OBS: ESTA LISTA NÃO SE ENCERRA POR AQUI. VEM O SEGUNDO TEMPO.
1) VANESSA CAMPOS, minha sobrinha, cuja fortaleza me causa inveja, aquela das boas. Ela é como Fênix!
2) ROSALBA CAMPOS, minha irmã, nossa segunda mãe, a madre superiora, por haver alcançado um estágio elevado de espiritualização, pela sua doçura, por sua humildade às vezes desconcertante;
3) MARINA CAMPOS, minha mãezinha querida do meu coração. Queria muito ser forte como ela, ter a coragem que ela sempre teve. Minha mãe nunca teve medo de nada. Ainda agora, com 79 anos, ela teima em digladiar-se com o maldito alemão, esse de nome tão feio, Alzheimer! Ela não se entrega! Saravá!
4) LUZINETE, nossa preta querida, a BABÁ de meu ex-amado Eugênio Teixeira, Ricardo Teixeira, Suzany Teixeira e Geraldo Teixeira, tudo pernambucano cabra da peste, de Garanhus, assim como BABÁ. Por sua sabedoria, sem nenhum estudo ter. Por doar-se tanto e esquecer de si mesma. Por sua inesgotável fonte de amor;
5) JOÃO FREIRE, dentista, meu querido amigo há 21 anos, praticante do Espiritismo há décadas, um solidário de carteirinha;
6) GESSY, nossa ex-secretária para assuntos domésticos aqui em nosso lar-doce-lar. Por sua fé inabalável. Cinco filhos. Dois foram, na mesma época, parar na cadeia. Um deles mal havia completado 18 anos. Um, já está livre; o outro, apodrecendo na penitenciária. E ela não desiste de seus filhos. NUNCA!;
7) CÉLIA, nossa ex-vizinha no Japiim. Pela sua perseverança na luta contra o câncer há mais de 5 anos, luta esta encetada principalmente pelo desejo de criar seu filhinho, vê-lo crescer dando-lhe o amor que toda criança precisa para viver. Há brilho nos seus olhos, mesmo em meio a tantas adversidades;
8) EDMILSON, um cliente meu há cerca de 20 anos. Lutamos durante anos tentando conseguir sua aposentadoria por invalidez, em virtude de haver sofrido um acidente de trabalho em 1990, quando dirigia o veículo da empresa na qual trabalhava como motorista. Durante esse tempo, ele recebia, a título de auxílio-doença, algo como um terço do salário mínimo. Ingressamos também com ação na Justiça do Trabalho, pleiteando indenização por danos morais e materiais. Que périplo!
Não conseguimos ganhar a aposentadoria, mas, vitoriosos na Justiça do Trabalho, ano passado, finalmente, celebramos um acordo que lançou luz sobre a vida do sr. Edmilson;
9)GERSON SANTOS, nosso querido amigo vitimado por um AVC em fevereiro de 2009, que lhe deixou sequelas, mas, felizmente, não lhe roubou a lucidez. Um apaixonado pela vida e pela música, que continua seguindo a sua trajetória;
10)ÍRIA, a Loura do ET BAR, porque não é pra qualquer um administrar um boteco, pior ainda quando se é mulher, neste país tão preconceituoso, tão machista. Ainda mais que ela faz isso por puro prazer...e não por necessidade alguma. O ET BAR é a vida da Íria. E ai daquele que ousar sacaneá-la. Ela se veste de leoa;
11) NINA, minha irmãzinha querida. Quem a conhece sabe por que estou dizendo isso. Uma enciclopédia musical. Adora música e dançar. Um pequeno grande ser. A Tia Pequenina de nossos sobrinhos;
12) RODRIGO, meu sobrinho. Por estar buscando montar as peças desse quebra-cabeça que é a vida. Por haver crido em meio a tanta escuridão. Por não haver desistido.
