram, embriagadas. A busca e o encontrar de cada tom, um eco que promana das entranhas, um êxtase.
Declama a música. Canta a poesia. Dança a alma, que, assim, atinge o píncaro.

21/07/2010

ENQUANTO HOUVER SOL

(faço repeteco do poema que escrevi no final do ano passado. Pra quem está desanimado, o negócio é o seguinte: não desista nunca, enquanto houver sol. O título do poema é óbvio, pois, sabidamente, sem Sol (e a água, é claro) não haveria vida no planeta. Então, se o mundo não vai acabar, porque eu vou desistir??? Jamé!)

Não desista agora,
Ainda é possível,
O relógio nunca para de marcar a hora,
O amanhã virá, mesmo que o Sol não saia.
Fugir não faz sentido.
Eu sei, você sempre pode,
Há vida do lado de fora,
Além da morte de nossas ilusões.

Vem, me dá tua mão,
Vamos seguir em frente,
Buscar o que deixamos pra trás,
Redescobrir nossos sonhos.

Eu sei, acreditar é difícil,
Mas basta abrir o coração.
Não desista agora,
Ainda é possível.

A noite é escura e assombra
Bem sei,
Mas nós confiamos no Bem,
Não tememos fantasmas,
Tantas foram as estradas que já passamos,
E amanhã, quando o dia acordar
Teremos vencido o medo.
Não desista agora
Ainda é possível.

Olhe, o inverno já se foi,
É chegada a primavera,
As flores estão se abrindo,
Os pássaros cantando.
O mundo é dualidade:
Às vezes somos alegres, às vezes tristes,
Mas, creia, viver é sempre uma possibilidade.
Por isso, espere até amanhã,
E depois de amanhã, e depois, e depois
Mas não desista agora,
Ainda é possível.

Veja como o Sol nasce e morre todos os dias,
E quando ele renasce, já não é mais o mesmo Sol,
Cada dia é uma renovação.
Assim também somos nós,
Partes deste mundo tão sensível.
Por isso, eu te digo
Não desista Nunca!
Sempre é possível,
Enquanto houver Sol!"

(RÔ CAMPOS, 23/11/2009)

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PRECE DE CÁRITAS

(Lembrança dos velhos tempos, em que nos reuníamos no começo da noite, em nossa casa da rua Boa Sorte, sob a presidência do nosso querido pai, e com nossa bisa Dadica, para fazermos nossas preces. Minha bisa materna era espírita e toda a família de meu pai. Meu tio, José Campos, foi um dos idealizadores da construção do prédio do Centro Espírita Allan Kardec, o qual, na realidade, deveria ser um hospital. Quando criança, corri muito pelos corredores daquele prédio,ainda em construção, nos gostosos programas de domingo, aos quais comparecíamos, inveriavelmente.
Nunca esqueci essa prece. Vale a peça fazê-la, inclusive para meditar e refletir.)

"Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai força àquele que passa pela provação, dai luz àquele que procura a verdade; ponde no coração do homem a compaixão e a caridade!

Deus, Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso.

Pai, Dai ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, e ao órfão o pai!

Senhor, que a Vossa Bondade se estenda sobre tudo o que criastes. Piedade, Senhor, para aquele que Vos não conhece, esperança para aquele que sofre. Que a Vossa Bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda a parte a paz, a esperança e a fé.

Deus, um raio de luz, uma centelha do Vosso Amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão.

E um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós Vos esperamos com os braços abertos, oh Poder!, oh Bondade!, oh Beleza!, oh Perfeição!, e queremos de alguma sorte merecer a Vossa Divina Misericórdia.

