ACERCA DO JULGAMENTO HUMANO
(RÔ Campos)
O julgamento humano é implacável e perigoso. Ele não considera a flor, mas apenas o que fere; nem também a Poesia, mas somente a maldade. O julgamento humano é de um egoísmo desmedido, escancarado, pois põe sobre a balança, de um lado, todo o peso do seu olhar e fúria, e, do outro, as penas do desgraçado. Somos muito diferentes quando ora estamos na posição de julgadores e ora somos os julgados. Julgamos o outro de acordo com nossas "convicções", das quais ninguém nos afasta e nem nos convence de possíveis enganos, porque é mais fácil condenar do que perdoar, não obstante o ensinamento Cristão acerca do perdão. Agora, quando somos nós os julgados, consideramo-nos merecedores de todas as graças e jamais nos sentimos culpados. O outro sempre estará errado.
O julgamento humano vai além, muito além do universo da alma. Ele só vê o acre e ignora a doçura. É como uma espada que corta e perfura, que dói e que arde, vencido o adversário. Muito sangue se derrama. Muitos jardins morrem, quando tudo o que precisavam era de uma simples rega para viver. E, junto com os jardins, vão-se as flores. Adeus Primavera! O julgamento humano é como uma fera que machuca, que dilacera. É como se descesse uma cortina opaca diante do tribunal da consciência do julgador e cerrasse o seu olhar.
Quando julgamos e condenamos alguém, vomitamos o que de pior existe dentro da gente. Porém, quando absolvemos e perdoamos, deixamos emergir o que há de melhor em nós.
domingo, 25 de novembro de 2018
sábado, 10 de novembro de 2018
FRAGMENTOS DE MEU TEXTO "CONFISSÕES"
Havia um quê de tristeza em ti.Teus olhos não brilhavam.Teu sorriso não saía.
Havia algo em ti que eu não soube assimilar. Mas pensei haver visto muita tristeza em teu olhar. Muita dúvida no teu coração. Talvez muitas perguntas, algumas delas só o tempo irá dizer.
Durante todos esses longos dias de tua ausência, foram todos eles ocupados por ti. E os fantasmas da noite me assombrando com o medo de te perder.
Eu saía por aí como que a te procurar. Te sentia em cada esquina, em cada música que ouvia, em cada trago de bebida que entorpecia os meus sentidos. E quando a madrugada fria se avizinhava, me dava conta de que estava sem teus olhos doces a me seguir, sem teus braços pra me acalmar, sem os teus cuidados.
Mas no peito a saudade me cortando, como um punhal encravado, ardendo e doendo e me consumindo...E o sangue pululando nas vielas do meu coração que agonizava.
Confesso-te, agora que te posso dizer: Como eu queria estar ao teu lado naquelas horas...
Compartilhar da tua dor e dos teus medos. Ser teu anjo e teu doutor. Mas todo esse meu desejo eu tive que guardar em segredo...
Agora, começas a trilhar alguns novos caminhos...Sem nem saberes por onde começar. Os dias seguintes te dirão.
O que importa é seguir, mesmo sem ainda nem saberes para onde. A marcha da vida não pode parar. Só a morte nos detém. Inclusive a morte dos nossos ideais, dos nossos sonhos, das nossas ilusões. Há muita gente morta que vive. Isso se chama eternidade. Mas há também muita gente viva que já morreu.
Vivamos a nossa vida como melhor nos aprouver. E deixemos o outro viver.
"Cada um de nós compõe a sua própria história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz".
Havia um quê de tristeza em ti.Teus olhos não brilhavam.Teu sorriso não saía.
Havia algo em ti que eu não soube assimilar. Mas pensei haver visto muita tristeza em teu olhar. Muita dúvida no teu coração. Talvez muitas perguntas, algumas delas só o tempo irá dizer.
Durante todos esses longos dias de tua ausência, foram todos eles ocupados por ti. E os fantasmas da noite me assombrando com o medo de te perder.
Eu saía por aí como que a te procurar. Te sentia em cada esquina, em cada música que ouvia, em cada trago de bebida que entorpecia os meus sentidos. E quando a madrugada fria se avizinhava, me dava conta de que estava sem teus olhos doces a me seguir, sem teus braços pra me acalmar, sem os teus cuidados.
Mas no peito a saudade me cortando, como um punhal encravado, ardendo e doendo e me consumindo...E o sangue pululando nas vielas do meu coração que agonizava.
Confesso-te, agora que te posso dizer: Como eu queria estar ao teu lado naquelas horas...
Compartilhar da tua dor e dos teus medos. Ser teu anjo e teu doutor. Mas todo esse meu desejo eu tive que guardar em segredo...
Agora, começas a trilhar alguns novos caminhos...Sem nem saberes por onde começar. Os dias seguintes te dirão.
O que importa é seguir, mesmo sem ainda nem saberes para onde. A marcha da vida não pode parar. Só a morte nos detém. Inclusive a morte dos nossos ideais, dos nossos sonhos, das nossas ilusões. Há muita gente morta que vive. Isso se chama eternidade. Mas há também muita gente viva que já morreu.
Vivamos a nossa vida como melhor nos aprouver. E deixemos o outro viver.
