segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

PRA VIVER

(RÔ Campos)


No lugar de me mentir

É melhor ficar calado

Para não fazer de mim

Um alguém tão machucado.



Ontem à noite eu me escondi

Atrás da porta destravada

Foi então que dei por mim

Com a porta aberta, desalmada.



Grande foi o susto meu

Quando percebi bem tarde

Ser tua, eu sei, não deu

Canta, canta, a liberdade.



O silêncio agora se despiu

Criou coragem, soltou a voz

A verdade então se descobriu

Dentro da noite, sem os lençóis.



Se amanhã o sol sair

Eu sei o que vai me dizer

É hora de se levantar, seguir

Que a vida é feita pra viver.

domingo, 29 de janeiro de 2012

A NOVELA DOS HAITIANOS

E, enquanto isso, o que posso dizer...A minha fuga não é a mesma fuga deles. Depois, eu volto pra casa, tenho o meu quarto, a minha cama, meus filhos, meu refúgio...E qual é o refúgio deles? As lembranças tenebrosas, a saudade, uma dor que corta, um abraço sem braços, um outro lado na cama que não existe, um cheiro no cabelo tão distante, um sol que teima em não entrar na casa, o café da manhã que não está na mesa, o almoço que não chega, o beijo que ficou, a noite que é tão longa, o dia que demora a chegar. O que será? O que será?

E, não duvidem. Amanhã dirão os jornais. A honra do haitiano será sacrificada. Ele não está mais no meio de nós para se defender. A melhor desculpa será a culpa dele. Seja lá qual tenha sido o motivo de seu frio assassinato.Pelas costas. Torpe. Não será interessante o esclarecimento dessa crueldade. Não interessa ao estado brasileiro. Pago pra ver. A voz deles não será voz alguma. O silêncio é tudo o que resta. E essa dor que não passa. Mesmo que a sua alma já estivesse comprometida. Não há interesse algum em recuperar almas, nem daqui, nem dalhures. Queimem-se no fogo do inferno. Mas não queimem as nossas palhas. Sujem o quintal alheio. Deixem o nosso quintal em paz. Muito obrigado. Sigam em frente. Aqui não há vagas. Há apartamentos em Brasília. Ocupem-nos. Aqui, estamos ocupados demais. Copa da Amazônia.2014. Vocês são demais para nosotros.

sábado, 28 de janeiro de 2012

BOM DIA E ADEUS À NEGRITUDE

Abaixo, transcrevo Nota de rodapé do ensaio BOM DIA E ADEUS À NEGRITUDE, do escritor e poeta haitiano René Depreste, que vale a pena conferir, pois nos dá uma ideia sobre o racismo.

"O crítico afro-americano Henry Louis Gates aponta o racismo latente no pensamento ocidental, já no mínimo desde Platão. Efetivamente, o
diálogo platônico Fedro, com a famosa analogia entre a alma e o cocheiro a guiar dois cavalos, é emblemático. O cavalo branco é belo, "de
melhor aspecto"; "ama a honestidade e é dotado de sobriedade e pudor, amigo como é da opinião certa. Não deve ser batido e sim dirigido
apenas pelo comando e pela palavra." (continuamos a citar diretamente o Fedro): "O outro [cavalo] - o mau - é torto e disforme; segue o
caminho sem deliberação; com o pescoço baixo tem um focinho achatado e a sua cor é preta; seus olhos de coruja são estriados de sangue;
é amigo da soberba e da lascívia; tem as orelhas cobertas de pelos. Obedece apenas - e com esforço - ao chicote e ao açoite." (Ed. de Ouro,
trad. Jorge Paleikat).
Isto não significa, no entanto, que existissem desde a Antigüidade as concepções de raça e de racismo conforme as conhecemos, no mundo
ocidental moderno. No início e durante boa parte da Idade Moderna, inexistia no Ocidente a concepção de "raças distintas"- o que surgiria
apenas com os avanços da ciência iluminista. Ainda no século XVII, explicavam-se as diferenças físicas entre os homens com teorias
ingênuas como a diversidade do solo, ou "alguma virtude secreta do ar"( Dictionnaire Théologique, Historique). A palavra "raça", em sua
acepção de grupo étnico diferenciado, segundo Léon-François Hoffman, em Le Nègre Romantique: personage littéraire et obsession
collective) não se atesta em francês antes de 1685; e a palavra negro, de origem ibérica (atestada em francês em 1516), é rara nessa
língua até o século XVIII. Anteriormente (isto vale para o português, o espanhol, o francês e o inglês), preferia-se utilizar denominações
simplesmente geográficas ou difusas como "mouro", "africano", "etíope", para designar pessoas de pele escura, habitando o que seria
depois universalmente conhecido como o "continente negro".
No século XVIII, passou-se de um racismo dogmático a um racismo científico. Já não bastava aos intelectuais racionalistas que as diferenças
de cor entre os homens fossem explicadas pela teologia, era preciso explicá-las pela ciência moderna. No discurso escravista europeu, a
ideologia etnocêntrica encobria os motivos econômicos subjacentes. A referência positiva sendo sempre o homem branco, quaisquer
diversidades em relação a este eram invariavelmente apontadas como o desvio da normal, o anormal. Assim se justificava intelectual, moral
e esteticamente a empresa mercantilista ultramarina. E sua força motriz, a escravidão.
No século XIX, as idéias de Joseph-Arthur Gobineau (França, 1816 - Itália, 1882) com sua teoria de determinismo racial, tiveram uma
enorme influência sobre o desenvolvimento subseqüente de teorias e práticas racistas na Europa ocidental, culminando com o nazismo. Tais
idéias foram fruto do interesse europeu vigente, notadamente desde a segunda metade do oitocentismo, num determinismo biológico e
sociológico. Nesse sentido, houve uma notável convergência entre as teorias científicas da época e os interesses imperialistas em relação ao
que depois viria a ser cognominado "Terceiro Mundo". Fonte principal: Heloisa Toller Gomes, As Marcas da Escravidão. R.J.,
Ed.UFRJ/EDUERJ, 1984.
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UMA NOITE SUPIMPA NO ET BAR, UM LUGAR DE TODAS AS CORES

