sábado, 27 de dezembro de 2014
PORTO SEGURO
(RÔ Campos)
És o meu porto seguro·
É nele que atraco quando volto·
É nele que me dispo, inclusive do cansaço·
Há muitos portos por aí,
Onde vez em quando paro,
Mais por necessidade que por gosto·
Mas és tu apenas o meu porto de verdade,
Aquele em que ancoro e vou logo abrindo os braços,
Porque o teu abraço é o único cais que me acolhe·
És o meu porto seguro·
Aquele cuja lembrança me socorre nas noites tenebrosas,
Quando atravesso oceanos agitados,
Com seus terríveis braços que me querem arrastar e afogar até a morte·
Lembro de ti e me faço forte·
Não me entrego e luto e grito alto·
Quero que ouças que é por ti, que sei que me espera,
Que tento vencer essa guerra·
Sei que a tempestade nunca chega desacompanhada·
E dias sombrios seguem-se uns aos outros·
Mas eis que a tempestade perde força,
E vem a calmaria trazendo de volta a boa sorte·
Alço as velas, tomo o caminho de volta·
De longe te avisto e sussurro:
"Meu porto seguro, não demoro·
Deixa a porta aberta·
Logo chego e amarro as âncoras·
Vou navegar no silêncio do teu conforto"
terça-feira, 25 de novembro de 2014
CONTEMPLAR O MEU JARDIM
(RÔ Campos)
Cansei de política.
Logo eu!
Mas, hoje, quero dizer:
Cansei!
Outro dia, talvez.
Quem sabe?
Hoje, quero riscar as nuvens escuras com os raios do sol.
Apanhar os pingos da chuva com as mãos abertas, em louvação.
E colher estrelas no céu para cobrir o meu chão.
Hoje, quero cuidar do meu jardim. Senão, quem cuidará?
Ontem, à tardinha, passeando pelo quintal, me entristeci:
Minha rosa-menina se foi e eu nem percebi.
Chegou a sangrar ver os galhos secos, ali, tombados, sem vida.
Hoje, quero cuidar do meu jardim.
Arrancar as folhas mortas. Adubar as minhas rosas.
Aguar as minhas flores. Contemplar o meu jardim.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
ASAS PARTIDAS
(RÔ Campos)
Por que te foste, assim, do meu ninho, passarinho?
Eu o construí no verão para te agasalhar quando o inverno viesse. Sempre foste o meu menino,e nem percebi que, silenciosamente, criavas asas.
Querias partir, sem nem mesmo saber para onde. Não querias mais ficar aqui e cumpriste o teu desejo.
Que não lancem sujidades sobre ti. Porque é grande a minha chaga e a saudade dói demais, mas tenho que aceitar que não há lei nenhuma no universo que possua o condão de regular o pensamento, e exerça algum poder de coação sobre este.
Muito antes de alçares esse voo medonho, andavas comigo por aí, pé na estrada, cantando o amor e a vida... a viola debaixo do braço, o sorriso franco, meio contido, eu sei, mas franco.E eu nem sabia que algo me escondias, mesmo estando ali, tão perto do meu coração e dos meus olhos.
E eis que tu, meu menino, resolveste abreviar o teu voo pela vida. E que faço eu, agora, que tenho asas e não posso mais voar?
Como vou cantar, doravante, meu menino, se meu ninho está vazio, sem meu menino-passarinho que se foi sem me avisar?
Será que eu andei errado? Onde foi que eu errei, então, fico a me perguntar?
Estavas sempre aconchegado no meu ninho, sob as minhas asas e, de repente, te vês alado e te vais pra nunca mais...
E nós, aqui, meu menino, olhando para o céu e perguntando às estrelas o que foi que aconteceu.
Eu já andava devagar porque a pressa já não fazia mais sentido. E agora, meu menino, que não estás mais aqui, já nem sei o que fazer com o sorriso largo que eu, contigo a meu lado, carregava mundo afora.
Já não procuro uma nota. Não há nota alguma. Nenhum acorde. Todo o meu cantar emudeceu.
Mas eu canto, mesmo mudo. É meu peito arrebentando. São minhas lágrimas que caem.
E, assim, vou tocando em frente. Porque o meu cantar é por ti, por todos nós. E, se eu canto, é o meu cantar a única coisa que aprendi neste mundo de que nada sei.
E, quando canto, é como te sinto. É onde te encontro.
SOBREO ESQUECIMENTO, CHEIROS, SABORES E AMORES.
É a segunda vez que não sei onde foi que eu meti o controle remoto do portão da garagem da minha casa· Na primeira vez, depois de virar o mundo de ponta-cabeça, fui achá-lo adivinhem onde? Não, não gastem seus neurônios, porque eu encontrei o controle remoto onde menos se pode imaginar: na lixeirinha da pia da cozinha.·
Bom, agora aconteceu de novo, e eu não achei o dito controle· Depois de fazer buscas nos mesmos lugares umas três vezes, pensei em dar uma geral, fazer uma faxina e arrumação em toda a casa. E assim o fiz.·Virei meu quarto de cabeça pra baixo· Abri várias gavetas dos armários, aproveitando o ensejo para tentar colocar ordem na bagunça· Encontrei coisas que sequer lembrava que um dia havia guardado· Cartões de natal, de aniversário, cartas··· Juras de amor eterno!!! Hoje, só restou a eternidade·
Encontrei roupas guardadas em sacolas plásticas· Quando as abri para ver o que continham, senti um cheiro que me era muito familiar· Coisas de um passado não muito remoto, ao contrário do sumiço do meu controle, tão recente·
Mesmo estando tudo misturado no meu olfato, que quase me confundia - apesar da predominância do cheiro de poeira e de traça, coisas essas próprias do tempo - aquele cheiro do passado me pareceu muito atual· Há cheiros e sabores e amores que jamais esqueceremos - pensei.