Deus, dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem."

domingo, 26 de dezembro de 2010

ESSA TAL LIBERDADE

Extraio do meu Novo Dicionário AURÉLIO da Língua Portuguesa (edição de mil novecentos e lá vai depois), que liberdade seria uma faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação. Um poder de agir no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas. À luz da filosofia, liberdade é "caráter ou condição de um ser que não está impedido de expressar, ou que efetivamente expressa, algum aspecto de sua essência ou natureza."
Nas minhas andanças por este mundo, no exercício de minha profissão de advogada, e até mesmo no dia a dia, muito ouço as pessoas arvorando-se livres. Eu mesma não abro mão do estado de liberdade em que hoje me encontro, procurando sempre transformar, em meu próprio benefício, as consequências - sejam quais forem elas - das decisões que tomo. Isso é liberdade: ser livre para fazer as escolhas, dentro dos limites das leis, e, reconhecendo as consequências das decisões tomadas, assumi-las inteiramente, não pondo, na hipótese de resultados não benéficos, a culpa em Deus, em terceiros ou no acaso.
Que liberdade é essa, em que o usuário de álcool pode causar danos à sua saúde, contraindo doenças como cirrose, hepatite, câncer etc, e depois, enfermo,culpa a Deus pelo seu infortúnio? Que faz uso do álcool para magoar, agredir, agir inescrupulosamente, e depois colocar a culpa na bebida, eximindo-se de qualquer responsabilidade?
Que liberdade é essa, em que o usuário de droga que adora curtir um barato, também pode causar danos graves à sua saúde física, mental, financeira, e, enfermo, culpa a Deus, a família, os problemas, o mundo inteiro?
Que liberdade é essa, quando fazemos um monte de besteira, tomamos decisões várias precipitadamente, agimos sob impulso, e depois não assumimos os resultados maléficos, mas invocamos sempre a nosso favor os bons resultados?
Que liberdade é essa, em que trai-se o outro, abandona-se o cônjuge, os pais, renegam-se filhos, nega-se comida, abrigo, amor e solidariedade ao outro, o mundo transforma-se num cáos, e a culpa é de Deus?
Diz parte de uma música que já ouvi que "liberdade tá dentro da cabeça". Na verdade, liberdade implica em responsabilidade, e, efetivamente, responsabilidade está dentro da cabeça.
Não é livre, absolutamente, quem age e não se responsabiliza pelo resultado negativo de sua atitude. Há que se ter coragem para viver!
Não é livre quem ludibria, engana, se omite, simula, é usurário, foge dos enfrentamentos da vida. Viver é travar batalhas constantes. E Golias não faltam.
Não é livre quem passa os dias e as noites sob efeito de drogas, porque as drogas o dominam. Como pode ser responsável quem não tem sequer a consciência de si mesmo?
Não é livre o egoísta, porque a avareza o possui.
Não é livre quem não ama verdadeiramente, porque a ausência de amor implica em um coração árido. E o amor é semente que só brota em coração fértil. Como pode ser responsável quem não ama?
Não é livre quem não compreender que não importa de onde tenhamos vindo, para onde vamos. O que importa é que estamos aqui neste mundo, por alguma razão que, pelo menos até hoje, desconhecemos. O que importa, então, é viver, segundo por segundo, pois o segundo seguinte é um enigma. Não importa acumular bens materiais nem dinheiro, pois, se formos para algum lugar, nada levaremos conosco. O que importa é termos uma vida plena, acima de tudo com tolerância e respeito às diferenças, fazendo bom uso e partilha do que recebemos, porque nada se recebe por acaso, nada vem de graça.
O resto... o resto é ser feliz, sonhar e sonhar, deixar o coração pulsar, acreditar na vida, ter paciência.

sábado, 25 de dezembro de 2010

VOCÊ É GÓTICO?

Retirei a frase abaixo de um site gótico. Achei interessante para refletirmos. Muito bom para debate.

"Dizem que, se ao menos eu tentasse, talvez conseguisse me libertar. Mas, mesmo procurando luz, me perderei entre as sombras, pois não tem como se escapar de algo que faz parte de você e que te domina."