Sem palavras para a noite de ontem no ET BAR. Alto astral prá lá de Marrakesh. Tanto que nem a chuvinha que teimava em cair atrapalhou o agito. Passaram por lá (o deputado federal) Francisco Praciano e sua esposa, minha querida amiga Loló. Um casal plural e que tem cadeira cativa na casa. Ainda: Papaco Amor e Samba, Auzier do Samba, Joab, Laura Abreu e Vítor Bacuri Torres. Laura e Vítor deram suas... canjas. Muito bacana assistir Vítor, lindo como ele só, arrebentando (mandando Chico Buarque), seguindo os passos do pai famoso (Zeca Torres, o Torrinho) e do avô paterno.
Íria, a Loura, dona do ET BAR, minha grande amiga, está de parabéns. Ao contrário de outras "gentes" desta plaga, Íria, branquérrima e de olhos verdes, descendente de portugueses (que não se recusou em alugar um de seus quitinetes a um grupo de 3 haitianos), está dando o maior apoio a eles.
Outra coisa boa de se ver, é que o público que frequenta o ET BAR, um espaço democrático, está lidando com respeito com esses haitianos, e com outros que, mesmo não morando lá, estão dando uma voltinha no espaço para se divertir, porque ninguém é de ferro e todo mundo é filho de Deus. As moças dançam com eles, que já estão afinadíssimos com o samba. E os homens não se esquivam. Show de bola, mesmo.
E, pode crer, eu vaticinei isso logo no início da vinda dos haitianos para cá: Manaus, mais adiante, será duas: a de antes e a de depois dos haitianos. Daqui a alguns anos, ou o cara se acostuma com esses contrastes de cores, rostos e roupas (em alusão ao "artigo" de Mazé Mourão - com viés preconceituoso - em seu blog), ou ele vai ter que cantar noutra freguesia.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ALMAS

‎(RÔ Campos)

Minha alma encontrou a tua alma, outro dia,
quanto vagava pelas ruas na noite vadia,
quem sabe à procura do quê nem mesmo sabia.

Tua alma aventureira, peregrina, desbravadora,
também encontrou a minha.
Éramos duas almas andantes, sedentas,
com olhos de lince na madrugada fria, em busca de companhia,
talvez de alguma parte, da parte que ainda cabia.

Agora, somos apenas uma alma, indissolúvel,
tanto que tragaste o néctar da alma minha,
tanto que sorvi o líquen da alma tua.

Somos uma alma única, despida, nua.
Nunca mais seremos sozinhos.

PERGUNTAS AO TEMPO

(RÔ Campos)


