(RÔ Campos)
Havia sido um dia extraordinário: encontro com amigos queridos,
amenidades, conversa jogada fora, sabores vindos da cozinha, tilintar de taças de vinho: merlot, tempranilla, malbec. Uma viagem à França, Espanha e Argentina.
Depois, à noite, a deusa música:
uma volta pelo nosso Brasil de encantos mil.
Quando a madrugada chegou, quedei-me sobre a cama, o corpo cansado e suado, mas em êxtase.
O frio do quarto me cobriu.
O sono já me havia arrebatado quando fui despertada pelo deslizar macio dos dedos dele,que desciam e subiam meu corpo como se veludos fossem.
Quis resistir, mas não pude: quando ele me tocava, com indescritível delicadeza, as estrelas se achegavam, o céu inteiro estava em festa.
Então, me entreguei por completo,
embarcando nessa viagem mágica, como se um sonho inenarrável fosse, sem lembrar que amanhã a realidade muito cedo bateria à minha porta.
segunda-feira, 23 de setembro de 2019
sábado, 21 de setembro de 2019
DOIS MUNDOS
(RÔ Campos)
Entre mim e ti
Há muitos rios que passaram
Caudalosa e mansamente
E também em meio a tempestades.
Entre mim e ti
Há dias de calor e dias de frio,
Há noites de luar e noites escuras,
Há sofreguidão e alegria.
Entre mim e ti
Há um mundo de sonhos,
Onde construí muitos palácios
E vi ruir outros tantos castelos de areia.
Entre mim e ti
Há dias de luta,
Há dias de glória,
E há dias de vencer ou morrer.
Entre mim e ti
Há interregnos,
Há interrogações
E há também silêncios e respostas.
Entre mim e ti
Há dias que se foram para nunca mais,
Há dias que ficaram para sempre
E há dias também que olho para trás
E te vejo chegando, meu anjo, anunciando a Boa Nova, trazendo em teu sorriso a Pomba da Paz!
terça-feira, 17 de setembro de 2019
VENTANIA
(RÔ Campos)
De repente, o vento soprou,
Quebrando o silêncio.
De repente, não mais que de repente,
O vento tomou exagerada força,
Escancarando as janelas do passado.
De repente, o que era ontem agora é visivelmente presente.
Ouvir tua voz embargada, delicadamente compassada,
Falando acerca dos nossos encontros e desencontros,
Dos nossos medos e desejos abandonados no meio do caminho,
Fez -me o coração acelerar.
Num átimo, lembrei-me do último poema que escrevi para ti - BRINCAR DE VIVER!
Da última estrofe...
"Por que entraste de novo na minha vida?
Por que saíste em seguida?
Por que desististe de voltar, se era o teu desejo?
Por que não voltas, mesmo mentindo?
Pra gente brincar de amar
Pra gente brincar de viver".
Agora, vens e me dizes que queres me ver ontem,
Que não podemos mais deixar que o tempo faça isso com a gente,
Quando, em verdade, fomos nós dois que viramos as costas para o tempo,
E deixamos que ele passasse,
Como passa o vento, levando os dias e as noites...
De repente, o vento soprou,
Quebrando o silêncio.
De repente, não mais que de repente,
O vento tomou exagerada força,
Escancarando as janelas do passado.
De repente, o que era ontem agora é visivelmente presente.
Ouvir tua voz embargada, delicadamente compassada,
Falando acerca dos nossos encontros e desencontros,
Dos nossos medos e desejos abandonados no meio do caminho,
Fez -me o coração acelerar.
Num átimo, lembrei-me do último poema que escrevi para ti - BRINCAR DE VIVER!
Da última estrofe...
"Por que entraste de novo na minha vida?
Por que saíste em seguida?
Por que desististe de voltar, se era o teu desejo?
Por que não voltas, mesmo mentindo?
Pra gente brincar de amar
Pra gente brincar de viver".
Agora, vens e me dizes que queres me ver ontem,
Que não podemos mais deixar que o tempo faça isso com a gente,
Quando, em verdade, fomos nós dois que viramos as costas para o tempo,
E deixamos que ele passasse,
Como passa o vento, levando os dias e as noites...
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
PEQUENA ORAÇÃO
(RÔ Campos)
Obrigada, Senhor, pois viver é uma graça.
Obrigada, Senhor, pois minhas dores para mim não são desgraças.
Obrigada, Senhor, por me fazer compreender que eu não sei de nada. Obrigada, Senhor, por saber que tudo o que sei é que tudo passa.