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

ALGUMAS MENSAGENS DE NATAL QUE ENVIEI PELO ORKUT

1) Amiga, que a felicidade sempre esteja em sua casa, que é o seu corpo, onde habita o seu espírito. Mesmo que você esteja triste, ainda assim, que você continue acreditando, sempre, que amanhã poderá ser um dia melhor, porque a vida é um mistério, e o segundo seguinte, um enigma. Então, viva sempre cada instante, intensamente, com amor e bondade no seu coração. Nunca desperdice um minuto sequer, pois podemos não dispor do minuto que vem a seguir. Lembre-se, sempre, que na vida há duas cadeiras: numa, senta-se a tristeza; noutra, a alegria se levanta, e assim sucessivamente...Moral da história: as duas nunca se sentam ou se levantam ao mesmo tempo, mas, tenha calma, que tudo acontece exatamente na ordem que lhe falei há pouco. Paciência, também! Lembra que sempre te falei isso? Paciência é um exercício diário. E só exercita a paciência com progresso, dia a dia, quem acredita naquilo a que se propõe. Parabéns pra você, que conseguiu alcançar alguns degraus na escada da vida, ainda quando nada sabia sobre ela.

2) Amei o que vocês postaram no perfil "about" as duas. Fernanda, tu sabes muito bem como funciona a cabeça desta tua tia, sempre tachada de "doida" por quem jura que é normal, e, na realidade, não passa de um ser profundamente infeliz. Se ser normal é ser infeliz, então, eu concordo com eles: eu sou doida. kkkkkk Eu sou louca pela vida, pela música, pela poesia, pelo universo infindo, e, agora, pelo meu amor lindo. Quando me viram com ele, no Largo São Sebastião, a primeira vez, a cúpula reuniu-se para decretar o meu estado de loucura definitivo, simplesmente porque ele é um hippie (acho, agora, que é um ex-hippie kkkk). É impressionante a capacidade das pessoas julgarem o outro, esquecendo do próprio umbigo. É impressionante como param na superfície, na casca, na embalagem, esquecendo a profundidade, que sempre foi o que mais me interessou nas pessoas: aquilo que está lá embaixo, oculto, nas profundezas. Gosto de descobrir, de penetrar(ou, ao menos, tentar) na alma do outro. Não gosto do corriqueiro, do comum, do que está à vista de tudo e de todos. Finalmente, eu quero é que o povo exploda, pois as minhas contas pago eu (ou não, kkkkkk), e quem comprou a cama em que ele se deita comigo, fui eu (eu não ganhei do caminhão do Faustão kkkkk). Pois é, Ninanda, o que importa, mesmo, é a família e os amigos que nos amam de verdade(são tão raros...). E, amor e prazer, independe de diferença de sexos. Isso só serve mesmo para a procriação, que, aliás, com o progresso da ciência, já não é mais o único meio (vide inseminação artificial). Um beijo grande e felicidade eterna para vocês.

3) Pereirovsky, mano querido, lá se vai mais uma jornada... e nós aí, caindo, levantando, alegres, tristes. Essa é a roda da vida. O que não podemos fazer é deixar de buscar, buscar, buscar, porque, se a busca cessar, não teremos mais motivos pra continuar. É por isso que eu e vc somos assim, tão inquietos. O que importa mesmo, mano, é amar, pois, amando, aceitamos o outro como ele é, com suas limitações e dificuldades. Afinal de contas, não somos robôs e não funcionamos com um simples apertar de botões. Temos sentimentos, que podem ser bons ou ruins, depende de tantas coisas.... E, havemos de convir, começar a caminhar na estrada do conhecimento já é difícil, imagina chegar ao menos perto do cimo. As pessoas não estão muito aí pra isso, não. Querem saber do que extasia a matéria, simplesmente. Perdem a grande oportunidade de unir o útil ao agradável. Tudo bem que progresso material também é bom e necessário (e eu gostio), mas sem o equilíbrio entre matéria e espírito não adianta nada. Mano, fiz uma travessia brutal neste ano q termina, mas foi maravilhoso aprender mais, ter a carne cortada para que eu mesma a costure e a trate para sarar. E a luta continua. Beijo grande. Força, sempre, pois é nas dificuldades que sabemos do que somos capazes.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