O quê serei eu, pra ele, agora, além das memórias deixadas nas calçadas?
O quê serei eu, pra ele, agora, além do gemido do vento que ao meu ouvido sussurra?
O quê serei eu, pra ele, agora, além do sorriso desbotado no quadro que jamais pintamos?
O quê serei eu, pra ele, agora, além de Lenine, Bob Marley, Janis, Jah?
O quê serei eu, pra ele, agora, além de um horizonte que já vai longe, que não mais se alcança?
O quê serei eu, pra ele, agora, além do nada do muito que já fui um dia?
O quê serei eu, pra ele, agora, além do que vivemos, além do que não fomos?
O quê serei eu, pra ele, agora, além desse asilo que abriga as lembranças do passado?
O quê serei eu, pra ele, agora, além desse esquecimento esquálido?
O quê serei eu, pra ele, agora, além da libertária cujo amor deixou partir, crendo que brevemente iria voltar?
O quê serei eu, pra ele, agora, além daquele último aceno no portão da casa, naquele dezembro febril e permeado pelos sonhos?
O quê serei eu, pra ele, agora? Um vácuo entre o mar em que se deita e o céu que o guarda e protege?
Uma estrela já não mais candente nem visível, coberta pelo manto da nuvem escura?
Um sol que não mais arde, que não mais aquece, que não mais dá vida?
Ou uma lua escondida atrás dos morros, lá onde os ventos uivam?
O quê serei eu, pra ele, agora, além do silêncio que zomba, que corrói?
O quê serei eu, pra ele, agora? – pergunto ao vento. Nenhuma resposta o vento me traz.
E o vento que sempre cala, a despeito dos vendavais. É só o tempo que fala.
E, agora, enquanto a boca do tempo se fecha, à espreita do instante fatal, falo eu.
Derramo todos os meus “ais” nesse poema que componho, com todas as minhas forças. Aqui, ponho tudo o que vivi, o que sonhei, o que fiz e o que não fiz, também.
Aqui, conto sobre um amor que se foi enquanto era dia. Mas a noite não tardou.
Aqui, vaticino o que o tempo ainda não falou, escancaradamente, impiedosamente, despudoradamente:
O quê serei eu, pra ele, agora, se algum dia fui alguém?

sábado, 21 de janeiro de 2012

A BUSCA DO CRISTÃO ORIGINAL

(RÔ Campos)

Enquanto o homem andar na contramão
Enquanto o homem olhar só para a frente
Enquanto o homem alimentar apenas a matéria
Enquanto o homem viver um mundo exterior
Enquanto o homem for um deletério
Enquanto o homem fingir que nada vê
Enquanto o homem maltratar o homem e os animais
Enquanto o homem não respeitar Gaia, sua mãe
Enquanto o homem gozar unicamente dos prazeres carnais
Enquanto o homem não volver os olhos para o espiritual
Enquanto o homem não tornar para dentro de si mesmo
Enquanto o homem não buscar o homem original
Este mundo será apenas este mundo selvagem. Nada mais!
Um mundo que não é dos homens
Um mundo que não é dos animais
Um mundo que não é das flores
Um mundo que é feito de guerras
Um mundo que nunca encontrará a paz.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MEUS ILUSTRE CONVIDADOS: UM ENGRAXATE E UM VENDEDOR DE OVOS DE CODORNA

sustento da família. Um sorriso encantador e de uma delicadeza de me fazer babar. Quase na hora de partir, o segundo (vamos chamá-lo assim), acabou me ensinando uma receita pra deixar o ovo de codorna pra lá de delicioso: pilar bem piladinho a pimenta do reino e misturar ao sal, numa panela levada ao fogo, juntando os ovos de codorna em seguida. Prova de que podemos aprender sempre coisas diferentes, com pessoas que nunca imaginaríamos: sempre alguém tem algo pra nos dar, e vice-versa. Depois, o segundo me disse que quando ele ganha gorjeta, ele compra de si mesmo uma porção de ovos de codorna pra comer (é, porque se não for assim, não dá pra comer os ovinhos, senão o dinheiro arrecadado não é suficiente para o que precisa). Ao final, perguntei do garçon o que havia de sobremesa, ao que me respondeu: picolé. Ofereci aos meus ilustres convidados, ao que declinaram, alegando que não aguentavam mais comer nada. Então, ofereci R$ 2,00 ao segundo, para ele comprar de si mesmo uma porção de ovos de codorna, e R$ 2,00 ao engraxate (que cobra R$ 3,00 por cada engraxada), para que ele fizesse com os R$ 2,00 o que quisesse. Dois casais em mesas distintas, próximas à nossa, olhavam-nos sorrateiramente. Talvez me elogiassem. Talvez me chamassem louca. Não me interessa o que eles pensaram. Tomara que tenham sentido vontade de fazer o mesmo que fiz...e que um dia façam. Eu sei que tive horas bem agradáveis, tão agradáveis que esqueci de tirar uma foto com aquelas duas lindas criaturinhas. Eu sempre tive cá com os meus botões que parece que algumas pessoas vêm a este mundo já com tudo desenhado, não importando que sejam ricas ou pobres: elas serão assim, e pronto. É como se um carimbo fosse estampado em suas almas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

UM BOSTEIRO ESCANDALOSO. UMA VERGONHA!

