quinta-feira, 23 de setembro de 2021

DIVAGAÇÕES NA MADRUGADA


RÔ Campos)

Aqui estou a divagar,  bem devagarinho, porque não tenho mais tempo algum para a pressa.

Eis que a pressa  nos turva a visão,  embaça a mente, cansa as pernas,  acelera o coração.

Os pensamentos  viajam.  Andam pela madrugada,  sentam-se à mesa de bar, conversam  entre si,  riem, choram,  arrependem-se, voltam ao passado distante,  e ao recente,  também.  Querem até adivinhar o futuro. 

Aí, eles batem à  minha porta, entram  como  chegam as tempestades,   trazendo notícias do tempo. É  como se um filme em câmera lenta passasse  diante  de meus olhos. 

Fico a lembrar de uma frase que cunhei há muitos anos,   quando as horas invadiam a madrugada, e eu, aqui,  sozinha,  trancada  no meu quarto,  tentava encontrar uma saída para o silêncio ensurdecedor  que teimava ao meu ouvido:

"O tempo e a distância são deletérios  do amor; o silêncio,  a porta do cemitério e o coveiro".

segunda-feira, 13 de setembro de 2021

SOZINHA


(RÔ Campos)


Noite alta e eu aqui lembrando

De todos os nossos sonhos

E agora,  eu aqui sozinha

Só me restam  as doces  recordações.


Quanto tempo já se passou

Desde o dia em que nos encontramos

Naquela noite de lua cheia

O céu salpicado de estrelas

E a gente  se amando no chão. 


O destino nos separou

Já não sei o que  é  feito de nós 

Tu te aconchegas  em outros braços 

E eu aqui sozinha vivendo nessa desilusão.

domingo, 12 de setembro de 2021

DEIXA - VAI PASSAR


(RÔ Campos)


Deixa...

Deixa o amor falar baixinho ao teu ouvido

Deixa...

Deixa  o amor dizer tudo o que tem

Deixa o amor contar histórias

Deixa o amor dizer, meu bem.


Deixa...

Deixa o amor brincar de faz de conta 

Deixa. Deixa.  É  chegada a primavera

Deixa o amor florir.

 

Deixa. Deixa. 

Deixa  o amor entrar 

Onde o amor está, o  ódio não tem guarida. 


Deixa.  Deixa. 

Deixa o amor falar

Deixa o amor sorrir

Dê um fim a essa tristeza. 


Deixa...

Deixa o amor ficar

Não se deixe enganar

Tudo,  tudo  passa um dia

E essa dor doída  também  há  de passar...

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

A VIDA É UM TRIZ


(RÔ Campos)

O tempo passou
E quem diz que não
Não sabe o que diz
A vida  é  um triz. 

O tempo passou
Num piscar de olhos
Quando acordei
Havia só medo. 

Agora eu nem sei
O que vou fazer
Faz tanto frio
A dor da saudade. 

O tempo passou
E  a vida levou num minuto
O tempo que foi nunca  volta
A vida do tempo é  refém. 

O tempo passou
Agora já é  tudo  ido 
O tempo passou
E levou tudo embora.

Agora é  o tempo
De juntar os cacos
Do coração des-pe-da-ça-do
E seguir  em frente com o tempo.

O tempo que nunca para
O tempo que tudo leva
O tempo que tudo aclara
O tempo que tudo sara.

O tempo passou
Só não viu quem não quis
A vida é  um sopro 
A vida é um triz.

quinta-feira, 24 de junho de 2021

ACERCA DAS ESTRELAS E DAS ROSAS

 

(RÔ Campos)

As estrelas parecem todas iguais. São todas estrelas. Mas um dia haverá em que alguém perceberá que há uma estrela diferente das demais! Isso também ocorre com as rosas. Todas são belas. Todas são cheirosas. Mas sempre haverá um rosa especial para alguém. Diferente. A mais bonita. A mais airosa. (RÔ Campos)

DIVAGAÇÕES


(RÔ Campos)

Eu não sei da tua dor· Mas, às vezes,  é como se eu sentisse os respingos da chuva que te molha, nas palavras que choras· São como lágrimas derramadas na noite que invade o silêncio sepulcral dos olhos atônitos, procurando, entre tantas estrelas, quem sabe apenas uma, que nem brilhe tanto, mas que possa te dizer  do teu infinito tão particular, essa linha imaginária que ninguém ousa decifrar, porque as profundidades são inalcançáveis·  A alma humana, em sua natureza impenetrável, é como a lua envolta em seus mistérios· Podemos até tentar possuí-la, mas já foi dito que quem se possui acaba por perder-se· 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

PELA MÃO DO CRIADOR

 PELA MÃO DO CRIADOR

(RÔ Campos)

A mão  do Criador

Pintou esse quadro no céu

Desenhou o sol e a lua

Pôs bilhões de estrelas a brilhar. 


Não satisfeito com sua obra

Pintou o céu de grená 

Acrescentou o azul,  laranja,  vermelho,  amarelo, dourado,  e o branco da paz. 


Como era de se esperar 

Pintou as nuvens de cinza, também 

E  não esqueceu dos pingos da chuva do céu caindo

Para cá embaixo nos abençoar. 


A mão do Criador não se cansou de pintar

E no quadro pintou  os rios e os mares,  os campos e os vales

As florestas,  essas também pintou

Assim como as montanhas e os charcos.


Ao finalizar sua obra

A mão do Criador ainda pintou cá embaixo os animais e as flores

Um mundo cheio de cores 

E pincelou o céu também de escuro

Para que a lua iluminasse os desertos  de cada homem.


A mão do Criador,  no entanto, 

Não pintou as dores dos humanos

Porque os havia criado à  sua semelhança.

Estes se encarregaram de fazê-lo

E borraram  esse incrível quadro com as guerras,  a peste, a morte e a fome.