DOCA

( À minha querida amiga e irmã, Suzy Hô, todo o meu sentimento.
Já que não podemos sentar e recordar todos os momentos felizes que desfrutamos, nas longas conversas na cozinha, em meio aos salgadinhos deliciosos, ou na sala, sentadas no sofá, e ela, na cadeira.
Já que não podemos sentar e recordar as nossas peripécias da juventude, e suas palavras brandas nos repreendendo, com aquele olhar suave e penetrante.
Já que não podemos dizer, sim, valeu a pena.
Já que meu abraço não poderá te afagar, mas, sim, te afligir.
Já que nem pude dizer a ela: até um dia, quem sabe.
Escrever - minha irmã -, isso não me podes negar.
Cantá-la em versos é o que me resta.Porque toda vida é uma poesia. E a dela, além do mais, foi uma verdadeira prece)


DOCA

Guerreira, a não mais poder
Rica, em toda a sua plenitude
Árvore de muitos frutos
DOCA se foi, sem que eu soubesse.

Foi-se deste Reino para onde?
Eu não sei, mas não foi pra longe.
Tudo aqui deixou. A força do amor
Que tudo vence, o alicerce.

DOCA, pequenina, branda
Mais forte que as tempestades.
Travou batalhas, caiu, levantou
Subiu montanhas, chegou ao cume.

DOCA cumpriu seu ciclo.
Minha irmã, orgulha-te disso!
Transforma teu chorar em risos.
Ouvirás a voz de DOCA no paraíso.

(RÔ CAMPOS, em 24/12/2010)

VIDA ETERNA

SAUDADE!

Da bagunça na casa
Do barulho da música, do riso
Do beijo ardente
Das nossas brincadeiras de criança.

SAUDADE!

Da alegria contagiante
Do amor que partiu e ficou
Do amor que cuidei
Do amor que me cuidou.

SAUDADE!

Do verbo que conjugamos
Da vida que vivemos, rara
De "Vida", um ser tão caro
De "Vida", o amor que fica.

SAUDADE!

Do coração franzino
Dos nossos corpos rolando na cama
Da comidinha bacana
Do carinho que dele emana.

SAUDADE!

Do nosso amor, invejado
Do nosso amor, sem idade
Do nosso amor, sem fronteiras
Do nosso amor, libertado.

SAUDADE!

Quando miro Leia, exuberante
Quando miro nossa estrela, a mais brilhante
Quando me deito e busco o teu abraço, e só o vento me beija
Quando acordo e não estás ao meu lado.

SAUDADE!

Do dia em que vais voltar
Dos beijos que nos daremos
Da renovação das promessas que fizemos
Da eternidade do amor que juramos.

(RÔ Campos, 24/12/2010)

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

É PRECISO MORRER PARA RENASCER

Já é Natal.
Sempre foi e será Natal
No coração de quem nasce e morre
Todo dia, afinal.

Já é Natal.
Hora de tomar um porre
De felicidade e amor,
Hora de enterrar o mal.

Já é Natal.
Celebrar, dedilhar um acorde
Afinar o coração, eis a lição
Amar, exercitar a entrega total.

Já é Natal.
É preciso morrer e renascer forte,
Derreter o gelo com o calor do coração,
Tornar-se a seiva, vida integral.

Já é Natal.
Mas preparai a ceia o ano inteiro para brindar a morte,
Da indiferença, da soberba, do preconceito,
E possa a Vida renascer a cada novo dia, frugal.

RÔ Campos, 22/12/2010

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

RENASCIMENTO

Cansada da vida
Após tantos anos vividos
Tantas avenidas percorridas
Erros e acertos
Alegrias e tristezas
Procuras, achados e perdidos.

Cansada da vida
Do dia, da noite
Das coisas vazias
Das buscas incessantes
Das respostas que não vinham
De tudo quanto me reprimia.

Cansada da vida
Da censura velada
Do preconceito contagioso
Do amigo da onça
Da usura do outro
Da iniqüidade que grassa.

