sexta-feira, 4 de outubro de 2019
DEPOIS DA CHUVA
(RÔ Campos)
Há dias bons e outros...Nem tanto.
Mas toda vez que chove é assim:
A gente escarafuncha tudo,
Cutuca feridas, mexe, remexe,
Sobe, desce, puxa daqui, puxa dali,
Abre gavetas, escancara portas,
Sente cheiros de naftalina,
O vento tocando a face.
Passa um filme inteiro na mente.
A gente sente saudade,
Vontade de voltar pra casa,
Começar tudo de novo.
Viver aqueles dias que ficaram
Presos no vão da porta.
Beijar o beijo negado.
Acordar o amor dormido.
Amar, como se jamais tivesse deixado
De amar o amor que ainda vive.
De querer o amor que ainda arde.
domingo, 29 de setembro de 2019
ADEUS
(RÔ Campos)
Desculpa se não te pude perdoar.
Foram tantas as vezes que atendi aos teus clamores,
Mas mesmo assim tu nunca te deste conta,
Que a cada dia que me ferias ,
Morrias um pouco mais dentro de mim.
E agora, no esvair das horas, não deu mais, chegou o fim.
Botei tudo na balança,
Pesei os pós e os contras,
A verdade emergiu, escancarou,
O cansaço me venceu.
Sei, agora eu sei, tu também sabes,
Sou uma estrela gigante, e, por isso,
Me quiseste sempre à sombra,
Apenas um reflexo no chão.
Não cabemos nós na mesma constelação.
Teu orgulho e vaidade, de tão grandes,
Te trancaram em teu pequeno mundo,
Onde somente tu possas reinar absoluto.
E agora é chegada a hora derradeira:
Arrumei as minhas malas,
Já comprei o meu bilhete de partida.
Vou tomar o primeiro trem da manhã,
Quando a aurora romper a escuridão medonha.
Sim, meu amor, eu vou embora.
Decerto que muita coisa tua levarei comigo na bagagem.
Algumas lançarei pela janela;
Outras, ficarão guardadas na memória.
Um dia, que não vai longe, serás apenas meras lembranças.
Ou - quem sabe? - nada.
sábado, 28 de setembro de 2019
TÃO BOM
(RÔ Campos)
Foi tão bom te ver de novo
Descobrir alguns de teus segredos
Dividir o mesmo edredom
Respirar o mesmo ar
Jogar fora os meus medos.
Foi tão bom sentir teu cheiro
Ganhar o teu abraço
Teu carinho, teu afeto
Um novo abrigo, um teto.
Eu andava muito triste
Sozinha, mesmo rodeada de gente
E de repente você apareceu
Numa noite sem luar e sem estrelas.
E ontem à noite chovia muito
E a forte chuva que caía
Levava toda a minha tristeza embora.
Foi tão bom te ouvir dizer
Das coisas simples da vida
Saber que o menos muitas vezes é mais
E que só abrindo a embalagem se conhece o conteúdo.
Foi tão bom te ver de novo
E me fazer crer mais uma vez
Que melhor do que receber
É querer dar e ter a quem
Mas quando essas duas coisas se juntam
O sucesso é certo, a felicidade também.
Foi tão bom te ver de novo
Descobrir alguns de teus segredos
Dividir o mesmo edredom
Respirar o mesmo ar
Jogar fora os meus medos.
Foi tão bom sentir teu cheiro
Ganhar o teu abraço
Teu carinho, teu afeto
Um novo abrigo, um teto.
Eu andava muito triste
Sozinha, mesmo rodeada de gente
E de repente você apareceu
Numa noite sem luar e sem estrelas.
E ontem à noite chovia muito
E a forte chuva que caía
Levava toda a minha tristeza embora.
Foi tão bom te ouvir dizer
Das coisas simples da vida
Saber que o menos muitas vezes é mais
E que só abrindo a embalagem se conhece o conteúdo.
Foi tão bom te ver de novo
E me fazer crer mais uma vez
Que melhor do que receber
É querer dar e ter a quem
Mas quando essas duas coisas se juntam
O sucesso é certo, a felicidade também.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
UM DIA DE DOMINGO
(RÔ Campos)
Havia sido um dia extraordinário: encontro com amigos queridos,
amenidades, conversa jogada fora, sabores vindos da cozinha, tilintar de taças de vinho: merlot, tempranilla, malbec. Uma viagem à França, Espanha e Argentina.
Depois, à noite, a deusa música:
uma volta pelo nosso Brasil de encantos mil.
Quando a madrugada chegou, quedei-me sobre a cama, o corpo cansado e suado, mas em êxtase.
O frio do quarto me cobriu.
O sono já me havia arrebatado quando fui despertada pelo deslizar macio dos dedos dele,que desciam e subiam meu corpo como se veludos fossem.
