segunda-feira, 20 de abril de 2020

DEPOIS DO AMOR




(RÔ Campos)

Já nem sei dizer direito,
Mas se era pra ficar só por ficar,
Que então se abrisse a porta.
Sabido é que todo  amor
Ao fim e ao cabo é  folha morta.

Fugir sem nem saber pra onde nem por que,
Fugir por fugir, fingir,
Como se a vida quisesse assim,
E fosse o amor um folhetim.
Melhor seria se não  tivesse sido assim.

O que restou do amor
Deixou tão pouco de nós,
Nos dividiu, nos separou,
E agora já não somos um,
Voltamos a ser dois...

NADA A TEMER


(RÔ Campos)

Nada a temer
SENHOR!
De todos os exércitos
Do amor vencendo os canhões.

Nada a temer
Para quem faz a sua parte
E tem Deus no coração
Seja lá esse Deus quem for
Contanto que seja uma luz
A nos guiar na escuridão.

Nada a temer
Se eu sou temente  a Deus
Esse ser que mora em mim
Uma luz no fim do túnel
Uma mão  a me erguer do chão
Um ombro para eu me recostar.

Nada a temer
Se Ele vive em mim
Como se fosse o pão que mata a minha fome
E a água que sacia  a minha sede
O timoneiro do barco da minha vida
Meu norte,  minha bússola,  minha direção.

Nada a temer
Se Ele é  o motor que me impulsiona
A  energia que me alimenta
A chave que abre todas as portas
A força que tudo impele,  tudo rege.

Nada a temer
SENHOR!
De todos os exércitos
Do amor vencendo os canhões.

quarta-feira, 11 de março de 2020

PERDÃO


(RÔ Campos)

Perdão!
Se  perdoar já não te posso.

Perdão!
Se em meu coração plantaste  espinhos.

Perdão!
Se os espinhos que em meu coração plantaste
São os espinhos que hoje te machucam.

Perdão!
Se nessa  hora grita em teus ouvidos a velha máxima:

"Quem com ferro fere com ferro será ferido".

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

ACERCA DOS ATALHOS E A

(RÔ Campos)

Não me venham querer-me um atalho. Pode até ser que chegue mais rápido, Mas não haverá o gozo de um caminho mais longo, com a beleza das margens e a visão do horizonte que se descortina. É como percorrer uma alameda. É disso que gosto: de ser alameda. Atalho fica para os apressados, para os descompromissados com o belo. Eu não tenho pressa de chegar. Prefiro contemplar as delícias que se avizinham no meu itinerário e gozá-las e sorvê-las até a última gota.

SONHO REALIZADO, REALIDADE NUA


(RÔ Campos)

Tudo era apenas um sonho
E depois se tornou realidade.
Trabalhei como as formiguinhas,
Ladrilhando dia a dia o meu caminho.
E descobri que, na vida,
É preciso ter muita coragem,
Pois o monstro vence os covardes.

Sair, pôr os pés na estrada,
Não ter medo de cair na lama,
Nem de ir ao fundo do poço.
Descobrir a força que nos move,
E, tal fênix, ressurgir das cinzas
Para subir as montanhas .

Descobri que o fogo que acende a vida
É o mesmo que a devora.
E que o vento que levanta o fogo
É o mesmo que o apaga.
E que a aurora, quando vai embora,
Anuncia o crepúsculo que se avizinha.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

INFELIZ DA NAÇÃO CUJO "DEUS" É O SENHOR


(RÔ Campos)

Fecha a boca, fica calado
Se não te pegam numa cilada
Melhor calar, não dizer nada.
Não diz mais nada, engole tudo
Depois vomita o teu silêncio.

Que tristes tempos!
Escuridão cobriu o céu
Do meu Brasil.
De norte a sul, de leste a oeste
Infeliz mente de nossa gente!

Já não vejo mais o meu amigo,
Outrora como eu um sonhador.
Fazia música, lindas canções
Acreditava na liberdade
E a cantava como um refrão.

Infeliz mente, mente deliberadamente
Crê na polícia, crê na milícia,
Crê no exercício da força bruta,
Só não crê mais na leveza da batuta.

Fecha a boca, fica calado,
Hoje fala a hipocrisia,
Tudo falácia da burguesia.
Falam a chibata, os energúmenos,
Os idiotas e os ignaros.

Poeta, meu poeta!
Agora sei por que indagavas:
Que país é este?
Infeliz mente do povo brasileiro
Abduzida, hipnotizada, exorcizada,
Seduzida aos montes, pastoreada,
Como se arrebanha feito manada.

Infeliz da nação cujo "Deus" é o Senhor!
Infeliz da nação cuja arte é jogada na fogueira do inferno!
Infeliz da nação quando fala a ignorância e o povo escuta!
Infeliz da nação quando a verdade é camuflada, ocultada, os olhos são vendados, a mentira grassa...E o povo crê!
Infeliz da nação que idolatra quem separa, quem destila o ódio, quem massacra o homem, quem humilha e pisoteia, quem distorce a verdade, quem digladia, quem mata, quem crê no infeliz que mente.
Infeliz da nação onde o pobre e oprimido se alia ao opressor!
Infeliz da nação onde a arte se rende, se cala, e fala o obscurantismo!

CUMPRE O TEU DESTINO


(RÔ Campos)

Sei que está chegando a hora
Em que vais atravessar a porta
Deixando para trás tudo o que jamais quiseste.

Nada levarás de mim
Nem meu coração, que deste às traças
Nem o meu amor, do qual zombaste tantas vezes
Nem a minha dor, que dor não mais existe.

Ficarão comigo o cheiro do quarto
Um misto de perfume, cerveja e cigarro...
O teu abandono, o teu descaso
O teu olhar oblíquo, e o teu sorriso falso.

Mas as lembranças ficarão também
Dos belos dias do começo
Quando tudo era ilusão
Eu cria que era feliz
Mas a tristeza batia à minha porta
E eu fingia que não a via querendo entrar.

E houve uma noite em que eu, desprevenida
Soube de tua boca o que seria um açoite
Que me cortou o peito e me deixou perdida
Num beco escuro, sem chance alguma de saída.

E muitas noites vieram depois daquela
E nunca mais eu fui a mesma.

Andei dias e noites a esmo
Caí, levantei, sorri sem ter porquê
chorei sem lágrima cair
Entrei em labirintos assustadores
Me vi diante de uma solidão crusciante
Que parecia não ter fim.

E eis que quando volto a me sentir mais segura
Tu vens e de novo eu penso que é para ficar
Mas retiro as vendas dos meus olhos, ainda a tempo
De ver que não és tu o meu lugar.

Agora tu me falas que está chegando a hora
Em que vais atravessar a porta
Talvez quem sabe provavelmente para nunca mais
Eu te digo, então, segue em frente
cumpre o teu destino, vai na paz
Vai procurar no futuro o que o passado não te deu
E o presente que deixas para trás.