Bom, agora aconteceu de novo, e eu não achei o dito controle· Depois de fazer buscas nos mesmos lugares umas três vezes, pensei em dar uma geral, fazer uma faxina e arrumação em toda a casa. E assim o fiz.·Virei meu quarto de cabeça pra baixo· Abri várias gavetas dos armários, aproveitando o ensejo para tentar colocar ordem na bagunça· Encontrei coisas que sequer lembrava que um dia havia guardado· Cartões de natal, de aniversário, cartas··· Juras de amor eterno!!! Hoje, só restou a eternidade·
Encontrei roupas guardadas em sacolas plásticas· Quando as abri para ver o que continham, senti um cheiro que me era muito familiar· Coisas de um passado não muito remoto, ao contrário do sumiço do meu controle, tão recente·
Mesmo estando tudo misturado no meu olfato, que quase me confundia - apesar da predominância do cheiro de poeira e de traça, coisas essas próprias do tempo - aquele cheiro do passado me pareceu muito atual· Há cheiros e sabores e amores que jamais esqueceremos - pensei.
ADEUS, TRISTEZA!
(RÔ Campos)
Quando a tristeza vier, assim,
Sem saber de onde nem por que,
E bater à tua porta, feito louca,
Deixa a tristeza entrar.
Só não deixa ela ficar.
Porque tristeza que se abanca
São estrelas que se apagam,
Escuridão que não tem fim.
Espera que ela sente
E escuta ela falar.
E, depois, quando chegar a hora,
Manda a tristeza ir embora.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
TEU INIMIGO ESTÁ DENTRO DE TI. SE FICARES AÍ, PARADA, ELE VAI TE DEVORAR. DEPENDE DE TI. PARAR OU SEGUIR. VIVER OU NÃO VIVER.
(Rô Campos)
Olha, amiga, vai fundo. Sempre digo que só temos duas opções na vida: ficarmos parados ou seguirmos em frente. Parar, pra quê, se a gente nunca sabe o que pode vir? Não é bom duvidar da força e dos mistérios da natureza, porque vez ou outra ela nos surpreende. Disseste-me que estás nas mãos de Deus. Quando reconhecemos esse estado de coisas, é porque temos a certeza de que tudo fugiu do nosso controle, não depende mais de nós...nem da Ciência. Sabemos que não temos como fugir da realidade. E que precisamos encará-la, o que não quer dizer o mesmo que confrontá-la. O confronto não nos leva a lugar algum. Não nesse caso. Então, amiga, encara a realidade. É ela, no momento, quem dá as cartas. Mas nenhuma realidade é duradoura, é para sempre. Mantém-te de pé, parte para a briga, luta, vive a vida, cada minutinho. Aproveita para contemplar a natureza. Apreciar o sol quando se deita e a lua quando se achega. Ouvir o canto dos pássaros. Apreciar a farra que eles fazem quando a tarde ameaça partir ou quando a chuva vem vindo ao longe, ou, ainda, quando surgem os primeiros raios da manhã. Planta algumas flores. Regue-as regularmente. Sente o seu perfume. Toma banho de chuva. Anda com os pés descalços. Embrenha-te no mato. Desce o rio. Vá à praça dar milho aos pombos. Observa as peraltices de uma criança, o seu sorriso, a sua pureza. Olha pro céu. Mira as estrelas. Ouve Chopin, Bach...ou simplesmente o som de uma flauta andina. É indescritível. Joga-te no sofá, na cama, seja lá onde for. Pega um livro. Desses que falam sobre as coisas boas da vida, que não vomitam amarguras, porque o mundo está cheio disso. Poesia, amiga. Deixa a poesia entrar. A poesia é o êxtase da alma. Ah, minha amiga, não faças pouco caso do que estou a desfiar-te agora!!! É assim mesmo. Qualquer dia chega a nossa hora. Uns vão antes; outros, depois. Mas todos iremos um dia. As coisas são assim há milênios. E, quem sabe? - tu possas adiar, e muito, esse dia. "Tu podes adiar, mas o tempo, não", afirmou Benjamin Franklin. Mas levar a vida com certa leveza nos desvia e nos salva das tiranias do tempo. E pra quê levar a vida tão a sério, se ela quase nada exige da gente? Dizem que, na verdade, o que a vida pede da gente é coragem. Então, vamos lá. À luta, amiga! Ou melhor, vamos cair na vida. E, afinal de contas, A Ciência, às vezes, também fica a ver estrelas. Mistérios! Mistérios! E, se assim não for, minha amiga, tu terás feito a tua parte. Terás tido a coragem de seguir e viver e amar...Porque a vida é um sopro e como um sopro se extinguirá.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
AMORES IMPOSSÍVEIS
(RÔ Campos)
É madrugada·
A chuva chega devagar,
Molhando o chão que ainda arde·
Da janela do meu quarto
Vejo os relâmpagos riscando a escuridão;
Ouço os trovões cortando o silêncio.·
Meu coração se agita♡
Lembranças de amores impossíveis,
Que andavam adormecidos
E hoje vieram me acordar·
Assinar:
Postagens (Atom)