quarta-feira, 25 de abril de 2012

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(RÔ Campos)

E ela, então, ficou a indagar ao nada: O quê vou fazer, amanhã, quando acordar,
Se eu sei que ele não vai voltar?
Eu, ouvindo os pensamentos dela,
Fiquei a falar ao vento: Diga a ela que, se ele não volta,
Mesmo assim, a vida há de continuar.
Ficar, não faz sentido.
Viver, é o que importa.
Abrir a porta, pra vida entrar.

sábado, 14 de abril de 2012

VELHO ARMANDO, SEU BOTECO E EU

Até agora eu nada falei sobre a partida do velho Armando de guerra. Depois desse artigo do Bessa, então, é que me calo. Mas, confesso-lhes, quando eu estiver desvivendo, as muitas histórias que vivi naquele boteco, com certeza, passarão pelos meus olhos. As quatro últimas (com Armando, óbvio, ainda vivo), então, nem se fala. Foi lá que conheci Marcelo, o hippie, sob o olhar assustado do velho Armando e de D. Lourdes, quando nos viram aos beijos (dois meses após termos nos conhecido, no dia 29 de setembro de 2010, aniversário do Marcelo). Eu e meu mano Antonio Pereira estávamos lá no Tacacá na Bossa e, ao término, rumamos pro boteco para tomarmos umas geladas e batermos um papo. Pereira já conhecia Marcelo há algum tempo. Ele juntou-se a nós, ficamos cara a cara...e eu me apaixonei por aquela criatura franzina e linda, e por sua história que carregava numa mochila. As garotas atendentes do ET BAR (outro que, com certeza, estará presente no momento da minha desvivência, até porque, dentre outras coisas lindas que vivi ali, foi lá que começou a nossa história, quando o dia 20 de novembro de 2010, sábado, começava a nascer, exatamente o dia em que também nasci há 53 anos) o chamavam de VIDA, porque, ao perguntarem a ele o que carregava naquela mochila entupetada, respondia: a minha vida. É por obra de Marcelo que tenho uma recordação material de Armando, além do bar, é claro: um jaleco branco que o nosso amado velho deu para Marcelo, não me perguntem por que. Quem sabe...para eu ficar de recordação!!!!!

‎("O Armando da BICA", por José Ribamar Bessa Freire
http://rogeliocasado.blogspot.com.br/2012/04/o-armando-da-bica-por-jose-ribamar.html
De: Rogelio Casado)

terça-feira, 3 de abril de 2012

CRIANÇA DE 12 ANOS, ESTUPRADA. STJ DIZ: PROSTITUTA.

Quem vai cuidar de nossas crianças?
E os criminosos - o que será feito deles?
Continuarão soltos, impunes, loucos, insanos?
Ou encarcerados, festejando, debochando de nossa cara?

Tanto faz! Tanto faz!
O que faz, então, a diferença?:
- Ora, pois - essa infeliz crença da justiça
Da infância prostituída.

Não são suas - essas crianças
Violadas, de vidas extraviadas, perdidas
As suas estão em suas casas, fortalezas
Bem vividas, bem criadas, protegidas.

Juízes! Juízes!
Assinem em cima, embaixo
Avalizem esse holocausto
E aguardai a sentença final, que será lavrada com o sangue em seu quintal.

terça-feira, 27 de março de 2012

LUCAS...E ERA SÓ UMA CRIANÇA!

(RÔ Campos)

Para onde foi a pureza de Lucas? Para onde? Vidas extraviadas, impiedosamente, covardemente, impunemente, como se fossem vermes nojentos...e são só crianças. Crianças vítimas de pais desestruturados, bêbados, drogados, que, por sua vez, são vítimas de seus pais, e aí o mundo vai girando, girando, girando, sem que a miséria tenha fim, sem que essa condição de miserabilidade extrema receba uma luz. Mundo estúpido. Gente estúpida, indiferente, fria, vazia. Escravos do dinheiro, da hipocrisia, da luxúria, da ganância desmedida, crueis avaros.

Meus filhos, aos doze anos, eram meus anjos, minhas crianças, que contavam com meu colo, com meus cuidados, com minha vigília, com os meus olhos. Lucas, aos doze anos, não teve olhos sobre ele, não teve amor, não soube o que era cuidado. Enveredou por caminhos oblíquos...não sabia o que era reto. Uma criança desamparada, machucada, adulterada...caindo nas teias do tráfico. E era só uma criança.

E onde estava o Estado, que afirma os direitos das crianças nas letras, nas palavras, na dita Carta Magna...e nega esses direitos, na realidade? E era só uma criança, que quedou nos braços armados do crime...e acabou, aos doze anos...degolada. Foi isso que disseram os jornais. E lá se vai o corpinho de Lucas, carregado pelos policiais. Agora, já não há mais tempo. Lucas, que não teve tempo pra sonhar, já não acordará. E era só uma criança. Doze anos, como doze - dizem os livros - eram os discípulos de Jesus, o Cristo. Doze homens. O que mudou no mundo de lá pra cá? Mudou? E agora, Lucas, quem te ninará?

segunda-feira, 19 de março de 2012

CANTIGA PELA VIDA

(RÔ Campos)

Voa passarinho,
Bate tuas asas.
Canta um canto ao voar,
Canta a vida, sabiá.

Sabia, sabiá,
Sabia, sei,
Que um dia eu serei dele,
E ele meu será também.

Soube, naquele dia,
Meu sabiá, era tarde
Quando te ouvi cantar,
Na janela do meu quarto.

Logo depois, partiste, alegre,
E eu, aqui, fiquei triste.
Mas chegou o ben-ti-vi,
E se pôs a cantar - e eu sorri.
Verdadeiramente, a música é um ser vivo, pulsante, uma Entidade corpórea, uma energia que orbita em torno de tudo que vibra, que vive.


sábado, 17 de março de 2012

POEIRA

(RÔ Campos) Quem pensas tu que és Se não és nada. (Não vales mais que um espirro!). Que pensas? Que pensas? Se o ar que aspiras te é dado. Quem pensas tu que és Se o sol que te dá vida não é vendido; Se a água que te sacia tem uma nascente, E não foste tu que a fizeste. Quem pensas tu que és Se quando aqui puseste os pés estava tudo pronto; Se o dinheiro que escondes é o teu engodo. Quem pensas tu que és Se aqui chegaste de onde; Se vem a fúria do vento e tudo arrebenta; Se a natureza inclemente te reduz. Quem pensas tu que és Se, sozinho, não és nada; Se os abutres na estrada Pinicarão tuas vísceras? Quem pensas tu que és Se amanhã a luz pode te faltar, A visão pode te trair, E a vida, emudecida, pode partir?