sábado, 26 de janeiro de 2019

TUA FALTA


(RÔ Campos)

É sempre assim
Nas tardes de domingo.
É sempre assim
Quando a chuva cai:
Saudade vem a galope,
E eu já nem sei o que é paz.

Só sei que sinto a tua falta.
Sinto muito a tua falta.
Falta tudo mas não falta
A saudade que me invade e me diz
Que tu me fazes muita falta.

Estás em tudo que ficou:
Nas paredes do meu quarto,
No ar que eu respiro,
Nos sonhos que dormiram
Na saudade que restou.

Como se o mundo fosse acabar,
Todo dia falta água e falta luz,
E não tarda a escuridão entrar
E uma sede louca de amar.
E tudo o que sinto é a tua falta.
Tu que és a minha vida, meu absinto
Tua falta é o que eu sinto.

domingo, 6 de janeiro de 2019

FRAGMENTOS DE MEU TEXTO "CONFISSÕES "


(RÔ Campos)

O que é feito de ti: pedaços, trapos, solidão, náufrago? O que é feito de mim, sem estar inteira, sem ti, sem roupa de gala, um amor, sem água para matar a sede, sem bóias, salva-vidas, perdida, querendo me encontrar?
Estive sobre águas rasas, profundas. Vi sumir qualquer resquício de vegetação. Perdi-me em alto mar. Fiquei dias incontáveis à deriva. Enfrentei procelas. E ela, essa dama traiçoeira - como infiel foste -, a me fustigar.
Sonhava com os teus olhos quando via estrelas no céu...E isso era tão raro. Julgava - quanta ilusão!- que ainda vivias a me seguir, a me proteger, no silêncio do breu que caiu sobre mim, no vácuo do abismo que nos separou.
Pensei voltar, mas quando dei por mim a distância era muito grande entre nós dois. Éramos dois mares. Dois continentes.
E agora o passado bate à minha porta. Eis que és tu de volta.
E, de repente, é como se o tempo não tivesse passado. Por um momento não tenho medo, porque o perigo nas minhas lembranças já vai longe. Mas nada se apaga na memória do tempo, do universo.
Ouço o sino repicar...São as mesmas badaladas de outrora. Escuto o vento batendo à porta com fúria, querendo entrar, e me lembro das tempestades que desabaram sobre mim, sem piedade. Eu venci!
Agora, confesso-te, a coragem me parece se perdeu na longa estrada, no mar das minhas ilusões. Cada luta é uma luta, um embate. Pode-se vencer. Pode-se ser vencido. Não há empate. É a derrota ou a glória.
Não me convoques a ingressar nas fileiras do teu quartel para uma nova guerra. Vivo uma nova era. As procelas ainda agora muito me dizem.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

DESDE AQUELA NOITE


(RÔ Campos)

Conto as horas,
Conto os dias,
Desde aquela noite em que você partiu
Dizendo pra mim que iria voltar.

Trago na minha memória
A lembrança das horas derradeiras:
A bagunça no quarto do hotel,
Nós atrasados, o trânsito caótico,
A fome batendo, a gente correndo,
Lutando contra o tempo.

Depois, na Estação, você todo atordoado,
Entrando no ônibus, calado,
Sem nem me dizer adeus.
E eu, ali, triste, sem entender nada.
De repente, você volta, me dá um beijo
E some atrás da porta...

Conto as horas,
Conto os dias,
Desde aquela noite em que você partiu
Dizendo pra mim que iria voltar.

Já tentei de tudo pra não me lembrar,
Mas quando eu acordo, o primeiro pensamento
que me vem à mente,
São todos aqueles dias loucos que vivemos
Como se não houvesse amanhã...

Tento esquecer você no decorrer do dia,
E não há nada que me faça apagar
Das minhas memórias tudo o que vivi contigo,
No embalo das horas, sob a luz do sol e sob a luz da lua,
As delícias de um encontro inesperado, sem nada programado, coisas essas do acaso,
Como se pelo destino fora traçado.

E quando eu me deito, não tem jeito.
Sinto um vazio no coração,
O peito apertado, comprimido,
Uma saudade muito grande me invade.
Quero te sentir ao meu lado...
Louca, ouço os áudios que me enviaste pelo Whatsapp...

Conto as horas,
Conto os dias,
Desde aquela noite em que você partiu
Dizendo pra mim que iria voltar.

