domingo, 16 de maio de 2021

SOBRE AS VIAGENS PARA DENTRO DE SI MESMO

 "Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer." Foi justamente isso que disse John Powell. E, assim, muito mais do que tentar decifrar a fala das pessoas, eu viajo nesse mundo das palavras que nunca foram ditas. Muitas vezes os olhos...os olhos dizem muito. Mas há também olhares oblíquos, como Machado desenhou os de Capitu, por exemplo.

Então...vou continuar como uma apanhadora de sonhos, colhedora de palavras não ditas, buscando ruídos no silêncio da boca, tentando compreender os  que se calam,  os que se recolhem para dentro de si mesmos,  muitas vezes na vã tentativa de se defender  do mundo exterior.


segunda-feira, 3 de maio de 2021

GATA DE RUA

(RÔ Campos)


Gata de rua

Escala muro

Pula muro

Corre mundo

Sem cansar. 


Gata de rua

Ligeira

Precisa

Não tem medo do escuro

Nem do clarão do luar.


Gata de rua

Garra afiada

Olhos de lince 

Nunca se perde

E sabe como voltar. 


Gata de rua 

Geralmente vive  sozinha

É  chegada a um carinho 

Mas se alguém lhe pisa o rabo

Sabe, como ninguém, arranhar.

SINA

 

(RÔ Campos)


O destino não tem sido bom contigo.

Eu sei.

Noto em teu sorriso amarelo, forçado,  

No olhar perdido e semblante triste.

Vejo também em teus cabelos brancos,  desgrenhados.


Tens o coração partido,

Pelos filhos que deixaste para trás a serviço de teus planos.

(Quanto egoísmo!)

Hoje a vida te cobra pelo ato insano,

E então te dás  conta de que na estrada da vida não há retorno.

Apenas recomeço, do ponto em que te encontras,

Levando contigo a mala das tuas culpas.

DEUS TE GUARDE!

 

(RÔ Campos)


Menino,  que loucura é  essa?

O que foi que te deu  na cabeça

Largando da vida tão de repente 

Se agarrando  depressa com a morte?


Diz pra mim que não sabe o que aconteceu

Quem sabe talvez depois de uns tragos perdeu a cabeça e a loucura bateu. 


Ainda me lembro não faz tanto tempo

Que eu  te vi por aí  vivendo ao leu

Estavas perdido nos labirintos do teu coração já cansado

Tentando achar uma saída pra desilusão. 


Porém te afirmo  com todas as letras

Já passou da hora,  esfria  a cabeça

Não te entregas pra morte que a vida é  beleza

Não faz sentido nenhum desistir

Deixa  ir embora  essa sofreguidão.


Você fala que não vale a pena viver

Que bobagem tamanha presta atenção no que vou  te dizer:

Na  estrada da vida já temos certeza que nada é  pra sempre e pra cada  dor um novo amor haverá de nascer.

Mas  se com tuas próprias mãos abrevias a tua passagem,   do outro lado sabe-se lá o que hás  de encontrar.

E aí,  meu amigo, Deus te guarde!

Será tarde demais não dá  mais pra voltar.

domingo, 18 de abril de 2021

INFINITO AMOR

Bem te vi,  Beija flor

Meu jardim floreou

Um botão se abriu

Uma Rosa nasceu

Meu amor,  nosso amor

Nosso amor floresceu. 


Bem te vi,  Beija flor

Me levou pra cantar 

O amor pra você

Pra você,  meu amor. 


Seja lá onde for

Seja lá como for

Ser feliz com você

É  o que quero

É  o que vou.


Não há sombras nem dor

Nem abismo ou fronteiras

Nosso céu,  meu amor

É  cravejado de estrelas.

E POR FALAR EM SAUDADE


Hoje ela chegou cedo

Nem bateu à  porta

Entrou ligeiro no quarto, na cozinha 

Sem dar um pio, sem dizer nada. 


Ah! Essa saudade danada

Das coisas simples

Das coisas nossas

Do abraço amigo

Do sorriso franco.


Abro  a janela

Vejo o sol lá fora

Querendo sair

E a saudade,  aqui dentro

Querendo ficar...


Texto aleatorio sobre Divagações

 É  muito bom viver uma vida tranquila, navegar em águas calmas,   mas o que vale mesmo é  a luta, tudo é  muito mais saboroso. Desde sempre,  fui dada às  batalhas da vida.  Nunca consegui nada que não fosse duramente conquistado.

Não faz nenhum sentido viver em um suposto mar de rosas se em contrapartida se perde a naturalidade. É  duro nadar contra  a correnteza, requer muita força bruta,  é  uma batalha árdua  contra a natureza das coisas.  E mais duro  ainda  é  deixar de agir naturalmente,  ter que  calcular cada passo, cada centímetro. Todos nós temos uma essência.  E essa essência necessariamente deve  ser respeitada,  sob pena de perdermos o equilíbrio,  tendo como causa a desarmonia entre o espírito e a matéria.  

Minha essência é  muito sensível,  sutil.  E só se mantém  (praticamente)  intacta se permanecer diuturnamente na luta, sem medo do escuro,   se correr mundo,  pegar na enxada,  enfrentar  sol a pino,  enchacar-se com a água da chuva,  varar a madrugada,  dormir e acordar a hora que quiser,  sair para onde for,  voltar quando melhor me aprouver,  de preferência quando puder ver o sol nascer...Tudo isso sem,  no entanto,  perder a ternura jamais. 

Agir calculadamente me deprime. Fingir que está tudo bem me sufoca.


Divagações de RÔ  Campos neste domingo chuvoso de abril.