Na terça-feira passada, saí a passear com um amigo pela night manauara. No final, demos uma paradinha na parte de cima do calçadão do Distrito Industrial, para tomarmos uma cerveja e fecharmos a noite. Sentamo-nos em um bar distante daquele em que estava rolando um forró, apenas para tomarmos uma cerveja, continuarmos o papo e, depois, irmos embora. Apertada, procurei por um banheiro e fui até lá. Era um banheiro com 3 vasos, todos entupidos até o talo de merda, um fedor insuportável. Aquilo ali é um lugar indigno à presença humana. Uma vergonha no calçadão do Distrito Industrial de Manaus, bem em frente à sede da SUFRAMA. Eu, eclética a não poder mais em todas as coisas da minha vida, confesso que sou capaz de transitar entre a melhor casa de Manaus e um boteco na Compensa, na Alvorada, no Bairro da União etc., e que realmente o faço, mas NUNCA ANTES EM MINHA VIDA tinha me deparado com um lugar tão indecente, imundo, imoral, indigno. Fiquei absolutamente boquiaberta com aquele cenário e a me perguntar como é que a SUFRAMA (segundo sei aqueles bares do calçadão são todos propriedade da autarquia, tratando-se de uma concessão pública, algo assim) fecha os olhos para um escândalo desses, no coração do Pólo Industrial de Manaus. E onde está a ANVISA, que vigia tudo menos aquelas pocilgas, um bosteiro total? E 2014 vem aí! Como receberemos turistas do mundo todo com essa imundície, com essa falta de higiene, como um chiqueiro? O quê dirão eles sobre nós, o país que desbancou a Inglaterra no ranking do PIB Mundial, derrubando-a para o 7º lugar e passando a ocupar o 6º, ao constatarem que vivemos em condições deploráveis, sub-humanas, equivalentes à idade da pedra? E as empresas instaladas no Distrito Industrial que também nâo veem nada disso? Não interessa? O staff não frequenta bosteiro e que se dane a ralé?

TRECHOS DO "DIÁRIO DE ANTONIO MARIA" (escritor e compositor pernambucano-1921-1964)

É preciso amar, sabe? Ter-se uma mulher a quem se chegue, como o barco fatigado à sua enseada de retorno. O corpo lasso e confortável, de noite pede um cais. A mulher a quem se chega, exausto e, com a força do cansaço, dá-se o espiritualíssimo amor do corpo..

Como deve ser triste a vida dos homens que têm mulheres de tarde, em apartamentos de chaves emprestadas, nos lençóis dos outros! Como é possível deixar que a pele da amada toque os lençóis dos outros? Quem assim procede (o tom é bíblico e verdadeiro) divide a mulher com o que empresta as chaves..

Para os chamados “grandes homens” a mulher é sempre uma aventura. De tarde, sempre. Aquela mulher que chega se desculpando; e se despe, com todo desgosto, enquanto dura o compromisso. É melhor ser-se um “pequeno homem”..

Amor não tem nada a ver com essas coisas. Amor não é de tarde, a não ser em alguns dias santos. Só é legítimo quando, depois, se pega no sono. E há um complemento venturoso, do qual alguns se descuidam. O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do dever cumprido.

.No mais, tudo é menor. O socialismo, a astrofísica, a especulação imobiliária, a ioga, todo o asceticismo da ioga… Tudo é menor. O homem só tem duas missões importantes: amar e escrever à máquina. Escrever com dois dedos e amar com a vida inteira.

“Às vezes, me sinto muito só. Sem ontem e sem amanhã. Não adianta que haja pessoas em volta de mim. Mesmo as mais queridas. Só se está só ou acompanhado, dentro de si mesmo. Estou muito só hoje. Duas ou três lembranças que me fizeram companhia, desde segunda-feira, eu já gastei. Não creio que, amanhã, aconteça alguma coisa de melhor.”

.

domingo, 15 de janeiro de 2012

LABIRINTOS

(RÔ Campos)

Há uma pergunta que não quer calar.
Está em todos os cantos, presa na garganta,
Solta, à deriva no ar.

Há uma pergunta que te quero perguntar
Para ouvir tu dizeres o que já sei,
O que meu coração não se deixa enganar.
Mas meus olhos, os olhos meus, vendados,
Cegos, me calam.

Há uma pergunta que te quero perguntar.
Sei todas as letras e orações, a frase final.
Eis que, na hora fatal, emudeço,
Esqueço tudo nos teus olhos,
No calor de teus beijos,
Quando me deitas nos teus braços
E me viras do avesso.

Há uma pergunta que não te quero fazer
Para que o vento não me açoite:
O dia seja dia,
A noite seja noite.

Quero abrir a porta desse quarto,
Descobrir o que ele esconde, guarda.
Podem ser apenas lembranças, retratos;
Podem ser também cupins, ratos,
Resquícios de um quadro do passado.

Há uma nascente pululando em meu ventre
Quer brotar, sair, descer as montanhas,
Abrir caminhos, quer ser um rio comprido,
Seguir, seguir, seguir
Sem deixar nada no passado,
Para não ter que voltar um dia...

Há um quê em ti que se esconde,
Que só deixou escapar uma fresta.
Não sei por que te fechas;
Não sei por que tu somes.

