quinta-feira, 13 de outubro de 2022

DIVAGAÇÕES DE RÔ CAMPOS SOBRE POSTAGENS NAS REDES SOCIAIS

(RÔ Campos)


Não adianta nada ficar pedindo aqui para os santos protegerem o Brasil,  não. Porque é  um trabalho danado, muita gente destrambelhada pra pouco santo,   e eles não vão dar conta de tantas armas nas mãos de tanta gente com ódio no coração.

Ponham uma coisa na cabeça: só o amor salva. Não é  isso que diz o primeiro mandamento das leis de Deus?:

"Amai a Deus sobre todas as coisas e ao seu próximo como a si mesmo". 

Mas como aplicar esse mandamento,  meu Padim Pade Cíço,  se esse povo não sabe nem o que é  amar a si próprio, nem ao seu irmão de sangue,  que está mais próximo, que dirá a quem está ali na esquina,  moribundo,  com fome e sede, exclusive de viver, porque vida não há mais.

FILHO DO AMOR

 

(RÔ Campos)


Vem aqui,  filho meu.

Quero te dizer, antes que te molestem:

Vieste na hora exata.

Pois eu nem mais sonhava.

Escuta a voz do coração.

Porque quando o coração  fala

Toda a maldade se cala. 

Quando se é  filho do amor,

Nenhum valor tem

O sangue que corre nas veias;

O mesmo sangue daquele

Que um dia te abandonou. 

Sou teu pai, meu anjo bom. 

És  tu meu filho,

O filho do amor.

MOÇA BONITA


(RÔ Campos)


Moça bonita

De costas pro mar

Não és mulher

De por menos chorar.


Moça bonita

Ninguém acredita

Que de tanto ser forte

Ainda vive a sonhar. 


Moça bonita

De sorriso  brejeiro

Teu jeito criança 

É canção de ninar.


Moça  bonita

Olhos de estrela

Minha boca na tua

Sob a luz do luar.







UM NORDESTINO EM NÓS

RÔ Campos


Há um  tantinho de um Nordestino vivendo em cada um de nós.

Mas nenhum de nós tem a força,  a graça,  a resiliência, a fé e os sonhos do Nordestino. 

Até na dor o Nordestino não se dobra.

Porque é  na dor que ele se fortalece.

É  na fome que ele se agiganta, pondo-se a andar pelo mundo,  sol a pino, como um retirante a vagar,  mas na mente um destino traçado: a graça de encontrar um tanto de terra e água pra modo se aconchegar. Um dia,  sem nem saber quando,  pra sua terra haverá de voltar. 

Por isso o Nordestino é  tão espicaçado.

A Fortaleza daquele ser tido  como bruto, tosco, a Fortaleza incomoda  os invejosos,  os inescrupulosos, os soberbos - coitados! tão fracos.

sábado, 18 de junho de 2022

NÃO SEI DIVIDIR

 

(RÔ Campos)


Se hoje não chover,  o sol vai aparecer

Se a lua  não sair,  a noite vai escurecer

Se você partir, eu vou ficar sozinha aqui

Se você ficar,  eu serei feliz assim. 


Mas,  se acaso  eu descobrir

Que você me enganou por aí

O tempo vai fechar

Eu não vou te perdoar

Não sou de dividir nada com ninguém

Meu negócio é  multiplicar.

terça-feira, 7 de junho de 2022

DESERTOS


(RÔ Campos)


Dos meus desertos só eu sei 

No escuro do meu quarto. 

Dos desertos alheios, 

Esse  saber não  me foi dado. 


A memória vai longe,

E ainda  me lembro bem

Dos desertos que vivi:

De dia,  o sol inclemente a me fustigar,

E, de noite,   o vento soprando forte,  gemendo,  chorando, a me açoitar.


Sede e fome. Solidão.  Medo. 

Sem perder a esperança...Jamais!


Felizmente, um dia,  como sói  ser em todos os desertos,  

E com todos aqueles que creem na vida,

Avistei um oásis...

sábado, 4 de junho de 2022

A MORTE DO FUTURO


(RÔ Campos)


A tua  dor não é  a minha dor,

A dor é  de cada um.

Mas sinto frio ao pensar na tua dor,

Que deve ser como um um punhal quente que arde e doi  e sangra,

E lentamente vai  dilacerando o peito e a alma. 


Sim,  eu sinto como deve ser esse vazio,

Esse sentimento que vai penetrando  aos poucos e tudo o  que  encontra é  oco.


A partida é  sempre o inverso  da chegada.

(Naquela,  é  dor.  Nesta,  é  riso).


Condenas  o tempo pela tua dor.

Mas o que é  o tempo senão o passar de tudo?


Esse mesmo tempo que hoje condenas com a frieza d'alma  que temporariamente  te habita,

É  o tempo que amanhã te libertará,

Mesmo deixando as marcas indeléveis  da pena que te foi imposta. 


Vaticino: Te encontrarás,  amor,  no  tempo verbal futuro do futuro.

Mas me respondes que o futuro é  uma quimera. 

E  que,   hoje, não mais há futuro do presente, pois o próprio presente jaz, dormindo o sono eterno. 

E o futuro do passado se foi, levado bruscamente pela intempérie. 


Tempo! Tempo! Tempo!Tempo!