Antes de começar a escrever, pensei que título dar a este artigo, mas confesso que estou tão perplexa que não consegui, e resolvi então enfiar os dedos no teclado, deixando o título para depois.
Acabo de chegar do Hospital Adventista de Manaus, onde deixamos nossa mãe internada, após uma jornada iniciada na quarta-feira passada, quando começou a sentir-se mal e a levamos inicialmente à Clínica Santo Alberto. Ontem, próximo da meia-noite, novamente mamãe passou mal, com os mesmos sintomas da quarta-feira. Resolvemos levá-la ao Adventista, de onde, após medicada e estabilizada, saiu com o diagnóstico de hipoglicemia. Segundo o médico que a atendeu, ao chegar, encontrava-se em pré-coma de diabetes. Foi muito bom vê-la bem e voltar para casa. Mas, hoje, no final da tarde, fomos surpreendidos com um novo mal-estar. Retornamos ao Adventista, onde, conforme falei no início, acabou de internar-se. Recebemos um atendimento ímpar, de forma unânime, o que nos deixa confortados, sabendo que encontra-se em boas mãos. Porém, não dá para deixar passar despercebido o escândalo que é estarmos à frente do pronto socorro, sentados nos bancos, aguardando o resultado de tudo, a um passo de um ataque de nervos, ouvindo em decíbeis absolutamente vergonhosos, o som (de extremo mau gosto - diga-se de passagem) de uma casa noturna de nome assustador (casa do terror), num desrespeito sem precedentes ao ser humano.
Perguntei a um funcionário do hospital que medidas eles já haviam tomado para por fim
aquele absurdo, ao que me respondeu que de nada adiantaram todos os esforços envidados ao longo de vários anos, porque, segundo ele, o local é frequentado por gente poderosa. Comentou-me, inclusive, a respeito de pessoas que, às vezes, saem do hospital desesperadas, lutando com todas as forças para salvar as vidas de entes queridos, ou até mesmo enlutadas, ao som estridente e cadavérico da casa do terror.
Juro que não entendi e não consigo deglutir a questão, e disse-lhe que procurassem o Ministério Público, que berrassem aos quatros cantos desta cidade, que denunciassem com veemência, que cobrassem do poder público uma atitude legítima, capaz de coibir definitivamente os abusos dessas pessoas que não respeitam a vida alheia , que mobilizassem a imprensa, que fossem a uma delegacia de polícia - é, isso é verdadeiramente um caso de polícia.
E, acreditem, mesmo na enfermaria do pronto socorro (na parte interna do edifício, portanto), onde minha mãe, antes de internar-se, permaneceu durante umas 5 horas, ouvia-se o barulho ensurdecedor das músicas (?)tocadas naquele local. Uma vergonha!!!!
sábado, 29 de janeiro de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
NÍVER DE CLEBER CRUZ & CELEBRIDADES
Muito lindo o show de aniversário do meu querido amigo Cleber Cruz (que completa nova data hoje), realizado ontem, no O Fino da Bossa. Melhor, ainda, foi reencontrar vários dos nossos célebres amigos músicos, pois há mais de ano estamos todos muito dispersos. Muito bom, mas muito bom mesmo abraçar, beijar e ouvir cantar Antonio Pereira, Zeca Torres, Fred Jobim, Gean Sales, Renatinho, Nicolas Junior, Gil Valente, Lucia (Lucinha Cabral, nega querida, quanta saudade!). E, ainda, Simone Ávila, Jane Bastos botando pra quebrar, Pedrinho Ribeiro com minha xará e, além do mais, escorpiana como euzinha, e...Cileno (como posso ter te perdido, se você nunca me pertenceu...!!!!!!! D+). Na banda, Marcelo Picanço (baixo), com quem não falava pessoalmente há meses, Baiano (batera), dando o seu costumeiro show de caetanagem, e o meu lindo Émerson Marcelo (guitarra). Cleber Cruz com sua Yuki, felizes à beça com a prestigiada noite. Dentre os que compareceram à convocação de Yuki, pincei por lá Denilson Novo, lindo como sempre; o meu amigo lá das bandas da Bahia, Batatinha, frequentador assíduo do ET BAR (com amigos e um irmão uma gracinha... hum, depois eu conto...que diz-que vai estar hoje no ET BAR.Tomara!); Olinda e um casal de amigos; Zotti, o filhote e um amigo petroleiro lá das bandas de Natal/RN.
