domingo, 6 de junho de 2010

MEU TEMPO É SEMPRE

Um poema com versos livres que contesta a afirmação de que há um tempo para tudo, porque o tempo é sempre. Que não importa quão experientes e maduros sejamos: o amor será sempre uma semente, um broto, enquanto houver um coração menino. Que entende que o tempo não escuta; ele fala. E o coração pulsa.
E eu, vou seguindo, vou amando, vou vivendo, finalizando a compilação dos meus poemas para editar, muito brevemente, meu primeiro livro, cujo título será Inquietude.(Veio-me a ideia com o Desassossego,de Fernando Pessoa). Os poemas, escritos ao longo dos últimos 25 anos, tratam, é claro, das questões mundiais que me incomodam, inquietam minha alma, como as guerras, o preconceito, a submissão do homem, a arrogância, a injustiça social, o desamor, a impiedade, a intolerância e o egoísmo, dentre outras. Em seguida, publicarei outros dois, que também já estão totalmente reunidos, passando por uma revisão. Esses dois têm uma estreita conexão um com o outro: "Alumbramento" e "Amoricídio". Alumbramento traz as sensações, sentimentos e alegrias que nos causam o amor, seja o universal, seja aquele entre duas pessoas. Alumbramento, então, é um estado de espírito provocado por um coração que ama e, portanto, transborda, deslumbra-se. Amoricídio é uma palavra que não encontrei no dicionário. Eu a cunhei. Será que alguém adivinha o que significa? Respondam-me, se interessar possa. Boa semana.





MEU TEMPO É SEMPRE


Disseram-me outro dia acerca de mim
De como eu deveria ter sido no meu tempo
Se hoje eu sou juventude...
Respondi que meu tempo é sempre
Que não importa o tempo dito, passado, presente, por vir
Sempre é tempo. O tempo é sempre.
E essas coisas que se dizem experiência, maturidade,
Não, elas não nos tiram do tempo,
Porque o tempo é todo tempo
Porque amar é sempre
Pra quem já viveu
Pra quem já amou e sofreu
Pra quem ganhou, pra quem perdeu
Pra quem pediu, para quem se deu.
E o amor - ele não conta os grãos de areia
Nem se amedronta com a névoa do mau tempo
Centelha é o que conta
No coração que há de ser sempre menino,
Todo o tempo.
Que se encanta, porque canta a vida.
Porque o tempo não escuta. O tempo fala.
O coração pulsa.

Meus olhos já não alcançam a distância
Minhas mãos já não são tão firmes
Meus passos titubeiam
Meus ouvidos se conturbam
Minha memória se confunde
Tudo vai aos poucos com o tempo
O tempo que tudo leva
Só não leva o meu coração, menino
Ele, que dita o meu tempo, que é sempre
Um coração que palpita, bate
Esse coração, desarrazoado
Que é sempre infância, juventude, maturidade
Que é todo tempo
Que não tem idade.

RÔ CAMPOS - 07/06/2010)

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