Cansada da vida
Da dor do oprimido
Da fome que mata
Da ausência de virtude
Da mentira deslavada
Do teatro, do circo.

Cansada da vida
Dos infortúnios
Dos sonhos desfeitos
Das alegrias entristecidas
Da desesperança
Do desmoronamento da casinha de criança.

Cansada da vida
Das promessas não cumpridas
Do horizonte cada vez mais longe
Das incertezas
De tudo quanto me enganei
De minhas fraquezas.

Cansada da vida
Do medo que assombra
Da indiferença que aniquila
Do desamor
Do egoísmo escancarado
De não viver a liberdade.

Cansada da vida
De não ser o que sou
De não viver o que grita em mim
De me fechar
Cansada de tudo
Cansada do nada.

Há pouco tempo conheci Vida.
Hoje, juntos, assistimos ao dia se abrindo
E, sob sua luz, trocamos muitas palavras
Alimentamos nossos sonhos e despejamos os dejetos nos esgotos.
Vida é a impetuosidade do Mar e a paz do Céu
A turbulência do Céu e a calmaria do Mar
Mar e Céu e seus mistérios, como Vida e a vida.

Descobri pureza e um coração franzino.
Sua casa não tem paredes, mas ele é tão rico...
Esqueci do cansaço da vida.
Revigorei-me à luz da manhã, antes de me deitar
Enquanto muitos acordam sem sequer sonhar.

(RÔ Campos - escrito na manhã de sábado, 20/11/2010, dia do meu aniversário)

domingo, 12 de dezembro de 2010

QUE A FORÇA DO MEDO

O texto abaixo, segundo o Google, é de autoria do cantor e compositor Oswaldo Montenegro. Meu filho Bruno enviou-me na sexta-feira passada. Amei.Confesso que é um texto que eu gostaria muito de ter escrito. Para mim, poderia até ser o derradeiro, vez que encerra todo o meu pensar e sentir.Metade de mim é amor. E a outra metade...
também.

"Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca.
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
Que a música que eu ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que a mulher que eu amo seja sempre amada, mesmo que distante.
Porque metade de mim é partida e a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor,
Apenas respeitadas como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimento.
Porque metade de mim é o que eu ouço, mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço,
Que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que eu penso e a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste.
Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto o doce sorriso que eu me lembro de ter dado na infância.
Porque metade de mim é a lembrança do que fui; a outra metade eu não sei...
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito.
E que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba,
E que ninguém a tente complicar,
Porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é platéia, e a outra metade, canção.
E que minha loucura seja perdoada.
Porque metade de mim é amor,
E a outra metade... também."

Oswaldo Montenegro

FORÇA MOTRIZ

Procurei o amor para dialogar,
Mas o amor se fechou,
Nem bem o botão arrebentou,
Nem bem a flor se abriu.

Procurei o amor para compartilhar,
Mas o amor se escondeu,
Nem bem o sol se pôs,
Nem bem a lua saiu.

Procurei o amor para amar
Mas o amor se calou,
Nem bem o dia sorriu,
Nem bem a noite chegou.

Procurei o amor para me doar,
Mas o amor não me quis,
Nem bem a tristeza havia ido embora,
Nem bem era alegria em meu coração.

Procurei o amor para... para...
Mas o amor não se procura.
O amor é uma semente que só brota em coração fértil
Não se ouve, não se vê, não se recebe. Sente-se.
O amor é perfume que exala e inunda a alma
É a primeira força motriz da vida.
A dor, a derradeira.


(RÔ CAMPOS, 20/11/2010)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DESUMANA HUMANIDADE

Humano. Demasiadamente humano,
Nietzsche disse;
Nelson Rodrigues concordou:
Nada é infinito no universo infindo
Além da infinita estupidez humana.

Desde sempre se há dito
Pela Lei da Criação:
À imagem e semelhança de Deus
Foi o homem concebido.

Tenho duvidado, vez em quando.
De tão humana, demasiadamente humana,
Essa desumana humanidade,
É o homem essencialmente mal, não é bom.
O Deus da Criação é do Bem.