E LA NAVE VA...
E la nave va! Vai-se a nave com as cinzas, mas não é o fim. Acho que nem Fellini teve qualquer intenção de cogitar sobre a finitude em sua película. Tudo está gravado no éter. Cada vez que o resultado de uma experiência me causa dor, passado o período das incertezas, e caindo-me aos olhos a verdade, já não sinto mais tristeza nem dor, e cresço, porque nenhuma traição, nenhuma canalhice, nenhum desengano vai roubar minha alegria de viver, pois seria a vitória do algoz sobre mim. Aprendo cada dia mais com a inteligentalha, tão presa à mesquinharia, à sordidez. Sou grande!
sábado, 22 de janeiro de 2011
NOITE DE SEXTA-FEIRA NO ET BAR
Ontem, novamente, o ET BAR estava tudo de bom, uma ferverção total. Gente do Brasil todo - e do mundo (França, Itália, Argentina), que amou o nosso point alternativo mais querido de Manaus. Denilson Novo bateu o ponto novamente. Claudinho Nunes deu uma canja bem supimpa. Kokó Rodrigues apareceu, depois de umas férias radicais em sua terra natal, Belém do Pará, e fez rolar muito Chico Buarque. Osmar e Cabral, cantores da casa, como sempre levando o repertório que a galera adoooora, com MPB, forró, xote, bossa e samba. Três horas da manhã e a bebida toda havia acabado. No final, vejo Vítor, o gatão filho do meu querido e amado amigo Zeca Torres, o Torrinho. O ET BAR é, indiscutivelmente, o melhor boteco de Manaus. E isso aqui não é propaganda, não. É meu lugar preferido às sextas-feiras, chova ou faça sol. Passe lá! Você vai se esbaldar, mandando o estresse para bem longe.
ADEUS, TRISTEZA!
Imaginem vocês, eu andando meio triste, não sem razão, é claro, pelo menos a meu modo. Mas essa razão deixou de sê-lo no momento em que, refletindo, ouço uma voz interior a me lembrar sobre a catástrofe na região serrana do Rio de Janeiro e o destino de milhares de pessoas que tudo perderam, dezenas de crianças órfãs, famílias inteiras desaparecidas. Eu, aqui, no conforto de minha casa, com saúde, família, uns poucos e queridos amigos, desfrutando da vida e de tudo que ela me oferece, como posso dar-me ao "luxo" de estar triste? Quanta insensatez! As energias que estaria desperdiçando para alimentar a minha tristeza, poderia muito bem canalizá-la para um bem, um bem maior, e foi justamente o que fiz. Adeus, tristeza. Pode entrar, serenidade, a porta está aberta.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
POR TANTO AMAR (RÔ Campos)
No meu coração há um porto solidão,
Tantas as embarcações que já naufragaram
Nos rios desse pobre coração;
Tantas as noites de agonia,
Que já nem posso recordar os dias de calmaria.
Mas inda sigo a procurar uma estrela,
Para esse porto solidão iluminar,
E que me leve além, muito além,
A navegar, sem rumo, sem rota,
Mesmo que seja pra morrer de amor,
Em alto mar.
Pois prefiro a sorte da morte por tanto amar,
Que o azar da vida de solidão de quem não ama.
Tantas as embarcações que já naufragaram
Nos rios desse pobre coração;
Tantas as noites de agonia,
Que já nem posso recordar os dias de calmaria.
Mas inda sigo a procurar uma estrela,
Para esse porto solidão iluminar,
E que me leve além, muito além,
A navegar, sem rumo, sem rota,
Mesmo que seja pra morrer de amor,
Em alto mar.
Pois prefiro a sorte da morte por tanto amar,
Que o azar da vida de solidão de quem não ama.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
OS SOFRIMENTOS DO JOVEM WERTHER
Há alguns anos cheguei a comprar vários livros editados pela Editora Nova Cultural Ltda, relativos a obras-primas da humanidade, onde 1% da receita obtida com a venda foi revertido ao projeto Ler é Preciso de incentivo à cultura, coordenado pelo Instituto Ecofuturo, ONG criada pela Cia. Suzano. Vários deles ainda não li até hoje. Dentre eles, há Fausto e Werther (em um único volume), do alemão Goethe.