13) ÉRIC, meu filho. Por haver seguido os meus passos. Por ter chutado o pau da barraca. Por ter aberto a porta de seu coração e deixado o amor entrar, sem medo de se arriscar. Por ter nos dado Diogo, essa criança linda que veio iluminar nossas vidas;
14) AS MULHERES E HOMENS HAITIANOS REFUGIADOS EM MANAUS, tão longe dos seus, tão longe, e tão perto de Deus, mesmo tão abalados, tão sofridos, tão humilhados por esse mundo injusto...E ainda assim seguem, com um sorriso no rosto, em busca de uma nova pátria;
15) A TODAS AS MÃES ANÔNIMAS QUE TIVERAM SEUS FILHOS BRUTALMENTE ARRANCADOS DE SEU COLO, por não desistirem da vida, apesar de tanta dor. Só o amor de mãe salva!
sábado, 31 de dezembro de 2011
A AVENTURA QUE É VIVER
(RÔ Campos)
Quero escrever. Quero escrever e não estou sabendo como iniciar. Muita coisa vem à minha mente e o enredo se confunde. Luz! Luz é o que importa. Onde há Luz, há vida. Quero poder continuar essa caminhada não me mantendo fixa na direção do meu foco, de onde quero chegar. Quero poder olhar para os lados, para baixo, para cima e até mesmo para trás, e não apenas para adiante. Porque o melhor de tudo isso não é a chegada, pois que certamente atingir a meta é o fim de tudo. O melhor mesmo é a trajetória, é olhar e sentir a beleza à margem da estrada da vida, é curvar-se para retirar as pedras do caminho, as pedras do poeta, que não cansou de dizer, com suas retinas fatigadas, que "tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra". Sim, porque as pedras existem no nosso caminho exatamente para isso, para que possamos nos curvar, para que possamos colocar as mãos sobre elas e retirá-las, não apenas de nosso próprio caminho, mas do caminho dos outros, também. E seguirmos em busca do nosso destino, do destino que forjamos com nossas próprias mãos. Somos homens, e não Deuses. Por isso precisamos nos curvar para percebermos que somos tão pequenos diante desse vasto e misterioso mundo. Se nossos caminhos estivessem todos planos e pavimentados, não haveria qualquer sentido percorrer a estrada da vida. O que faz sentido é desbravar, é tecermos nossa própria engenharia de vida, é sentir o gozo da aventura que é viver. Viver é uma façanha arriscada e é uma grande sorte. Para isso, há que se ser forte, encarar essa aventura com pulsos de pugilista e a pureza das flores. E com a bravura do soldado. Esse mesmo soldado levado à guerra à sua revelia e com o coração partido, mas que não perde a ternura...jamais.
Quero escrever. Quero escrever e não estou sabendo como iniciar. Muita coisa vem à minha mente e o enredo se confunde. Luz! Luz é o que importa. Onde há Luz, há vida. Quero poder continuar essa caminhada não me mantendo fixa na direção do meu foco, de onde quero chegar. Quero poder olhar para os lados, para baixo, para cima e até mesmo para trás, e não apenas para adiante. Porque o melhor de tudo isso não é a chegada, pois que certamente atingir a meta é o fim de tudo. O melhor mesmo é a trajetória, é olhar e sentir a beleza à margem da estrada da vida, é curvar-se para retirar as pedras do caminho, as pedras do poeta, que não cansou de dizer, com suas retinas fatigadas, que "tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra". Sim, porque as pedras existem no nosso caminho exatamente para isso, para que possamos nos curvar, para que possamos colocar as mãos sobre elas e retirá-las, não apenas de nosso próprio caminho, mas do caminho dos outros, também. E seguirmos em busca do nosso destino, do destino que forjamos com nossas próprias mãos. Somos homens, e não Deuses. Por isso precisamos nos curvar para percebermos que somos tão pequenos diante desse vasto e misterioso mundo. Se nossos caminhos estivessem todos planos e pavimentados, não haveria qualquer sentido percorrer a estrada da vida. O que faz sentido é desbravar, é tecermos nossa própria engenharia de vida, é sentir o gozo da aventura que é viver. Viver é uma façanha arriscada e é uma grande sorte. Para isso, há que se ser forte, encarar essa aventura com pulsos de pugilista e a pureza das flores. E com a bravura do soldado. Esse mesmo soldado levado à guerra à sua revelia e com o coração partido, mas que não perde a ternura...jamais.
domingo, 25 de dezembro de 2011
CORAÇÃO VAGABUNDO
(RÔ Campos)
Tenho um coração vagabundo
Que vive procurando emprego
Quando aparece um contrato
É só desespero
Não vale a pena
É sempre um empregador ordinário
(Que paga pequeno salário
Por meu coração, que é tão grande)
E não me dá descanso, um instante.
