terça-feira, 31 de janeiro de 2023

INGRATIDÃO

 

(RÔ Campos)


A ingratidão é  uma fera

Que corrói e dilacera.

A ingratidão é  a mãe de todas as mazelas

Que consomem o coração de quem por outros zela.

A ingratidão é  uma lança comprida,

Cravada no peito do benfeitor, por quem tem memória curta.

A ingratidão é qualquer coisa, Qualquer nada, Qualquer lixo,

Todo o lixo,

O lixo do ingrato.


#rocampossobretodasascoisas

#rocampospoesia


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

NADA

(RÔ Campos)


Foi-se um ano. Parece que foi ontem.

E, ao mesmo tempo, é como se fosse uma eternidade. 

Fomos tanto quando estávamos juntos, que éramos apenas um. Hoje, separados, somos dois. 

Tu - eu não sei mais quem és, nem por onde andas. 

Eu - sozinha, aqui, parada, procurando  nossa estrela no céu nublado, da janela do meu quarto...não sou  nada.

*21.12.2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

CORA, COVARDIA!

(RÔ Campos)


Coragem é lutar sem armas. Covardia é se armar até os dentes.

Coragem é ter medo do escuro. Covardia é usar máscara à luz do dia.

Coragem é se jogar no desconhecido, buscando ser feliz. Covardia é se trancar, pelo medo de amar.

Coragem é abrir a porta, sem saber a quem. Covardia é se fechar, com receio de ninguém.

Coragem é dizer não, ser leal. Covardia é dizer sim, e mentir.

Coragem é sorrir, quando o coração sangra. Covardia é chorar, quando se tem a alma fria.

Coragem é ficar, se o amor partir. Covardia é sair, se o amor entrar.

Coragem é ser covarde, e proteger a vida. Covardia é ter coragem de embalar a morte.

Coragem é fugir da guerra, do ódio, desertar . Covardia é abrir trincheiras.

Coragem é parir, sem temer o porvir. Covardia é matar, quem não se pode defender.

Coragem é a covardia de deixar ir. Covardia é a coragem de não pedir pra ficar.

*02.12.2011

DO QUE EU PRECISO


(RÔ Campos)


O que será que há

Por trás daquele velho muro? 

O que será que se esconde

Dentro daquele quarto escuro? 

O que será que procuro

No breu da noite

Se há tanta luz no meu caminho? 

Por que tantos porquês

Se tudo o que eu preciso

É de motivos pra  viver? 

Mas por que tantos motivos

Se a vida é tão simples e cara e rara? 

Se tudo o que eu preciso

É de coragem  pra  viver...

*02.12.2015

quarta-feira, 30 de novembro de 2022

ABAIXO DO CÉU AZUL


(RÔ Campos)


Atrás dessa bela paisagem se esconde o cáos, a miséria humana. 


Atrás do verde (da floresta) amarelo (do ouro), vermelho (do sangue, da fraternidade) e branco (da paz), tudo é cinza.


Atrás desse colorido todo, não há cor. Tudo é dor. 


Atrás de toda essa arte, de toda uma emoção expressada com a tinta e o pincel, tudo o que se pinta é a desgraça humana.


Abaixo desse céu azul, que parece nos guardar a todos, há homens e homens que n'algum dia foram homens, e hoje não são homem algum. São arremedo de qualquer coisa. 

Pois o homem que perde a sua dignidade... é homem nenhum.


(Acabei de escrever esse texto logo após ver as fotos que um amigo  postou no Facebook, alusivas a vários locais de Manaus, praças etc. Uma delas retrata aquele pedaço do Prosamim, onde está a ponte dos ingleses e a linda arte com pintura feita na parede externa da Cadeia Pública Vidal Pessoa, cheia de muitas cores, vibrantes (20.06.2011)

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

DEUS. ONDE VOCÊ SE ESCONDEU?

 

(RÔ Campos)


Eu não sei onde foi morar a paixão.

Eu não sei onde se enfiou meu irmão. 

Eu não sei  quem desfez minha casa,  roubou meu amigo.

Eu não sei  mais viver no perigo

Que ronda a nossa nação. 


Eu não sei mais aonde vai dar esse estado de coisas.

Eu não sei se vou acordar.

Se o sol vai aparecer.

Se a polícia vai nos proteger.

Se o galo ainda vai cantar.

Se o padre a missa amanhã vai rezar.

Se o menino de pés no chão sabe o que é  sonhar. 


Eu não sei como tudo começou.

Nem como isso tudo vai terminar.

Eu não sei se aquela criança 

Que brinca de roda, ciranda,

A menina que ainda usa trança,

Sequer vai crescer. 


Eu não sei se o amanhã vai chegar.

Se o trem na estação vai parar.

Se vamos conseguir sobreviver

A tanto ódio no olhar,

A tanta fúria  no coração,

À essa incúria que mata,

Ao medo que nos impingem.


Eu não sei mais o que é  sonhar.

E a minha fé,  onde está?

Tá tudo tão cinza,  agora.

Tento rebuscar a memória .

Suplico ao sobrenatural.

Nada mais aqui é  normal.

Tudo parece um hospício.

A violência já tem outro nome.


Todos estão surdos!


Eu não sei se o socorro virá .

Estão todos perdendo  a razão.

Até mesmo os que se dizem cristãos.

Querem o povo com armas nas mãos,

Com licença pra matar,  sem perdão.


Tanta gente morrendo de fome!

Indigentes nas ruas com frio!

Aonde vai parar o Brasil?


Eu não sei mais o que é  sorrir.

A tristeza vive a me açoitar.

Meu amigo já não posso mais abraçar. 

Essa dor no meu peito que não quer me deixar.


Eu não sei o que ainda está por vir.

Sinto no coração mau agouro.

O mal vive a zombar de mim 

Os cães vadios raivosos se multiplicam a cada dia.

E estão  a nos espreitar nas esquinas escuras.

No primeiro vacilo querem nos devorar.


Eu não sei aonde a razão  foi morar...


Eu não sei cadê Cristo.

E esse "Deus acima de todos"?

Que deus  da guerra é  esse?

Cadê  as Boas Novas? 

Quando Cristo vai voltar para destronar a besta-fera?

Ou será Cristo mais uma vez crucificado para redimir o bicho homem dos seus pecados?


Onde se escondeu o Deus do amor, da paz?

"Deus está morto"!?

terça-feira, 25 de outubro de 2022

EU AINDA VEJO FLORES...

 

(RÔ Campos)


Tantas palavras em vão,

No vão da porta que se fecha,

No vácuo que se abre,

No clarão da tua estupidez·


Para essa tua cegueira,

Procuro te mostrar algumas coisas que vi, que sei.

Mas tu nunca sabes, 

Nunca vês,

Cegado sempre pela mentira da vez. 


Para essa tua ausência de uma nobreza tal,

Só me resta o meu silêncio, a luta,

Para escaparmos  desse umbral.


Dizes que é dia, Quando a noite cobre o céu·

Que não há dor nem fome

Na cabeça e na boca do homem·

Mas  eu então  te replico:

Só a comida não sacia a sede e a fome de viver·


"Vem, vamos embora que esperar não é  saber,

Quem sabe faz a hora

não espera  acontecer".


"Vem, vamos embora que esperar não é  saber, 

Quem sabe faz a hora não espera acontecer".