"Cada um de nós compõe a sua própria história, e cada ser em si carrega o dom de ser capaz, de ser feliz".
terça-feira, 22 de novembro de 2016
MESMO QUE SEJA TARDE
(RÔ Campos)
Não chores não, amor, agora,
Já é passada a hora
Da tristeza no teu coração morar.
Deixa-me ser teu palhaço,
Um bobo na tua corte,
E te fazer chorar de tanto rir.
Eu sei, é tudo tão difícil
Quando as primeiras horas
Desde logo vêm nos desafortunar.
Ainda me lembro bem de ti,
Pequenina e frágil correndo nos quintais,
No meio das manhãs girando feito os girassóis...
Já fizeste tantas travessias,
Atravessaste tantos temporais,
Lutas venceste tal David contra Golias.
Espera mais um pouco, é o que te peço.
Eu te prometo, hei de realizar
Os nossos sonhos, os mais loucos.
Mesmo que sejam poucos
Os tempos que nos restem
De luz a réstia desfrutar...
Espera que a noite vai embora.
Há de chegar a sua hora,
E de despontar no tempo a tua aurora.
Deita e dorme o sono dos famintos.
Fecha a porta dos teus olhos lindos,
Que a paz vem te acalantar.
Sonha! Sonha muito!
Vais pensar que os sonhos são reais,
E serás princesa em teu castelo interior. Te libertarás.
E quando na manhã seguinte despertares de teus sonhos,
Não quererás deles te apartar jamais.
Libertas quae sera tamen!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
UM NOVO TEMPO
(RÔ Campos)
Hoje é um novo começo.
Não releva o que ficou pra trás.
O passado guarda o que o tempo leva,
Envolvido no éter que tudo grava.
Agora, rabisco um novo rumo,
Com as mesmas tintas
E as mesmas mãos calejadas.
Mas, a dos primeiros desenhos...
Essa, há muito ficou pra trás.
Trago encimado no peito o desejo
Da vida viver, sem temer,
As verdades que nunca escondi.
Agora, faço das coisas silêncio,
Porque assim a vida me ensinou:
As verdades... quase ninguém sabe ouvir.
As mentiras...a essas lhe dão tal valor.
VIDA NA MINHA VIDA
(RÔ Campos)
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E, como companheira, uma estrela solitária que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava também no coração uma inquebrantável fé em Deus.
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa onde guardava todos os seus sonhos·
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···E minha·
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E, como companheira, uma estrela solitária que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava também no coração uma inquebrantável fé em Deus.
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa onde guardava todos os seus sonhos·
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···E minha·
DIOGO: SOBRE O DIA E A NOITE, O SOL, A LUA E AS ESTRELAS
(RÔ Campos)
Acorda! Olha pela janela!Vem ver! É de manhã! O sol já chegou! É hora de levantar!!!
Olha só, o céu tá ficando escuuuuro! Por quê? Cadê o sol? Pra onde ele foi?
Já é noite! Olha a lua! Ela tá tão bonita! Onde a lua mora? Eu quero ir lá na lua! Mas por que a lua vive tão longe? Posso colocar uma escada pra eu tocar a lua?
Olha aquela estrela bem perto da lua! Por que ela fica ali? Como é grande essa estrela! Por que tem estrelas grandes e pequenas?
Vem! Vem pro quintal pra ver como o céu tá tão bonito!
(Todas essas frases são ditas por ele, Diogo, meu neto amado, muitas vezes pela manhã, quando vai me acordar, ou quando a noite vem chegando e ainda quando vamos ao quintal, nas noites de lua cheia ou lua nova ( quando ele compara a lua a uma bola ou círculo), ou mesmo nas noites de lua crescente ou minguante (quando ele a compara a uma banana)
Acorda! Olha pela janela!Vem ver! É de manhã! O sol já chegou! É hora de levantar!!!
Olha só, o céu tá ficando escuuuuro! Por quê? Cadê o sol? Pra onde ele foi?
Já é noite! Olha a lua! Ela tá tão bonita! Onde a lua mora? Eu quero ir lá na lua! Mas por que a lua vive tão longe? Posso colocar uma escada pra eu tocar a lua?
Olha aquela estrela bem perto da lua! Por que ela fica ali? Como é grande essa estrela! Por que tem estrelas grandes e pequenas?
Vem! Vem pro quintal pra ver como o céu tá tão bonito!
(Todas essas frases são ditas por ele, Diogo, meu neto amado, muitas vezes pela manhã, quando vai me acordar, ou quando a noite vem chegando e ainda quando vamos ao quintal, nas noites de lua cheia ou lua nova ( quando ele compara a lua a uma bola ou círculo), ou mesmo nas noites de lua crescente ou minguante (quando ele a compara a uma banana)
CONVERSANDO COM A LUA
(RÔ Campos)
Conta pra mim, lua, o que dizem os olhos dele quando, parados, ficam a te mirar?
Vês, por acaso, lágrimas neles, assim como ficam os meus?
Todas as vezes em que apareces avassaladora, penso nele, que sempre te dizia dele·
Ele que, nas noites frias, só tinha tu por testemunha e companhia...
Conta pra mim, lua, o que dizem os olhos dele quando, parados, ficam a te mirar?
Vês, por acaso, lágrimas neles, assim como ficam os meus?
Todas as vezes em que apareces avassaladora, penso nele, que sempre te dizia dele·
Ele que, nas noites frias, só tinha tu por testemunha e companhia...
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