Não é bom de coração:
O homem que mata o homem
O homem que mata a mãe
O homem que mata o filho
O homem que mata o pai.

Não é bom de coração:
O homem que renega o filho
O homem que humilha o irmão
O homem que rouba o empregado
O homem que o amigo trai.

Não é bom de coração:
O homem que abandona os pais
O homem que vive nas teias da corrupção
O homem que tudo quer pra si
O homem que pelo outro nada faz.

Não é bom de coração:
O homem que nega alimento à quem tem fome
Q homem que não agasalha quem tem frio
O homem que é indiferente à dor do outro homem
O homem que a usura infame seduz e satisfaz.

Não é bom de coração:
O homem que não celebra a vida
O homem que fomenta a discórdia e o ódio
O homem que pensa que tudo o dinheiro compra
O homem que o outro homem subjuga e reduz

Não é bom de coração:
O homem que da criança abusa e destrói seus castelos. Monstro!
O homem que a mulher explora. A mulher que o homem engana.
O homem que o desvalido pisa
O homem que tem no peito uma pedra e nunca chora.

Não é bom de coração:
O homem que não sabe a humildade.
O homem que não tem vergonha da sua falta de vergonha
O homem que se julga ser. E, na verdade, não é nada.

Não sabe de onde veio, nem para onde vai.
Senta-se também em vaso sanitário, arria as calças, faz xixi, arrota, solta traques.
Nasce , cresce, deseja, tem diarreias, fome, tosse, insônia, adoece, morre.
Do pó veio. Ao pó volverá.
Aqui chegou nu, e aos prantos. Nada levará consigo.
Nem lágrimas. Nem sorrisos.
Nem a posse de seu corpo, que nunca teve.
Nem a posse da sua (in)consciência.
Nem o amor das mulheres e dos homens,
Que - sabe - o dinheiro pagou e não comprou.
O amor não se vende!


Humana, demasiadamente humana, desumana humanidade!.


(RÔ Campos, em 26/10/2010)

HOJE

Não sei o quê me trará o amanhã
Quando o sol tocar os negros cabelos da noite
Despertando a manhã preguiçosa,
E puser as pernas no mundo.

Não sei o quê me trará o amanhã
Quando a madrugada se trancar
O Sol abraçar o dia
A rosa-menina no meu jardim se abrir
Cantar o beija-flor, o bem-te-vi.

Não sei o quê me trará o amanhã
Quando o dia se levantar
Sair, correr, sorrir, cantar
Beijar a face ensolarada da tarde.

Não sei o quê me trará o amanhã
Quando a chuva molhar o Sol
Saciando a sede do chão, do verde
A água correr pro rio
O rio desembocar no mar.

Não sei o quê me trará o amanhã
Mas hoje, ainda, o dia beijou a tarde e namorou a noite
Confesso que vivi!
Porque o dia é hoje
Amanhã um de nós pode partir.


(Rô Campos, em 23/09/2010)

MESTIÇA

Sou Amazônia.
Sou cheiro.Sou canto.
Sou flor. Sou encanto.
Sou sabor.

Sou Ponta Negra
Sou Teatro Amazonas
Sou tucumã, tucunaré
Sou farinha do uarini
Sou tacacá, pirarucu
Sou pimenta murupi.

Sou tapioca, pé-de-moleque
Pupunha, tambaqui
Sou luar em meio à mata
Por do sol. Um belo horizonte
Sou cabocla, de pele morena,
E também branquicela
Sou índia de negros cabelos.

Sou estrela candente
Nas noites de céu brilhante
Sou o meu senhor
Condor! Condor!
Sou natura, natureza
Ah, quanta beleza!
Sou aluá, quando o mês é junho
E também sou Boi-bumbá.

Sou Amazonas, do mundo
Debruço-me sobre o meu rio
Onde Solimões e Negro se abraçam
Espetáculo das Águas:
Não se misturam, nem se separam,
Depois, cada qual segue o seu curso.
Pororoca! Pororoca!
Como é doce amar!
Oh! Caymmi, Jorge Amado,
Como é doce morrer no mar.

