segunda-feira, 17 de agosto de 2020
OUTRA VIAGEM
(RÔ Campos)
Eu já conheço o que sopra o vento
De onde vem quando é frio ou quente
Eu já ouvi muitas vezes as vozes do silêncio
E o grito que ecoa da boca de muitos inocentes.
Eu já pisei sobre ferro e fogo
Já me feri até com espinhos mortos
Muito já plantei e também colhi
Algumas vezes, amizades; outras tantas, tempestade.
Aproxima-se o início da caminhada
Que agora me leva ao fim da estrada
Pode ser cedo ainda ou - quem sabe? - tarde
Mas é o começo de outra viagem.
Já não levo nada em minhas mãos
Vou seguindo com as pernas trôpegas
No pensamento um livro inteiro
E na bagagem minhas memórias.
domingo, 9 de agosto de 2020
MÚSICA
MÚSICA
(RÔ Campos)
És a sobremesa da alma
Quem me nina, me embala
Me faz desvendar o "ser"
A mulher e a menina
Rima da minha vida
Tudo o que há em mim.
E nessa geografia de sonhos
Entre repiques de sinos e badalos
Atravesso planícies
Venço a fúria de mares
Alcanço o píncaro.
É o apogeu de minh'alma
Dantes inquieta, sem calma.
Nesse Banquete Divinal
(Desígnio Celeste!),
Presidido por nove Musas, Deusas inspiradoras
És absolutamente inexprimível mediante palavras.
Cândida melodia!
Como um frisante embriagador
Tocas fundo o meu âmago
Que se harmoniza e se esbalda.
Brindas ao senhoril e ao pobre
És singela e nobre.
Cântico dos Cânticos!
Apoteose de Deus na avenida da vida.
quinta-feira, 6 de agosto de 2020
VOZES DO SILÊNCIO
(RÔ Campos)
Quantos silêncios ouvi quando caía o orvalho, tal como uma lágrima furtiva!
Eram multidões caladas, falando, gritando
Como falam as estrelas cadentes na calada da noite
Aos olhos insones dos homens que vagam pela madrugada à procura de uma porta de saída...
(Quanto mais se sobe os degraus da insensatez maior é a queda).
Eles perguntam à escuridão por que a lua se escondeu, mas a escuridão se cala
A voz que então se ouve é a voz das estrelas candentes brilhando no céu infinito, feito bailarinas dançando na ribalta celestial, como a zombar da dor dos notívagos, esses zumbis perdidos que marcham sem saber para onde...
Quantos silêncios ouvi quando caía o orvalho, tal como uma lágrima furtiva!
Eram multidões caladas, falando, gritando
Como falam as estrelas cadentes na calada da noite
Aos olhos insones dos homens que vagam pela madrugada à procura de uma porta de saída...
(Quanto mais se sobe os degraus da insensatez maior é a queda).
Eles perguntam à escuridão por que a lua se escondeu, mas a escuridão se cala
A voz que então se ouve é a voz das estrelas candentes brilhando no céu infinito, feito bailarinas dançando na ribalta celestial, como a zombar da dor dos notívagos, esses zumbis perdidos que marcham sem saber para onde...
terça-feira, 28 de julho de 2020
ACERCA DA PAZ
Atrás de todo muro é tudo muito escuro· A guerra é vermelha, sob um céu cinza· A paz é branca· Toda paz já conheceu algum muro· Nenhuma paz se alcança sem que se derrube o muro···da intolerância e da vergonha·
(
segunda-feira, 27 de julho de 2020
ÀS VEZES
Às vezes não conhecemos os segredos de nossa própria alma.
Às vezes amamos alguém, e nem sabemos que estamos amando.
Às vezes saímos errando por aí, e nem sabemos que erramos.
Às vezes bem que poderíamos falar menos e ouvir mais, mergulhar no mais profundo do nosso ser.
Talvez, aí, encontremos algum tesouro...
QUEM DE NÓS
(RÔ Campos)
Quem de nós pode dizer que o tempo não tem razão?
Quem de nós pode fugir das teias do tempo?
Quem de nós já não deu tempo ao tempo?
Quem de nós já não voltou no tempo ou não tentou ir além dele?
Quem de nós não desejou, ao menos um dia, que o tempo passasse ligeiro, ou que o tempo parasse no tempo?
Quem de nós não acreditou que o tempo é o senhor de tudo? De todas as verdades e de todas as mentiras?
Quem de nós não jogou nas mãos do tempo todos os seus sonhos?
Quem de nós não esperou no tempo a cura?
Quem de nós irá negar que o tempo não tem pernas, mas anda,
Não tem asas, mas voa,
Não tem boca, mas fala,
Não é juiz, mas condena,
Não é Deus, mas liberta?
GRITOS DO SILÊNCIO
(RÔ Campos)
Nesta hora, em que a manhã já bateu pernas e corre o mundo,
Queria te dizer, a ti somente,
(Ainda que intrusos se metam a querer entender),
Que o imenso mar que nos separa
É também deserto, onde o vento sopra forte.
E as batidas na porta muito me dizem de ti, tão longe, tão distante, mas tão perto do meu lembrar, do meu existir...
O que dizer, então, do teu silêncio, mestre das palavras, dissecador de almas, neste dia de hoje, do escrevinhador, do latifundiário de vastos e áridos territórios sedentos do saber?
Ora, teu silêncio fala muito mais que mil palavras. Teu silêncio grita a tua solidão, a tua vergonha, a tua ressaca.
Mas as tuas letras combinadas, as tuas palavras, frases soltas e ou inteiras, elas me dizem da tua embriaguez...
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