Outro dia,li uma frase no perfil do orkut de um amigo virtual, também conhecido na vida real, que achei interessante, e perguntei-lhe de quem era, ao que me respondeu que seria de Goethe. O amigo, então, me falou a respeito de Os sofrimentos do Jovem Werther, obra de Goethe, indicando-me para leitura. Lembrei-me que o tinha aqui, e que ainda não o havia lido, assim como pouco ou quase nada sabia em torno da vida desse grande artista alemão. De segunda para terça-feira passada, durante seis horas, devorei o livro, sem parar um minuto a sua leitura, de tão impactante que é todo o seu desenrolar, vendo o dia amanhecer. Ao final, refleti: algúem que esteja fragilizado ou depressivo, desencantado, pode se deixar levar pelos argumentos utilizados pelo jovem Werther, para dar cabo à vida. No livro não há qualquer referência sobre Goethe, e eu sou daquelas que não abrem mão de conhecer a biografia dos autores que lê. Há pouco, antes de começar a escrever este artigo, pesquisei na net sobre a vida de Goethe - e não deu outra. Li que, á época do lançamento do livro, ondas de suicídio se espalharam na Alemanha, o que ficou conhecido como "o caso Werther". Goethe, juntamente com o amigo Schiller, foram os responsáveis pelos rumos que a arte Alemã tomou.
A partir de hoje e até finalizar, vou transcrever vários fragmentos extraídos do livro, que compunham o pensamento de Goethe e que vêm ao encontro do meu:
1. "Quero fruir o presente e considerar o passado como passado. Você tem razão: os homens sofreriam menos se não se aplicassem tanto (e Deus sabe por que eles são assim!) a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se por tornar suportável um presente medíocre."
2. "As pessoas de condição elevada mantêm habitualmente uma fria reserva para com a gente comum, só pelo temor de diminuir-se com essa aproximação. Além disso, há os imprudentes que só fingem condescendência para melhor ferir, com seus modos arrogantes, a gente humilde."
3. "Aquele que julga necessário, para se fazer respeitar, distanciar-se do que nós chamamos povo, é tão digno de lástima como o covarde que se esconde à aproximação do inimigo, de medo de ser vencido."
4. "Se você me perguntar como é a gente daqui, serei forçado a responder:'A mesma de toda parte'. Como a espécie humana é uniforme! A maioria sofre durante quase todo o seu tempo, apenas para poder viver, e os poucos lazeres que lhe restam são tão cheios de preocupações que ela procura todos os meios de aliviá-las. Oh, destino do homem!"
5. "A vida humana não passa de um sonho."
6. "E, assim, quaisquer que sejam os obstáculos que entravem seus passos, guarda sempre no coração o doce sentimento de que é livre e poderá, quando quiser, sair da sua prisão."
7. "Isto fortaleceu-me a convicção de cingir-me, daqui por diante, unicamente à natureza. Só ela é infinitamente rica e só ela é capaz de formar os grandes artistas. Há muito que dizer a favor das regras de arte, como a favor das leis da sociedade. Quem se forma segundo essas regras não produzirá nunca uma obra absurda, nem completamente ruim; da mesma sorte, um homem educado segundo as leis e o decoro jamais poderá ser um vizinho intolerável, nem um insigne bandido. Não obstante, diga-se o que disser, toda regra destroi o verdadeiro sentimento e a verdadeira expressão da natureza."
8. "Meus dias de felicidade são como os que Deus reserva ao seus santos. Qualquer que seja a sorte que me espera não poderia dizer que não fruí as alegrias mais puras desta vida."
9. "Ora, nada me aborrece mais do que ver as pessoas se atormentarem umas às outras; e sobretudo os jovens, em plena primavera da vida, quando o coração podia desabrochar a todas as alegrias, estragarem reciprocamente os seus melhores dias, para reconheceram mais tarde que esbanjaram bens que nunca mais serão recuperados."
10. "Nós lamentamos com frequência que haja tão poucos dias felizes e tantos dias infelizes; e isto, ao que me parece, é um erro. Se nosso coração estivesse sempre disposto a fruir, sem ideias preconcebidas, os bens que Deus nos dispensa cada dia, teríamos também força para suportar os maus dias, quando eles nos chegam".
