domingo, 28 de maio de 2023

A SOLIDÃO QUE MATA

 A SOLIDÃO QUE MATA

(RÔ Campos)


A solidão,  o abandono,  a indiferença das pessoas que amamos, com as quais contamos, nem que seja para recostarmos  nossa cabeça,  aquelas que esperamos  dias e noites a fio e nunca aparecem, tudo  isso junto e  misturado mata muito mais do que a própria doença de que se foi acometido(a).

Mas a vida é  assim: absolutamente nada passa despercebido  sob o céu que nos protege.  A lei da ação e  reação é  implacável. 



ABORTO

 

(RÔ Campos)


Um dia desses

Cansada de tudo 

Resolvi virar a mesa

Peguei a tesoura

Cortei o cabelo

Joguei fora a tristeza. 


Abri as  minhas gavetas

Vi muita coisa bolorenta

Havia cheiro de mofo

Como esse mundo anda louco!

Gente como a  gente vagando noite a dentro

Buscando para a alma conforto.


Lembrei de um amor antigo

Quando sente saudades,  aparece

Depois se cansa,  e vai embora

Não sem antes pisar  com os pés da intolerância

Desse amor todo torto

Eu já fiz uma espécie de aborto.

sábado, 27 de maio de 2023

NADA FICOU COMO ANTES

 

(RÔ Campos)


Os dias seguem velozes

As horas passam  voando 

Tudo vai indo embora

Os sonhos, os planos,  a memória.


Mas mora em mim  tanta coisa

E uma saudade  tão grande

Foi de repente  avalanche

Nada ficou como antes.


Tento sorrir pras estrelas

Quero espantar a tristeza

Limpar os destroços da guerra

Que meu coração golpeou.

sexta-feira, 26 de maio de 2023

APRENDI

 

(RÔ Campos)


Aprendi a viver só

A solitude faz muito bem

Aprendi que viver só

É  melhor que esperar por alguém.


O amor é  uma armadilha 

É  como estar preso em uma ilha

Sem ninguém pra socorrer.


Aprendi que amar só é  bom

Para quem ama por amar

Sem nada esperar em troca

Pois o amor só sabe dar

E receber é  uma incógnita. 


Muita gente vive assim

Sonhando à espera de alguém

Não sabem que o mundo é  um moinho

A triturar amores mesquinhos.

domingo, 21 de maio de 2023

A LUZ E A ESCURIDÃO

 

(RÔ Campos)


Quem tem muita luz encandeia  aqueles que vivem na escuridão. 

Mas quem vive na escuridão não embaça os que são feitos de luz. 

Quem ama não teme o ódio alheio. 

Mas quem odeia queima no fogo da inveja.

Quem é  da paz vive a plenitude da vida. 

E quem é  da guerra passa pela vida sem viver.


(*)19.05.18


quinta-feira, 18 de maio de 2023

VOLTA, AMOR!

 

(RÔ Campos)


Meu amor,

O que mais queres de mim?

Já fiz de tudo o que podia fazer

Pra me redimir.


Meu amor

Eu sei, fui eu que errei

Me deixando levar

Pelas coisas mundanas.


Mas, sabes bem

Eu já me arrependi

Te pedi mil perdões

E  não queres me perdoar.


Deixa essa ferida fechar, cicatrizar

Pois quando o amor adoece

O coração agoniza e padece.


Esquece, meu amor

Que um dia te fiz sofrer, chorar

O que ficou no passado

Hoje está morto e enterrado.


Agora eu te imploro volta amor

Vamos viver o presente

Esse amor tão bonito

Que o destino nos presenteou.


(*) 12.05.2017


AS PALAVRAS DITAS PELO SILÊNCIO

 

(RÔ Campos)


"Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer." 


Foi justamente isso que disse John Powell. 


E, assim, muito mais do que tentar decifrar a fala das pessoas, eu viajo nesse mundo das palavras que nunca foram ditas. Muitas vezes os olhos...Os olhos dizem muito. Mas há também olhares oblíquos, como Machado desenhou os de Capitu, por exemplo. Então...Vou continuar como uma apanhadora de sonhos, colhedora de palavras não ditas, buscando ruídos no silêncio da boca, tentando compreender os  que se calam,  os que se recolhem para dentro de si mesmos,  muitas vezes na vã tentativa de se defender  do mundo exterior...


 (*)16.05.2014