Além do excesso de labor, da sobrejornada
Horas extras 100%, sobreaviso, trabalho noturno
Da ausência de intervalo para repouso
Do descanso hebdomadário
Mata meu coração de fome, de sede
É um empregador salafrário.
Por causa de tanta exploração
Meu coração vagabundo
Que já girou o mundo
Muitas vezes fugindo do vício,
Do ócio
Buscando uma ocupação
Um ofício,
Hoje em dia é um preguiçoso
Não quer mais saber de trabalho
Horário, regras, desvalorização
Meu coração vagabundo
Tornou-se único
É da vida. É do mundo
Não é de ninguém.
(Acabei de compor. É a minha irreverência e o meu lado advogada (trabalhista) falando alto. Pra quem não sabe, hebdomadário significa semanal, semanário, logo, descanso hebdomadário é justo esse que todo trabalhador tem direito ao final de uma jornada semanal; trabalho noturno é aquele trabalhado entre as 22:00h e 05:00h da manhã seguinte, que, por lei, deve ser acrescido de um percentual de, no mínimo, 20% sobre a hora normal, o chamado adicional do trabalho noturno; horas extras a 100% aquelas trabalhadas nos domingos e feriados ou conforme convenção ou acordo coletivo de trabalho; labor é sinônimo de trabalho; sobrejornada são as horas trabalhadas além da jornada (horário) normal de trabalho; empregador salafrário é um patife que vive de explorar o trabalhador. Tá cheio disso. Desculpem se esqueci alguma coisa. São as férias, em razão do recesso forense que, para nós, encerra-se no dia 08 de janeiro.
Tenho um coração vagabundo
Que vive procurando emprego
Quando aparece um contrato
É só desespero
Não vale a pena
É sempre um empregador ordinário
(Que paga pequeno salário
Por meu coração, que é tão grande)
E não me dá descanso, um instante.
Além do excesso de labor, da sobrejornada
Horas extras 100%, sobreaviso, trabalho noturno
Da ausência de intervalo para repouso
Do descanso hebdomadário
Mata meu coração de fome, de sede
É um empregador salafrário.
Por causa de tanta exploração
Meu coração vagabundo
Que já girou o mundo
Muitas vezes fugindo do vício,
Do ócio
Buscando uma ocupação
Um ofício,
Hoje em dia é um preguiçoso
Não quer mais saber de trabalho
Horário, regras, desvalorização
Meu coração vagabundo
Tornou-se único
É da vida. É do mundo
Não é de ninguém.
(Acabei de compor. É a minha irreverência e o meu lado advogada (trabalhista) falando alto. Pra quem não sabe, hebdomadário significa semanal, semanário, logo, descanso hebdomadário é justo esse que todo trabalhador tem direito ao final de uma jornada semanal; trabalho noturno é aquele trabalhado entre as 22:00h e 05:00h da manhã seguinte, que, por lei, deve ser acrescido de um percentual de, no mínimo, 20% sobre a hora normal, o chamado adicional do trabalho noturno; horas extras a 100% aquelas trabalhadas nos domingos e feriados ou conforme convenção ou acordo coletivo de trabalho; labor é sinônimo de trabalho; sobrejornada são as horas trabalhadas além da jornada (horário) normal de trabalho; empregador salafrário é um patife que vive de explorar o trabalhador. Tá cheio disso. Desculpem se esqueci alguma coisa. São as férias, em razão do recesso forense que, para nós, encerra-se no dia 08 de janeiro.