Há um quê em ti que intriga:
Ontem, eras tão livre;
Hoje, quase sem rosto.
Ontem, eras uma voz;
Hoje, te calas.
Ontem, eras real
Hoje, palavras.

UMA DECLARAÇÃO DE AMOR

(RÔ Campos)

(poema que compus em homenagem ao meu grande e querido amigo ZECA TORRES, o Torrinho, um dos maiores compositores deste país, que hoje está no berço)

Te amo...Sabes que te amo.
Te amo muito. Muito além do que possas imaginar.
Te amo na tua presença. Te amo quando estás longe.
Te amo quando estás bem. Te amo quando estás triste.
Te amo quando sorris. Te amo quando choras, também.
Te amo muito. Muito além do que possas imaginar.
Te amo quando te aborreces. Te amo quando és feliz.
Te amo nos invernos de nossas vidas. Te amo quando a primavera vem.
Te amo pela tua beleza. Te amo pela feiúra que não tens.
Te amo pela tua alma de artista.
Te amo porque és poeta, que encanta.
Te amo porque cantas o amor. Reduzes a dor.
Te amo porque és celestino, divino.
Te amo...Sabes que te amo.
Te amo muito. Muito além do que possas imaginar.
Te amo de verdade.
Te amo, simplesmente.
Te amo desde sempre.
Eternamente.

sábado, 14 de janeiro de 2012

UM DIA

(RÔ Campos)

Eu sei
Você me segue.
Eu só não sei por que você
Desaparece,
Na estrada do sol,
Nas noites de lua cheia.
Mas quando a chuva cai
Traz você nas asas do vento.

Tento dizer não.
Teço tantas mentiras,
Mas meu coração, perdido,
Não se engana:
Quer te encontrar:
És tu quem me aquece, agora.

Um dia, apenas,
Move toda uma semana.
São as horas em que te espero.
Conto todos os sóis
Conto todas as luas,
Vestida...nua.

E a chuva vem
E traz você de volta.
O telefone toca:
Vinho, música, amor...
Lá se vai mais um dia
Eu e tu, o lobo, a toca.

As horas se vão, também,
E também vamos nós.
Quantos sonhos!
E depois me deixas só.

Um dia, apenas,
A mover toda uma semana.
O telefone toca:
Tento dizer não,
E tudo é sim.
O quê importa nessa hora
Quando o amanhã não há de vir?
Mas o hoje eu te tenho
Vens. Venho.
Até quando? Até quando?

Segundas, terças,
Tudo é novo, de novo.
Te amo. Te beijo
E também me beijas tu.

Esqueço de mim.
De quem esqueces?
De quem te lembras?
Ninguém!
Essas horas são só nossas:
Eu e tu.

Quando a chuva vem,
A noite esfria,
A cama nos aquece.
O meu gozo,
O gozo teu.
O dia amanhece!

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O JOGO DO AMOR

(RÔ Campos)

Ah, esse jogo...esse jogo do amor! Contratei técnico, auxiliar e preparador físico. Recebi todas as orientações técnicas e táticas. Estava preparada e apta a entrar em campo. No momento crucial, desisti da partida, não quis mais entrar no gramado. É que às vezes achamos que estamos fortes e preparados, mas quando entramos no jogo esquecemos todas as regras, nos fragilizamos...e somos vencidos. Outras vezes, vencemos sem sequer o outro entrar em campo. Esse jogo...esse jogo do amor, onde, especula-se, cada um sempre sai vencedor, uma espécie de empate; onde pode haver "zebra", faltas, penalidades máximas, impedimentos, prorrogações, e até mesmo expulsões. Mas nunca haverá um único vencedor. Todos ganham, no jogo do amor, nem que seja experiência para o próximo campeonato. Nem que seja maturidade para reconhecer a sua fragilidade e não entrar no jogo. E quanto mais velhos ficamos, mais experientes, embora não tenhamos mais o vigor dos tempos de juventude. Por isso, já não corremos destabanadamente rumo à pequena área, em busca do gol. Por isso, muito difícilmente chutamos a gol, principalmente à longa distância, do meio do campo, e também quando percebemos que há enormes probabilidades de acertarmos a trave ou lançarmos a bola para fora. Preferimos driblar, permanecer o maior tempo possível na posse da bola. É tudo que nos resta para disputarmos essa partida em condições tão desiguais.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE A SAUDADE E A ETERNIDADE

Cunhei uma frase assim: "Não adianta fugir: as lembranças são um cárcere e a saudade um punhal cravado no peito". E se eu arrancar esse punhal, será que eu corro o risco de morrer? Será que tento? E se eu morrer? Ah - concluí -, se eu morrer vou ficar triste, porque prefiro viver com saudade do que morrer por causa dela. Então, preferi deixar o punhal quietinho no meu peito, com o sangue estancado, e as lágrimas escorrendo no meu rosto, chorando com essa saudade que dói, mas um dia passa, porque tudo passa, tudo o vento leva, tudo o tempo sara.