DOIS DE JANEIRO DE 2015


(RÔ Campos)

Hoje resolvi revirar os meus guardados,
Revolver o meu passado,
Reabrir as caixas que lacrei·

Reli as cartas que escrevi, e nunca enviei·
Todas falavam de sonhos e amores desfeitos,
De saudades que fizeram doer o peito·

Chorei ao reler as cartas que recebi,
Os cartões desejando Boas Festas, Feliz Aniversário·
E havia também outros que acompanhavam as flores que me eram enviadas·
Muitas foram as confissões de amor eterno,
E também as promessas jamais cumpridas·

Encontrei até velhas roupas rasgadas,
Fotografias às dezenas, como registro dos momentos de alegria e felicidade·

Vi em algumas cartas marcas das lágrimas furtadas dos meus olhos,
Que tantas vezes se fecharam para não sucumbir·

E nessa viagem ao túnel do tempo,
Encontrei corações delicadamente tecidos com fios de cobre,
O meu nome ao lado do nome dele·

Quando dei por mim, já era noite·
Devolvi tudo para as caixas onde estavam guardadas essas lembranças,
E lacrei-as novamente com as fitas que eram os laços,
Que envolviam os buquês das rosas vermelhas,
Que o homem que jurava que me amava, me mandava·

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

DESBRAVAR-TE

Compus inspirada no poeta do samba, Paulo Onça, após uma conversa que tive com ele, há cerca de 3 anos, no ET Bar. Nunca entreguei a ele.

DESBRAVAR-TE
(RÔ Campos)

Eu quero entrar no teu texto,
Minha terna poetisa.
Conhecer o teu contexto,
Essa tua totalidade.

Eu quero entrar no teu texto,
Minha musa inspiradora.
Me encantas com teu lirismo,
E eu te celebro com o meu canto.

Eu quero entrar no teu texto,
Deusa misteriosa.
Descobrir um meio de chegar ao teu começo,
Desbravar tua obra por inteiro,
Ser, doravante, teu fim, teu universo.

Eu quero que sejas meu côncavo e meu convexo,
E que reescrevas a minha vida,
Com as tintas da tua lira,
Que eu, com notas simples,
Cantarei teus versos.

sábado, 15 de dezembro de 2018

O BAILE DA VIDA

(RÔ Campos)

Ainda que eu veja apenas os pirilampos bailando sob o manto negro da escuridão;

Ainda que na fria e cinza madrugada eu veja apenas os olhos assustadores da coruja;

Ainda que eu ouça no silêncio da noite nebulosa apenas os gemidos que os ventos trazem;

Ainda que nesta mesma noite eu me sinta perdida num vale de lágrimas;

Ainda que eu não encontre a porta a qual procuro, que me leve à uma saída;

Que eu nunca, no entanto, desista de acalantar a fera que consome a quem espera·

E que eu jamais esqueça que toda noite a lua se deita e o sol, na manhã, se levanta·

E todo dia, quando eu acordar e me saber viva,
Que eu possa seguir sonhando···

E quando a noite voltar para me molestar,
Que eu não tenha mais medo do frio nem dos olhos assustadores da coruja,
E que eu veja apenas a beleza dos pirilampos bailando na escuridão·

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

FRAGMENTOS DO TEXTO "CONFISSÕES"

(RÔ Campos)

Não me condene sem que eu tenha a chance de me defender. Não tire suas conclusões de forma precipitada. Quantos inocentes são condenados no mundo todo por erro judicial!!!! Ouça-me, e sei que você vai ter uma outra compreensão dos fatos. O seu silêncio é a mais dura pena que me pode ser aplicada...Mas eu não sou culpada.
Lamento se você não quiser me ouvir. Lamento pelo tempo que você deve estar achando que perdeu. Se, de tudo, falhei, não esqueça que não sou santa, mas sim humana, demasiadamente humana. Saiba, porém, que, ainda assim, dei tudo de mim. No entanto, há coisas que fogem do nosso controle.
Minhas energias se esvaíram, de tanto que eu quis me dar, me superar, te fazer feliz, por depositares em mim todas as tuas expectativas, pensando que eu fosse capaz. E eu o sou, realmente. Mas o cansaço tudo vence, até mesmo a força de vontade, o compromisso assumido. Eu fui vencida. Confesso que falhei. Falhei porque quis abarcar o mundo com o meu abraço, e o mundo é muito grande, como grande é a minha doação...mas pequenos são os meus braços.