LIBERTARIANISMO
(TEXTO EXTRAÍDO DO PORTAL LIBERTARIANISMO. DEFINITIVAMENTE, EU SOU UMA LIBERTÁRIA! ACREDITO PIAMENTE NA LIBERDADE, E PENSO QUE ESSE É O ÚNICO CAMINHO CAPAZ DE NOS GUIAR NA DIREÇÃO DE UM MUNDO MELHOR, MAIS JUSTO E PACÍFICO, PORQUE BASEADO NA LIBERDADE DE ESCOLHA, COMBINADO COM RESPONSABILIDADE E TOLERÂNCIA. SOMOS REALMENTE RESPONSÁVEIS PELOS NOSSOS DESTINOS, E, CONSEQUENTEMENTE, RESPONSÁVEIS PELO DESTINO DE TODA A HUMANIDADE. DEPENDE DE NÓS SERMOS BONS OU MAUS. DEPENDE DE NÓS AMARMOS OU SERMOS INDIFERENTES. DEPENDE DE NÓS ESTENDERMOS AS MÃOS OU A MANTERMOS ESTICADA EM DIREÇÃO AO CHÃO, PORQUE, AFINAL, SÃO AS NOSSAS MÃOS, E NÓS, APENAS NÓS, PODEMOS MOVIMENTÁ-LAS. NOSSAS MÃOS ESTÃO CONECTADAS AO NOSSO CÉREBRO. NÃO SOMOS ROBÔS. SOMOS HOMENS).PARA REFLETIR NESTE NATAL (RÔ CAMPOS)
"Libertarianismo é, como o nome implica, a crença na liberdade. Libertários acreditam no melhor dos mundos - livre, pacífico e abundante, onde cada indivíduo tem a máxima oportunidade de perseguir seus sonhos e realizar todo o seu potencial.
A ideia central é simples, mas profunda em suas implicações. Libertários acreditam que cada pessoa é dona de sua própria vida e propriedade, e que tem o direito de fazer sua próprias escolhas de como viver sua vida - conquanto que ela respeite o mesmo direito de outros a fazer o mesmo.
Outra forma de dizer isso é que libertários acreditam que você deve ser livre para fazer suas escolhas com sua própria vida e propriedade, desde que você não prejudique outras pessoas e suas propriedades.
Libertarianismo é então a combinação de liberdade (a liberdade de viver sua vida em qualquer forma pacífica que você escolha), responsabilidade (a proibição de usar a força contra outros, exceto em defesa), e tolerância (honrando e respeitando a escolha pacífica de outros)."
"Libertarianismo é, como o nome implica, a crença na liberdade. Libertários acreditam no melhor dos mundos - livre, pacífico e abundante, onde cada indivíduo tem a máxima oportunidade de perseguir seus sonhos e realizar todo o seu potencial.
A ideia central é simples, mas profunda em suas implicações. Libertários acreditam que cada pessoa é dona de sua própria vida e propriedade, e que tem o direito de fazer sua próprias escolhas de como viver sua vida - conquanto que ela respeite o mesmo direito de outros a fazer o mesmo.
Outra forma de dizer isso é que libertários acreditam que você deve ser livre para fazer suas escolhas com sua própria vida e propriedade, desde que você não prejudique outras pessoas e suas propriedades.
Libertarianismo é então a combinação de liberdade (a liberdade de viver sua vida em qualquer forma pacífica que você escolha), responsabilidade (a proibição de usar a força contra outros, exceto em defesa), e tolerância (honrando e respeitando a escolha pacífica de outros)."
SANGRANDO II
(RÔ Campos)
Era um rapaz
Não tinha olhos claros
Nem azuis
Ao contrário
Era negro
Estava só
Sentado à porta da pensão
Com o rosto entre as mãos
Dormia, talvez cochilasse
Certamente não sonhava
Era solidão
E, quem sabe,
Carregava um mundo inteirinho
Em seu coração.
É Natal!
Então, é Natal!
E ele, ali, tão sozinho
Tão perto do nada
Tão distante dos seus
Sentado à porta da pensão
Sem família, sem amigos
Sem cama, nem colchão.
Pensei em lhe estender as mãos
Convidá-lo a passear
Queria lhe falar qualquer coisa
Desejar feliz Natal
Dizer também dos meus sonhos
Que ficaram para trás
Nos escombros do passado.
As palavras restaram presas na garganta
Ele não levantou a cabeça
Minha visão embaçou
Enquanto o outro homem sumia na escuridão
Ele, que também era solidão
Na noite de Natal.