ACERCA DO ÚLTIMO ADEUS
(RÔ Campos)
Não me falem sobre selfie em velórios e em cemitérios. De sorrisos amarelos, falsos, ensaiados, ou não.
Não me falem sobre a falta de pudor de quem quer que seja.
Eu não sei da dor do outro, nem se rima com sorriso.
Não me perguntem o que acho disso ou daquilo. Eu nunca tenho respostas para a dor que não é minha. Eu nunca sei da dor alheia, da velocidade e do calor do sangue que corre em outras veias.
Não me suscitem dúvidas sobre a probidade e o amor dos que ficaram. Se choram de verdade por quem a morte arrebatou tão bruscamente, ou se choram esfregando cebolas nos olhos, como os artistas nas telas do cinema ou nas telenovelas.
Não me falem mais sobre coisas medíocres, nem sobre o tabuleiro da política. Eu desisto. Porque tenho cá comigo que a política é a "arte" dos absurdos.
Eu já não mais me espanto com o legado do colonizador.
Esse é o nosso retrato pintado em preto e branco. É como se fosse um trato imoral e indecente nesse interminável teatro: vai de mão em mão, de pai para filho, para neto, bisneto, tataraneto..., sob várias direções. E tudo recomeça com as gerações seguintes, desde mil quinhentos e pouco, quando Portugal decidiu invadir e ocupar as terras de nossos ancestrais, arvorando-se descobridor destas terras que desde sempre existiram. E o único véu que Portugal retirou, descobrindo estas terras, decerto foi o véu que cobria a vergonha de nossas mulheres.
Verdadeiras capitanias hereditárias é o que somos. E manipulados. Escancaradamente manipulados. E nos deixamos manipular amiudadamente, calados, engasgados. E nos entregamos, assim, como se desistíssemos da vida, porque já não vemos sentido algum nessa ópera bufa. E vamos nós, um por um, silenciosamente, nos retirando dos teatros da vida, muito antes do último ato.
Pois bem.
Eu só sei da dor que eu sinto. E sei também que a morte é o momento mais sublime de nossas vidas. Porque... não é quando somos dados à luz, o momento mais sublime, pois estamos vindo ao mundo, começando os primeiros passos dessa intrigante trajetória. O instante mais sublime é quando nos vamos. Porque nunca mais nos veremos em carne e osso. Porque nunca mais ouviremos a voz, os gritos, os cochichos uns dos outros. Porque nunca mais nos abraçaremos, sorriremos ou choraremos juntos. Nunca mais dormiremos e acordaremos juntos. Nunca mais sonharemos juntos. Esse é o momento mais especial de nossas vidas. E não necessitamos de foguetes, de barulhos, de flashes, de promessas vãs. De silêncio é que precisamos. E de entrega total nesse instante final. O resto não tem pressa alguma. O resto fica para amanhã...
COMO A ALMA DA GENTE
(RÔ Campos)
Porque, naquele tempo, era muito cedo pra ti· E agora, pra mim, a tarde vai findando e escancara a porta pra que a noite entre· A equação já não bate·
Essa matemática tão exata, que não deixa margem pra erros! Se muito, restos·
Mas ninguém vive de restos· Ou são desprezados, esquecidos, ou vão parar na lata do lixo·
Deveria haver um pouco de humanidade nessa exatidão· Uma espécie de conciliação entre a alma e o corpo, a aparar as arestas do tempo· Afinal, que culpa tem a alma, imanente, se o corpo envelhece?
O que me resta, agora, senão a ilusão de que há vida lá fora, onde eu possa te rever um dia, num tempo sem equação, nem matemática, nem sobras· Um tempo sem corpo, sem dia nem noite· Apenas a energia a fluir e o céu como condutor· Um tempo permanente como a alma da gente·
domingo, 11 de agosto de 2019
AMOR SOBERANO
(RÔ Campos)
O amor é soberano,
Sem súditos nem vassalos·
Seu poder é absoluto,
Sem jamais ser tirano·
Recai sobre ricos e pobres,
Homens e mulheres, crianças e velhos,
Pretos, brancos, índios e amarelos·
O amor é soberano
E também servo do homem·
Universal, divino,
Dá à vida o sal·
Bem-vindo sal da vida·
O amor é soberano,
Sem súditos nem vassalos·
Seu poder é absoluto,
Sem jamais ser tirano·
Recai sobre ricos e pobres,
Homens e mulheres, crianças e velhos,
Pretos, brancos, índios e amarelos·
O amor é soberano
E também servo do homem·
Universal, divino,
Dá à vida o sal·
Bem-vindo sal da vida·
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