Mas saudade dói demais! São horinhas que você sente vontade de ter poder, ter uma varinha de condão e dizer: faça o que eu lhe ordeno: Traga alguém pra mim ou me leve pra ele. Faça-me ficar junto dele. Faça-o saber que não importa que ele não tenha lido nas linhas de minhas mãos que eu o teria na minha vida, porque a leitura dele foi equivocada, ou, então, que eu posso, que eu tenho o poder de fazer acontecer a minha vida diferentemente do que está previsto nas linhas de minhas mãos, pois eu faço o meu destino. Tanto é que, sim, eu já o tenho, ou pelo menos o tive na minha vida, e isso jamais irá se apagar, pois já está gravado no éter. Não importa o tempo que dure esse "ter", porque não é o tempo de duração que define. Basta um momento, apenas...e terá sido uma eternidade.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

MÁXIMAS

(RÔ Campos)

A hora é agora
O tempo é hoje
O amanhã é muito longe
A vida não espera
O futuro, uma quimera
A morte é um sentença
O rio se vai pra nunca mais
A chuva cai
O vento tudo leva
A noite se deita
O dia se levanta
A flor que não se rega, fenece
O amor que não se cuida, padece
Viver é um ofício
Amar, uma necessidade
Os olhos são as lentes da alma
A boca, a porta do desejo
O corpo, o templo da volúpia
O ódio é uma serpente
O amor, broto de vida
A ganância, louca, voraz, alucina
A luz alumia o mundo
A tristeza mora ao lado
A vida é um teatro
Abençoada é a natureza
O homem a perverteu.



17.12.09

FRASES E CITAÇÕES

(RÔ Campos)

1. ‎"Eu não quero ser apenas uma página do livro. Eu quero ser o livro todo. Mesmo aquelas partes sacantes. O quê me interessa é o conjunto da obra. Não me contento com fragmentos. Meu negócio é o todo. Verdades e Mentiras. Mas que seja tudo por inteiro.";

2. ‎"Não me venham querer-me um atalho. Pode até ser que chegue mais rápido. Mas não haverá o gozo de um caminho mais longo, com a beleza das margens e a visão do horizonte que se descortina. É como percorrer uma alameda. É disso que gosto: de ser alameda. Atalho fica para os apressados, para os descompromissados com o belo. Eu não tenho pressa de chegar. Prefiro contemplar as delícias que se avizinham no meu itinerário e gozá-las e sorvê-las até a última gota.";

3. "O tempo e a distância são deletérios do amor. O silêncio, a porta do cemitério e o coveiro";

4. "Não adianta fugir. As lembranças são um cárcere e a saudade um punhal encravado no peito";

5. "Música e poesia são os orgasmos da alma";

6. "O desejo é a fonte de todos os males";

7. "O dia é hoje. Amanhã, um de nós pode (e vai) partir";

8. "O dinheiro tudo compra. Só não compra o amor. Porque o amor não é uma mercadoria. O amor não se vende, não se compra. O amor acontece";

9. "Há vida além da morte de nossas ilusões";

10. "Há flores no brejo";

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

SOU LIVRE, LEVE...E SOLTA

(RÔ Campos)

‎Tenho nome, CPF, carteira de identidade, endereço fixo. Portanto, não ouse me jogar na clandestinidade. Nasci nua, estou vestida. Me achaste na rua, mas tenho casa, que, aliás, não é minha, pois me vou embora um dia e ela aqui ficará. Me abordaste tão de repente! Era noite, mas não havia escuridão em mim, que sou luz - sempre! Fiquei feliz...e isso te disse. Me fizeste um convite, ao qual declinei. Me lembrei dos perigos desta vida. Dias depois me procuraste...e eu estava em paz quando chegaste. Fui feliz até demais. Pedi pra que aquelas horas não passassem. Meu pedido foi aceito. Vivem elas hoje intensamente em minhas memórias. Mas depois fui percebendo que nem tudo era verdade. Há um único hiato entre nós dois... E ele me basta. Não sei viver escondida, algemada. Quero correr mundo, e não posso fazê-lo acorrentada. Sou livre. E disse o grande poeta que "o amor só dura em liberdade". Quanto a ti, não podes viver assim, nessa ambiguidade: (mulher) ame-a ou deixe-a...Um novo amor pode estar ali, na primeira esquina. Por isso, migalhas, eu as dispenso. Quero sempre estar disponível para um banquete.

sábado, 7 de janeiro de 2012

UM POETA É UM POETA É UM POETA!