Acendi um cigarro
Dei partida no carro
Voltei pra casa.
E o jovem rapaz continuou ali
À porta da pensão, fechada
Numa solidão cortante
E um mundo inteiro em seu coração:
Família, amigos, amores perdidos, irmãos
Quem sabe!
Quem sabe!
O tamanho dessa humana solidão
Ou dessa solidão desumana!?
Meus olhos marejaram
Meu coração chorou, chorou
A dor dele era também a minha dor
Uma dor cortante
Que, ainda assim, sorria
Sem nem saber pra onde
Pra quem
Sorriu, ao levantar a cabeça
Retirar as mãos do rosto
E voltou pro seu sono, sem sonhos
Pra sua solidão
Com um munto inteiro em seu coração
Família, amigos, amores perdidos, irmãos
Sonhos despadaçados
Sob os escombros do passado.
Era um rapaz
Não tinha olhos claros,
Nem azuis
Ao contrário
Era negro
Esta só
Sentado à porta fechada da pensão
Com o rosto entre as mãos
Em sua cruciante solidão
E um mundo inteiro em seu coração.
(Acabei de deparar-me com essa situação, ao deixar um amigo nas proximidades dessa pensão, no centro de Manaus, que fecha as portas a 1 da manhã e só abre quando o dia amanhece. Ele estava ali, um jovem aparentando 27 anos, negro, talvez um estrangeiro, sentado, com o rosto entre as mãos, alheio ao que se passava, cochilando ou dormindo, esperando o dia raiar para entrar na pensão. Choquei! Eu, que estava voltando para casa, para os meus).
Era um rapaz
Não tinha olhos claros
Nem azuis
Ao contrário
Era negro
Estava só
Sentado à porta da pensão
Com o rosto entre as mãos
Dormia, talvez cochilasse
Certamente não sonhava
Era solidão
E, quem sabe,
Carregava um mundo inteirinho
Em seu coração.
É Natal!
Então, é Natal!
E ele, ali, tão sozinho
Tão perto do nada
Tão distante dos seus
Sentado à porta da pensão
Sem família, sem amigos
Sem cama, nem colchão.
Pensei em lhe estender as mãos
Convidá-lo a passear
Queria lhe falar qualquer coisa
Desejar feliz Natal
Dizer também dos meus sonhos
Que ficaram para trás
Nos escombros do passado.
As palavras restaram presas na garganta
Ele não levantou a cabeça
Minha visão embaçou
Enquanto o outro homem sumia na escuridão
Ele, que também era solidão
Na noite de Natal.
Acendi um cigarro
Dei partida no carro
Voltei pra casa.
E o jovem rapaz continuou ali
À porta da pensão, fechada
Numa solidão cortante
E um mundo inteiro em seu coração:
Família, amigos, amores perdidos, irmãos
Quem sabe!
Quem sabe!
O tamanho dessa humana solidão
Ou dessa solidão desumana!?
Meus olhos marejaram
Meu coração chorou, chorou
A dor dele era também a minha dor
Uma dor cortante
Que, ainda assim, sorria
Sem nem saber pra onde
Pra quem
Sorriu, ao levantar a cabeça
Retirar as mãos do rosto
E voltou pro seu sono, sem sonhos
Pra sua solidão
Com um munto inteiro em seu coração
Família, amigos, amores perdidos, irmãos
Sonhos despadaçados
Sob os escombros do passado.
Era um rapaz
Não tinha olhos claros,
Nem azuis
Ao contrário
Era negro
Esta só
Sentado à porta fechada da pensão
Com o rosto entre as mãos
Em sua cruciante solidão
E um mundo inteiro em seu coração.
(Acabei de deparar-me com essa situação, ao deixar um amigo nas proximidades dessa pensão, no centro de Manaus, que fecha as portas a 1 da manhã e só abre quando o dia amanhece. Ele estava ali, um jovem aparentando 27 anos, negro, talvez um estrangeiro, sentado, com o rosto entre as mãos, alheio ao que se passava, cochilando ou dormindo, esperando o dia raiar para entrar na pensão. Choquei! Eu, que estava voltando para casa, para os meus).