Agora, sou banzo
Saudades!
Cadê minha fogueira?
Onde está meu arraial?
As brincadeiras, balões e bandeiras?
(Sumiram. Não os vejo no quintal)

Meu “Luz de Guerra”?
Meu “Corre-Campo”?
Meu “Teimosinho”?
As Pastorinhas, do Mestre Maranhão?
A “Tribo dos Andirás”?
O “Cacetinho”?
Rê-rê-rê? Carmen Doida?

(Encantaram-se! - poetiza Rosa)

Cadê nossas praças?
Ponte da Bolívia?
Cachoeira do Tarumã?
Cachoeira das Almas?
(Muita calma! Muita calma!)

Cadê Moranguinho, Boate dos Ingleses, Ideal,
Rio Negro, Fast Clube, São Raimundo,
Sulamérica, Libermorro, Nacional,
Marialvo, Pedro Hamilton, Sula, Beto e Téo,
Zezé, Pretinho e Pepeta?
(Passaram! Tudo passa!)
(Saudade – é o amor que fica!)

Cadê Guarany, Polytheama, Odeón, Éden,
Confeitaria Avenida, Almanara, Pinguim,
Chapéu de Palha, Acapulco, Palhoça, Cabana dos Barés?
As batidas de limão, coco, maracujá,
Nas “Brincadeiras” em casas de amigos?
(Tudo... tudo se perdeu!?)

Hevea braziliensi
Roubaram-te na maior sem-vergonheza
Homens do além-mar
Barões da Borracha
Roubaram dos seringueiros a delicadeza
Num tempo de mocidade
E tudo se perdeu...
Perdemos nossa identidade
Covardes! Covardes!
Foram-se. Escafederam-se.

Nenhum sinal de sarda
Nem olhos azuis
Ou sobrenome britânico
Nada ficou!
Nada ficou no lugar.
Aqui e acolá um prédio:
Reservatório do Mocó, Alfândega
O Palácio da Justiça
(Que “assegurava” seus “direitos”)
Escombros de um Cabaré chamado Chinelo
(Ah, quanta lascívia!)
O clube de tênis bosqueado, privado
A ponte de ferro, ou ponte da Cachoeirinha
(para as orgias do outro lado do rio)
Alguns palacetes onde se refestelavam
Metros de esgoto
E o Rodo (Roadway)
Porto de lenha! Porto de lenha!
Tu nunca chegarás a Liverpool,
Londres, Escócia.
Quo vadis? Quo vadis?
Aonde vais, homem?

SUANAM

Ó, minha mana, Manaus
Fundaram-te – e nascido já havias,
Suanam,
Antes que aqui chegasse alguma nau.

Já existia povo, povo existia
Em teu entorno, à margem dos rios:
Baré, Manaó, Baniba, Passé
Adorada terra, mãe dos nossos ancestrais.

Ouvi dizer, também, Suanam
Que aqui esteve o povo hebreu
A mando de Salomão, filho de Davi, o rei
Ouro! Ouro, maninha! – levaram daqui
Para adornar o Templo,
Aquele, do Muro das Lamentações.

Tempo depois veio o europeu
E arrancou teus filhos para a escravidão
Teus filhos guerreiros, deste chão
Deitando o véu da noite em teu céu.

De Ajuricaba, valente índio Manaó,
Nada mais se ouviu dizer,
Desde o dia fatídico em que partiu, escravizado
O pouco que se soube, não se contou verdade.
Triste fado!

Foi o teu âmago, Ana, ferido
Por abutres, desterrados, facínoras, condenados
Vindos das terras de Portugal e dalém mar.

Ao genocídio covarde, infame
Seguiu-se à exploração de tuas riquezas.
Tudo te saquearam, maninha,
E também as chamadas drogas do sertão
Só não te roubaram a tua honra.