Quis resistir, mas não pude: quando ele me tocava, com indescritível delicadeza, as estrelas se achegavam, o céu inteiro estava em festa.
Então, me entreguei por completo,
embarcando nessa viagem mágica, como se um sonho inenarrável fosse, sem lembrar que amanhã a realidade muito cedo bateria à minha porta.
Havia sido um dia extraordinário: encontro com amigos queridos,
amenidades, conversa jogada fora, sabores vindos da cozinha, tilintar de taças de vinho: merlot, tempranilla, malbec. Uma viagem à França, Espanha e Argentina.
Depois, à noite, a deusa música:
uma volta pelo nosso Brasil de encantos mil.
Quando a madrugada chegou, quedei-me sobre a cama, o corpo cansado e suado, mas em êxtase.
O frio do quarto me cobriu.
O sono já me havia arrebatado quando fui despertada pelo deslizar macio dos dedos dele,que desciam e subiam meu corpo como se veludos fossem.
Quis resistir, mas não pude: quando ele me tocava, com indescritível delicadeza, as estrelas se achegavam, o céu inteiro estava em festa.
Então, me entreguei por completo,
embarcando nessa viagem mágica, como se um sonho inenarrável fosse, sem lembrar que amanhã a realidade muito cedo bateria à minha porta.
sábado, 21 de setembro de 2019
DOIS MUNDOS
(RÔ Campos)
Entre mim e ti
Há muitos rios que passaram
Caudalosa e mansamente
E também em meio a tempestades.
Entre mim e ti
Há dias de calor e dias de frio,
Há noites de luar e noites escuras,
Há sofreguidão e alegria.
Entre mim e ti
Há um mundo de sonhos,
Onde construí muitos palácios
E vi ruir outros tantos castelos de areia.
Entre mim e ti
Há dias de luta,
Há dias de glória,
E há dias de vencer ou morrer.
Entre mim e ti
Há interregnos,
Há interrogações
E há também silêncios e respostas.
Entre mim e ti
Há dias que se foram para nunca mais,
Há dias que ficaram para sempre
E há dias também que olho para trás
E te vejo chegando, meu anjo, anunciando a Boa Nova, trazendo em teu sorriso a Pomba da Paz!
terça-feira, 17 de setembro de 2019
VENTANIA
(RÔ Campos)
De repente, o vento soprou,
Quebrando o silêncio.
De repente, não mais que de repente,
O vento tomou exagerada força,
Escancarando as janelas do passado.
De repente, o que era ontem agora é visivelmente presente.
Ouvir tua voz embargada, delicadamente compassada,
Falando acerca dos nossos encontros e desencontros,
Dos nossos medos e desejos abandonados no meio do caminho,
Fez -me o coração acelerar.
Num átimo, lembrei-me do último poema que escrevi para ti - BRINCAR DE VIVER!
Da última estrofe...
"Por que entraste de novo na minha vida?
Por que saíste em seguida?
Por que desististe de voltar, se era o teu desejo?
Por que não voltas, mesmo mentindo?
Pra gente brincar de amar
Pra gente brincar de viver".
Agora, vens e me dizes que queres me ver ontem,
Que não podemos mais deixar que o tempo faça isso com a gente,
Quando, em verdade, fomos nós dois que viramos as costas para o tempo,
E deixamos que ele passasse,
Como passa o vento, levando os dias e as noites...
De repente, o vento soprou,
Quebrando o silêncio.
De repente, não mais que de repente,
O vento tomou exagerada força,
Escancarando as janelas do passado.
De repente, o que era ontem agora é visivelmente presente.
Ouvir tua voz embargada, delicadamente compassada,
Falando acerca dos nossos encontros e desencontros,
Dos nossos medos e desejos abandonados no meio do caminho,
Fez -me o coração acelerar.
Num átimo, lembrei-me do último poema que escrevi para ti - BRINCAR DE VIVER!
Da última estrofe...
"Por que entraste de novo na minha vida?
Por que saíste em seguida?
Por que desististe de voltar, se era o teu desejo?
Por que não voltas, mesmo mentindo?
Pra gente brincar de amar
Pra gente brincar de viver".
Agora, vens e me dizes que queres me ver ontem,
Que não podemos mais deixar que o tempo faça isso com a gente,
Quando, em verdade, fomos nós dois que viramos as costas para o tempo,
E deixamos que ele passasse,
Como passa o vento, levando os dias e as noites...
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
PEQUENA ORAÇÃO
(RÔ Campos)
Obrigada, Senhor, pois viver é uma graça.
Obrigada, Senhor, pois minhas dores para mim não são desgraças.
Obrigada, Senhor, por me fazer compreender que eu não sei de nada. Obrigada, Senhor, por saber que tudo o que sei é que tudo passa.
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