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
ANJO E DEMÔNIO
(RÔ Campos)
Mora dentro de mim um desejo indizível de expandir-me
Mora dentro de mim um desejo latente de transbordar-me
Mora dentro de mim um quê que me abre, que nunca me fecha
Mora dentro de mim uma saudade infinita; uma vontade de viver e morrer jamais
Mora dentro de mim um poeta, um cantador, a palavra e o eco
Mora dentro de mim uma alma penitente, renitente, persistente;
Uma alma que ri e que chora
Um chorar por mim e por ti, que sempre chora, que nunca ri
Mora dentro de mim, à minha revelia e sob o meu olhar que condescende, um carcereiro.
E moram dentro de mim asas que me levam a voar, voar, voar...
Mora dentro de mim um coração franzino
Que tem alma de menino
Que faz-me crer que desfruto do tempo - de todo o tempo do mundo
Para viver e amar e gozar demasiadamente
Mora dentro de mim uma luz que acende quando a escuridão se avizinha
Mora dentro de mim um grande Bem, um farol, cujo mal espanta
Mora dentro de mim um querer tanto
Mora dentro de mim um prazer por amar hoje mais que ontem
Mora dentro de mim um êxtase, um transcender
Mora dentro de mim um eterno desejo de descobrir, o conservador e o novo
Mora dentro de mim a vontade de saber e de não saber se o saber me diz que não saber às vezes é melhor, ajuda a viver
Mora dentro de mim a essência do ser, a semente do viver, a alegria de amar incondicionalmente
Moram dentro de mim um anjo e um demônio
O anjo está sempre acordado; o demônio dorme.
Mora dentro de mim um desejo indizível de expandir-me
Mora dentro de mim um desejo latente de transbordar-me
Mora dentro de mim um quê que me abre, que nunca me fecha
Mora dentro de mim uma saudade infinita; uma vontade de viver e morrer jamais
Mora dentro de mim um poeta, um cantador, a palavra e o eco
Mora dentro de mim uma alma penitente, renitente, persistente;
Uma alma que ri e que chora
Um chorar por mim e por ti, que sempre chora, que nunca ri
Mora dentro de mim, à minha revelia e sob o meu olhar que condescende, um carcereiro.
E moram dentro de mim asas que me levam a voar, voar, voar...
Mora dentro de mim um coração franzino
Que tem alma de menino
Que faz-me crer que desfruto do tempo - de todo o tempo do mundo
Para viver e amar e gozar demasiadamente
Mora dentro de mim uma luz que acende quando a escuridão se avizinha
Mora dentro de mim um grande Bem, um farol, cujo mal espanta
Mora dentro de mim um querer tanto
Mora dentro de mim um prazer por amar hoje mais que ontem
Mora dentro de mim um êxtase, um transcender
Mora dentro de mim um eterno desejo de descobrir, o conservador e o novo
Mora dentro de mim a vontade de saber e de não saber se o saber me diz que não saber às vezes é melhor, ajuda a viver
Mora dentro de mim a essência do ser, a semente do viver, a alegria de amar incondicionalmente
Moram dentro de mim um anjo e um demônio
O anjo está sempre acordado; o demônio dorme.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
http://youtu.be/hchTdQVAig8
Se Deus Pai me permitir, muito breve estarei lá, nos Andes, em Máchu Píchhu, Cuzco, Nazca, em todo o Peru. Se Deus pai me permitir, verei o Condor passar. Serei eu, em liberdade plena, a voar nos céus dos Andes. Ali, onde nasce o Grande Rio,o maior do mundo, o Amazonas. No Peru...Na Cordilheira dos Andes...No Planalto de La Raya. Tantos são os nomes que recebe, desde a nascente e em todo o místico e aguerrido Peru. Solimões, quando se esparrama em leito de nossas terras. Amazonas, quando se une, sem jamais se misturar, ao Rio Negro, esse enigmático rio de águas negras, que também nasce nos Andes, na Colômbia. Se Deus Pai me permitir, muito breve estarei lá, no Peru, em território dos Inkas. Um povo que nunca se rendeu...e desapareceu...sem deixar rastros. Estarei lá. Na Festa do Sol.
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