Os anos se foram entre as agruras dos dias e das noites,
Em meio aos gemidos do vento que soprava,
Como que trazendo em ecos o canto dorido
De teus filhos amados, arrebatados de teu colo.

E tu, Suanam, devastada,
Renasces das cinzas, tal Fênix
É o apogeu da borracha!
(Panair, Booth Line, Roadway, Teatro Amazonas
De Manaus para o mundo!)
Período fausto, no entanto, apenas para o estrangeiro
A ti e a teus poucos filhos, mais os migrantes nordestinos,
A labuta diária. Essa era a tua sina.


Mas, qual nada, maninha
A febre durou algumas décadas, apenas.
Esteve por aqui um inglês, cujo nome nem me lembro
Astuto, ladrão, à sorrelfa,
Roubou-te tantas mudas na calada da noite, ou do dia
Ninguém sabe. Ninguém viu
(E sempre assim nestas terras Brasis).
Roubou-te tua semente – o ouro branco
Hevea braziliensi.

Anos de escuridão se seguiram aos desatinos
Teu céu foi de novo coberto pelo véu da noite.
Mas novo ciclo de riqueza se vislumbra.
Aqui, aportam os nordestinos,
Fugindo de suas terras queridas,
Da aflição da grande seca.

Nada é como antes, de novo.
Fim da Segunda Guerra. Paz no mundo!
Fim do teu (quase) segundo apogeu.

Maninha, tu, morena, linda, cobiçada,
Agora, andas tão pálida, desolada.
Os palacetes desabitados,
As ruas cheias de fantasmas a desfilar
Foram-se os que nada mais tinham para te sugar
Fim do terceiro ato. Cerram-se as cortinas do teatro.

Mas, dizia a lenda:
Estas terras ainda darão o que falar um dia.
Idos de 1967. Militares no poder. Ditadura!
Castelo Branco, o marechal presidente,
Cria uma zona de livre comércio.
Quer povoar a Amazônia. E povoa.
Manaus tornou-se uma zona.

Maninha, estás enferma, agora.
Todos esses anos te consumiram – inclusive a memória.
Por isso te faço este relato, nesta hora
Que me pediste em um instante de lucidez.

Não sei se rio, ou se choro.
Tantas vezes pensei em partir
E, quando estive peregrinando,
Logo quis voltar pra teus braços
São nossos fortes laços, maninha.
Sangue dos Manaó. Povo aguerrido.
Também sei, vou terminar meus dias aqui
Junto de ti, Suanam. Manaus, de trás pra frente,
Com as costas viradas para o nosso rio, o Negro,
Ou, quem sabe, um dia, um de teus filhos resolva,
Tornar o teu rosto para as tuas águas, maninha,
Para que possas, então, sentir o Sol a te beijar
E descanses em paz, o descanso das mães,
Mãe dos Deuses!

ALÔ, AMIGOS, VOLTEI!!!!

Estou há exatamente 1 mês e 1 dia sem nada postar no Blog. Viajei, adoeci, fiquei sem net por mais de 15 dias. Nesse período, muitas coisas aconteceram comigo, no Brasil e no mundo. Participei de um concurso de poesias promovido pela Academia Amazonense de Letras, intitulado MANAUS POESIA, onde três poemas foram escolhidos como os melhores e serão premiados com R$ 3.000,00, cada, no próximo dia 28, na sede da AAL. Participei com dois poemas, mas não fui vencedora (pela Academia, é claro, pois eu mesma me senti vitoriosíssima por ter participado, pela primeira vez, de um concurso como esse). Vou postar no Blog, agora mesmo, num outro artigo, os dois poemas com os quais participei. Quem for da minha geração vai entender algumas coisas escritas no poema MESTIÇA.
Ah, não esqueçam que hoje tem ET BAR, fervilhando nas noites de sexta-feira, com muita gente bonita e a fim de ser feliz. Kokó Rodrigues acertou o rumo de lá e tem sempre dado uma palinha. Sexta-feira passada foi uma das melhores noites, dentre as melhores das melhores. Confiram.