domingo, 30 de março de 2014

DESNUDAR


(RÔ Campos)

Silêncio! Silêncio profundo!
Mas alguma coisa teima em falar bem lá no fundo.
Ora pareço escutar. Ora são apenas sussurros.
De repente, do escuro fez-se claro:
Saudade de quem eu não sei.
Vontade de abraçar o talvez.
De tirar o manto que esconde a verdade,
E descobrir, de uma vez por todas,
O que teria a me dizer uma tal nudez.

quarta-feira, 19 de março de 2014

LENICE - A DAMA DO SAMBA - Uma singela homenagem à minha amiga, Lenice Ramos


(RÔ Campos)

Ela tem um sorriso faceiro
E um olhar tão forte, tão cheio
Ela tem um jeito criança
Que guarda no peito a eterna esperança
De um grande amor encontrar.

É uma mulher determinada
Que sempre sabe o que quer
Filha amada, mãe diligente, presente divino
Ela se chama Lenice
E seu destino é brilhar.

Do samba, ela é a formosa dama
Que sempre derrama alegria
Por onde quer que ela passe
No passo a passo do samba
Mesmo se triste estiver.
Ela é a dama do samba
E vive com o samba no pé.
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ABENÇOA, SENHOR, O MEU SAMBA;


(RÔ Campos)

Abençoa, Senhor
Todas as famílias
Abençoa, Senhor
O meu samba também.
Pois família que não samba junto
É como um samba qualquer
Que não é de ninguém.

Abençoa, Senhor
O meu samba
Pra que ele invada os corações
De quantos padecem tristes na vida
Chorando, sofrendo
Com saudade de alguém.

Abençoa, Senhor
O meu samba
Pra que eu possa levar alegria
Em qualquer lugar onde estejam
A tristeza e a melancolia.

domingo, 9 de março de 2014

E NADA MAIS


- Construído a partir de citação de Antonio Pereira -
(RÔ Campos)

Só quero a solidão da minha noite,
Com o canto das rãs,grilos e sapos.
E o silêncio do meu quarto,
Cortado pelas cordas do meu violão.

Só quero a solidão do meu corpo
Sobre o sofá, inerme,
Ou da janela da minha alma,
Olhando o nada que passa lá fora.

Só quero a solidão das estrelas,
Lá, no céu distante, em meio às nuvens,
Dançando a dança da solidão
Dos poetas que nunca morrem.

Só quero a solidão da minha noite,
Sozinho, e tão cheio de lembranças,
Nesta casa que não é mais minha,
Pois quem a tinha não mais me espera.

Só quero a solidão da minha noite.
Nesta noite, em que há uma multidão nas ruas,
E muitos são os que estão sozinhos, vagando,
E eu, aqui, no silêncio do meu quarto, tão cheio dela.

Só quero a solidão da minha noite,
Com o canto das rãs, grilos e sapos.
E o silêncio do meu quarto,
Cortado pelas cordas do meu violão.

E nada mais!
2

À ESPERA DO PRÍNCIPE ENCANTADO


(RÔ Campos)

E então, eu nasci.Fui crescendo, crescendo...Mas quando ainda era cedo, sonhei que um dia iria te encontrar. Todos os dias de minha vida sempre foram assim: A noite chegava, depois o dia acordava...E eu a esperar por ti. Quando saía de minha casa rumo à escola, em cada pedaço da rua, em cada esquina, sempre pensava que ia te encontrar. Ainda na Boa Sorte, ao cair da tarde, elevava os meus olhos e punha-os na direção do Morro do Bode,e, abaixo dele, avistava a ponte sobre o igarapé de São Raimundo, ponte essa que o meu velho pai também ajudou a construir. Os pensamentos me visitavam. Lembrava-me daquelas águas límpidas, onde eu e minhas irmãs íamos nos banhar quando não havia água nas torneiras de nossas casas, as canoas passando...e eu a olhar nos olhos de cada um, a procurar por ti. Nos domingos, costumava ir à matinê no Cine Palace, que ficava no Boulevard Amazonas, bem próximo à minha casa. Seguia fazendo o percurso vagarosamente, eu, sozinha, e meus pensamentos. No caminho, muitos rostos de meninos surgiam à minha frente. E, em cada um, eu te procurava.
E o tempo foi passando, passando, e eu sempre te esperando.
Encontrei alguns amores; outros, a maioria,...nada era verdadeiro, como um falso brilhante, que a gente acredita genuíno, até o dia em que aprendemos que nem tudo o que reluz é ouro.
E o tempo continuou passando, até então, vagarosamente, porque o tempo nunca passa quando somos crianças e jovens. Depois, ele se torna tão veloz, que já não temos tempo de sentir as coisas, perdemos os freios e descemos a ladeira, o tempo cria asas e voa assustadoramente. E eu continuei te esperando. Algumas vezes eu até cheguei a supor que tu havias chegado. Triste fiquei quando constatei que havia me enganado.
Esperei, por toda a minha vida, te encontrar um dia, que cansei de esperar. Compus canções, escrevi versos só para esquecer o meu cansaço. E até hoje os escrevo...

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

OS ENREDOS E DESENREDOS DO MEU CORAÇÃO


(RÔ Campos)

Só eu sei
Só eu sei
Dos enredos e desenredos
Em que se enredou
O meu coração.

De tudo o que é cheio
E de tudo o que é vão.
De tudo o que se nutre
O meu velho coração.

Só eu sei
Só eu sei

Quando o amor nasce
Quando o amor entra
E quando o amor que parte
Também fica
E quando o amor se vai
Pra nunca mais.

Quando é chegada a vazante
Nos rios do meu coração.
E quando é o fim do voo
Nas asas da minha imaginação.

Só eu sei
Só eu sei
E ninguém mais.
Porque o meu coração é minha alcova
Porque o meu coração é o meu altar.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

DANÇA DA VIDA


(RÔ Campos)

Eu vivo procurando
Os "achados" e "perdidos" desta vida.
Na verdade, eu gosto de me perder.
E gosto também de me perder e me achar.
E, quando eu me acho, já não sou mais eu.
E até hoje me procuro.

Há uns loucos que me seguem.
Não sei o quê eles perseguem.
Nem eles também o sabem.
Ninguém neste mundo sabe de nada.
Ninguém é de ninguém.
Mas há muitos que fingem o contrário.

E a dança da vida continua.
O presente dança um tango com o passado.
O futuro... não se sabe o que será.