Hoje eu estou com uma preguiça danada, e ao mesmo tempo com vontade de escrever, mas não poemas. Quero dar pitaco em algumas coisas. Deixe-me ver se consigo pelo menos falar sobre uns poucos "causos" que desenhei em minha mente nessa madrugada insone. Pra começo de assunto, antes que alguém me cutuque e fale que disse asneira em um comentário que fiz ontem, em post de minha autoria, quando citei que li Sócrates, eu sei, ele não escreveu nada. Mas li sobre Sócrates. "O Julgamento de Sócrates" (de minha coleção "Os grandes (ou maiores, sei lá) Julgamentos da Humanidade" e "Apologia de Sócrates", por Platão e Xenofontes).

Um tempo desses, ao final de uma noite de domingo no ET BAR, um grande músico amazonense amigo meu, conversando comigo, disse-me assim: mas você, na poesia, não teve nenhuma influência de escritores daqui, como Thiago de Melo. Disse-lhe que não. Não sou uma apreciadora de Thiago de Melo. Dele, só conheço um pouco do Estatuto do Homem. Há algo em sua aura que não se casa com o meu espírito. Um dia desses, postei um texto aqui no Face e no meu blog www.rocampossobretodasascoisas.blogspot.com, sobre a alma de poeta. Disse, dentre outras coisas, que um poeta não deve se prestar aos serviços da política nem tampouco imiscuir-se nessa senda. Declarei, também, que não acredito em um poeta que usa a sua pena para atender a uma encomenda, porque a poesia não tem hora marcada e nem atende a pedidos externos.

Não faz muito tempo, Thiago de Melo emprestou sua imagem (com ou sem auferir cachês, não sei e nem me diz respeito) à uma campanha política aqui na nossa cidade. Igualzinho acabou fazendo Chico (Buarque), na última campanha presidencial, à então candidata Dilma Rouseff, escandalizando a todos os seus incontáveis fãs, dentre eles, obviamente, euzinha aqui. Mas, no caso de Chico, não dá pra pegar toda a sua maravilhosa e extensa obra e jogar pela janela. Fico parecendo mais aquela mulher traída, que perdoa o parceiro e prossegue convivendo com ele, a despeito de um deslize quase imperdoável.

Para finalizar, dois grandes amigos meus, artistas amazonenses reconhecidos, relataram-me situações insólitas em que se enrederam com Thiago de Melo, que, a meu ver - e no deles também - denotaram uma certa soberba. E um poeta é um poeta. Simplesmente.

Longe de mim desqualificar a obra de Thiago de Melo, e essa não é a minha intenção. O que quero dizer (aliás, já disse), é que minha alma não se afinou com a alma dele. Ponto. Ao contrário, na literatura local, minha alma se deixa seduzir abundantemente pela pena de Marcio Souza, Milton Hatoum, Tenório Telles e João Cândido (o Candinho, da dupla Candinho & Inês), respeitado compositor e poeta, o qual foi um dos três vencedores do Prêmio Manaus E Poesia, promovido pela Academia Amazonense de Letras, tanto em sua primeira edição em 2010, quanto ano passado. Eu tive o prazer de participar da primeira edição, com dois poemas: MESTIÇA e SUANAM, e o meu prêmio foi exatamente haver participado desse importante evento para as letras do nosso Amazonas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

I HAVE A DREAM! (MARTIN LUTHER KING)