Outro dia,li uma frase no perfil do orkut de um amigo virtual, também conhecido na vida real, que achei interessante, e perguntei-lhe de quem era, ao que me respondeu que seria de Goethe. O amigo, então, me falou a respeito de Os sofrimentos do Jovem Werther, obra de Goethe, indicando-me para leitura. Lembrei-me que o tinha aqui, e que ainda não o havia lido, assim como pouco ou quase nada sabia em torno da vida desse grande artista alemão. De segunda para terça-feira passada, durante seis horas, devorei o livro, sem parar um minuto a sua leitura, de tão impactante que é todo o seu desenrolar, vendo o dia amanhecer. Ao final, refleti: algúem que esteja fragilizado ou depressivo, desencantado, pode se deixar levar pelos argumentos utilizados pelo jovem Werther, para dar cabo à vida. No livro não há qualquer referência sobre Goethe, e eu sou daquelas que não abrem mão de conhecer a biografia dos autores que lê. Há pouco, antes de começar a escrever este artigo, pesquisei na net sobre a vida de Goethe - e não deu outra. Li que, á época do lançamento do livro, ondas de suicídio se espalharam na Alemanha, o que ficou conhecido como "o caso Werther". Goethe, juntamente com o amigo Schiller, foram os responsáveis pelos rumos que a arte Alemã tomou.
A partir de hoje e até finalizar, vou transcrever vários fragmentos extraídos do livro, que compunham o pensamento de Goethe e que vêm ao encontro do meu:
1. "Quero fruir o presente e considerar o passado como passado. Você tem razão: os homens sofreriam menos se não se aplicassem tanto (e Deus sabe por que eles são assim!) a invocar os males idos e vividos, em vez de esforçar-se por tornar suportável um presente medíocre."
2. "As pessoas de condição elevada mantêm habitualmente uma fria reserva para com a gente comum, só pelo temor de diminuir-se com essa aproximação. Além disso, há os imprudentes que só fingem condescendência para melhor ferir, com seus modos arrogantes, a gente humilde."
3. "Aquele que julga necessário, para se fazer respeitar, distanciar-se do que nós chamamos povo, é tão digno de lástima como o covarde que se esconde à aproximação do inimigo, de medo de ser vencido."
4. "Se você me perguntar como é a gente daqui, serei forçado a responder:'A mesma de toda parte'. Como a espécie humana é uniforme! A maioria sofre durante quase todo o seu tempo, apenas para poder viver, e os poucos lazeres que lhe restam são tão cheios de preocupações que ela procura todos os meios de aliviá-las. Oh, destino do homem!"
5. "A vida humana não passa de um sonho."
6. "E, assim, quaisquer que sejam os obstáculos que entravem seus passos, guarda sempre no coração o doce sentimento de que é livre e poderá, quando quiser, sair da sua prisão."
7. "Isto fortaleceu-me a convicção de cingir-me, daqui por diante, unicamente à natureza. Só ela é infinitamente rica e só ela é capaz de formar os grandes artistas. Há muito que dizer a favor das regras de arte, como a favor das leis da sociedade. Quem se forma segundo essas regras não produzirá nunca uma obra absurda, nem completamente ruim; da mesma sorte, um homem educado segundo as leis e o decoro jamais poderá ser um vizinho intolerável, nem um insigne bandido. Não obstante, diga-se o que disser, toda regra destroi o verdadeiro sentimento e a verdadeira expressão da natureza."
8. "Meus dias de felicidade são como os que Deus reserva ao seus santos. Qualquer que seja a sorte que me espera não poderia dizer que não fruí as alegrias mais puras desta vida."
9. "Ora, nada me aborrece mais do que ver as pessoas se atormentarem umas às outras; e sobretudo os jovens, em plena primavera da vida, quando o coração podia desabrochar a todas as alegrias, estragarem reciprocamente os seus melhores dias, para reconheceram mais tarde que esbanjaram bens que nunca mais serão recuperados."
10. "Nós lamentamos com frequência que haja tão poucos dias felizes e tantos dias infelizes; e isto, ao que me parece, é um erro. Se nosso coração estivesse sempre disposto a fruir, sem ideias preconcebidas, os bens que Deus nos dispensa cada dia, teríamos também força para suportar os maus dias, quando eles nos chegam".
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