I have a dream! (Eu tenho um sonho, disse Marthin Luther King). E o meu sonho é que as pessoas se libertem de impostores, exploradores, sanguessugas, dominadores. Que encontrem a chave da porta do conhecimento. E isso só se alcança com muita leitura, e com a disposição do homem para livrar-se das algemas, do medo que lhe impuseram desde sempre de ao menos pensar, cogitar, supor outras possibilidades. A Igreja disse e repete que o homem comete pecados por pensamentos, palavras e obras. Aí o cara morre de medo de ao menos pensar. Fecha-se em seu mundo, com todas as suas incertezas e dúvidas. Teme abrir a boca e ser considerado maldito, não merecedor de viver. Teme ser castigado por uma entidade que o homem esculpiu com palavras. E muitas vezes nem chega a temer a sentença do próprio homem, do juiz, por exemplo, que é de carne e osso, e em tese exequível. Um magistrado é igual a ele. Ele sabe de onde vem essa sentença, e, mesmo que não mereça, ele pode recorrer. Mas a sentença hipotética desse Deus forjado por impostores e mercadores da fé, essa sim, causa-lhe calafrios, e puseram-lhe goela adentro que ela é irrecorrível. Haverá o juízo final! Atreva-se a dar um livro de Nietzsche de presente para alguém que, mesmo sem professar, diga-se católico. Eu já trazia muita coisa sobre isso, que me foi passada por meu pai, um sujeito muito simples, mas evoluidíssimo. Depois que passei a ler Nietzsche, e abri meu coração e minha mente para essa leitura, sem medo de ser feliz, buscando, indagando, refletindo, juro que me tornei uma pessoa melhor, com melhor compreensão das pessoas e do mundo. Concomitantemente a Nietzsche, também li Elogio da Loucura, de Erasmo de Roterdam, e os Ensaios de Montagne. Finalmente, A Origem das Espécies, de Darwin (que nem terminei de ler, pois um ex me levou e nunca mais me devolveu). Esses livros formam a minha base, o meu alicerce. Depois vieram outros: Jean Jacques Russeau, Voltaire, Sócrates, Santo Agostinho, vários do Espiritismo, a Perestroika, a Bíblia, o Alcorão (que até hoje tenho em minha biblioteca),livretos do Rosacruz. Aí vieram os romances e outros: Jorge Amado, José de Alencar, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Marcio Souza etc.etc..e recentemente Milton Hatoum. E as poesias: Camões, Pablo Neruda, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Wal Whitman, Maiakovski, Ferreira Gulart etc. Frequentei a Igreja Católica (fiz, inclusive, a primeira comunhão e chequei a batizar meus filhos, cumprindo uma convenção, diga-se de passagem). Fiz promessas a santos, fui devota de São Sebastião e Santo Antonio, participando, durante vários anos, das procissões). Frequentei também, terreiros de umbanda, o Espiritismo (minha família sempre foi Espírita Kardecista, desde a minha avó paterna e minha bisavó materna), fui a alguns eventos na Igreja Batista, a convite de uma amiga, frequentei a Seicho-no-iê (acho que é assim que se escreve). No campo da música, já ouvi de tudo. No passado, comprei tanta porcaria, que até eu duvido hoje. Mas aí é que encontrei a lapidação. A quem é dado conhecer o que é bom jamais vai querer o ruim. A humanidade evolui, sempre! Moral da história: nunca me fechei pra nada na vida. Além de ser eclética em absolutamente tudo, sou uma eterna curiosa. E aprendi com meu segundo pai essa lição: já que não sabemos de onde viemos, para onde vamos, se existe vida após a morte, o melhor que temos que fazer é viver a vida, fazendo o bem, sem olhar a quem, porque, se houver outro mundo, nós seremos bem recebidos lá. Se não, teremos sido bons, teremos amado, teremos vivido. É assim que eu venho procurando fazer. E, graças a meu Deus, que vive dentro de mim, sou feliz, assim!!!

domingo, 1 de janeiro de 2012

ONDE ESTAVAS TU, SENHOR?

(RÔ CAMPOS)

Nenhuma folha cai
Nenhuma
Qualquer folha que caia
Qualquer
Nenhuma folha cai
Nenhuma
Qualquer folha que caia
Cai
(Dizem, dizem
Repetem como um mantra)
Sem que Ele permita.

Mas o papa perguntou
Ao chegar em Auschwitz
Sobibor, algo assim...
- Onde tu estavas, Senhor?
Madre Tereza de Calcutá
Também duvidou
E fico eu a indagar:
Onde estavas Tu, Senhor
Quando aquele monstro
Estuprador
Tomou aquela criança
(Cinco aninhos!)
Abusou
Matou?

Onde estavas Tu, Senhor
Que os gritos dela ninguém ouviu
Que os gemidos dela não se escutou
Que ninguém passou por perto
Que ninguém a salvou
Das mãos daquele monstro
Perverso
Doente
Estuprador?

Onde estavas Tu, Senhor?

(Hora de voltar à realidade. Há uma semana, 10 dias, algo assim, aconteceu esse episório chocante com uma criança (dizem os jornais, de 5 anos de idade; meu sobrinho, que mora no mesmo bairro, afirma que a criança tinha apenas 2 aninhos). Um monstro a levou, sem que ninguém visse. No dia seguinte, ou 2 dias depois, seu corpinho foi encontrado. Havia sinais de que ela tinha sido abusada e cruelmente assassinada. Queria escrever sobre isso, quando, de repente, Diego, 24 anos, um campeão, que eu vi nascer, cheio de sonhos, é brutalmente assassinado à frente de sua casa, um dia após o Natal. Tudo misturou-se em minha mente. Agora, que acordo e me ponho a refletir sobre a vida, e sobre a capacidade das pessoas infelizes semearem a discórdia (o quê aconteceu ontem na casa de minha mãe, por conta de um espírito rude de uma irmã nossa, e que, contrariando a Ciência, parece que involui), um quê de melancolia me atravessa a alma e me faz escrever, escrever, escrever, e perguntar, como o próprio papa atual o fez quando chegou a um campo de concentração nazista, sobre onde estava Deus, já que tudo aquilo aconteceu. Madre Tereza de Calcutá, ela, doce a não mais poder, que o amor espalhou pela terra, várias vezes chegou a duvidar. Uma prova de que a certeza não é deste mundo. Duvide sempre de quem tem certeza. Sábio é duvidar, perscrutar, indagar, buscar...e, ainda assim, amar, sobretudo).