quinta-feira, 4 de abril de 2019

CITAÇÃO

(RÔ Campos)

Raízes···Tudo vem a partir delas e são o que nos sustentam·

CITAÇÃO

(RÔ Campos)

No barco da vida há dias tranquilos e dias turbulentos. Quando atravessamos por tempestades, precisamos ter força e coragem para driblar a correnteza do rio, em busca da calmaria, até encontrarmos um porto seguro.

ONTEM E AGORA

(RÔ Campos)

No começo foi tudo paixão,
Num estalar de dedos.
Depois, o amor foi tecendo seus fios.
Construímos alicerces, destruímos muros.

O que era medo se tornou coisa do passado,
Tristeza cedeu lugar à alegria.
O que era um pé atrás agora é sempre um pé à frente.
Somos mesmo assim malucos, doidos varridos pela vida.
Fazemos planos sem nem sabermos para onde e quando.
Sonhamos.

Se bato o pé e choro, ele me diz pra não complicar a vida.
Mas se rio, ele chora de tanto rir.

CITAÇÃO

(RÔ Campos)

Quanto mais o relógio marca as horas e o calendário marca os dias, meses e anos, mais eu tenho pressa de viver.
E quando vejo parentes e amigos queridos indo embora, assim, aos poucos, ou de repente, mais vou me conscientizando sobre a finitude, e que tudo isso aqui não passa de uma viagem, às vezes curta, outras vezes longa; Às vezes prazerosa, outras vezes angustiante.

PREMONIÇÃO

(RÔ Campos)

Saudade... Eu já te pressinto muito próxima a mim,
Já escuto os teus ruídos ao longe.
Não faz muito tempo te abancaste em minha casa, e nem convidada foste.
Pegaste-me assim, desprevenida...Havia esquecido a porta aberta.
Os meus dias pareciam uma eternidade a me devorar e consumir.
Mas, então, o tempo - que, como disse o poeta, andou mexendo com a gente - passou, ainda que lentamente,
E a saudade se foi com o tempo...

Agora, novamente, ouço teus sinais, teu riso debochado,
Avisando que em breve vais apartar a gente.
E eu sei muito bem da dor que tu me impinges...
Dessa vez vou tentar lembrar de não deixar a porta aberta, e colocar uma tranca pesada.
Mas, abusada como és, vais gritar teu grito esganiçado, lá, do lado de fora, invadindo meus ouvidos, afligindo meu coração,
Até atingires o meu âmago, tão cheio dele, tão cheio de nós.

CHEGASTE

(RÔ Campos)

Instiga-me a dúvida,
Essa total incerteza.
E eu aqui, presa,
Nas tramas que urdi.

Não tenho medo de nada,
Nem de navegar nos mistérios.
Já andei por tantos rios,
Tantos mares turbulentos, procelas.

Chegaste.
És meu presente
Sem a face do passado,
Nem promessas de futuro.

Entrementes, não somos. Estamos.
Eu preencho tuas horas mortas,
Dando-te minhas horas vivas.
Tu me tiras o cheiro de naftalina
De mofo.

sábado, 30 de março de 2019

TE AMO E ME ODEIO


(RÔ Campos)

Amo-te, porque és invenção minha,
Nascida dessa mania que nunca morre,
De ora viver amores platônicos, ora impossíveis, ora complicados.

Amo-te, porque fui eu que te rabisquei nos papéis em branco, que guardava aos montes nas gavetas do armário.

Amo-te, porque fui eu que te desenhei, com desmedida intensidade,nas paredes da minha imaginação, que nunca encontra calma nem abrigo.

Amo-te, finalmente, porque fui eu que te pintei, com as cores mais vibrantes que achei,
(Como as cores intrigantes do arco-íris sugando o sal do mar),
Fazendo dessa tela a minha obra-prima. Definitiva.

Mas também me odeio.

Odeio-me, porque és apenas fruto da minha imaginação, da minha criatividade fértil.
Dessa busca incessante de saciar uma fome avassaladora de amar e ser amada,
Desse vazio nas entranhas que teima em ser preenchido a qualquer custo.

Odeio-me, porque és a realidade crua e fria que bate à minha porta,
A desmoronar, sem ruídos, os castelos de areia que construí nos desertos por onde andei,
Com o gelo feito neve derretendo, borrando os papéis que rabisquei, os desenhos que fiz, e as telas que pintei...

Odeio-me, porque fui eu que te convidei a entrar, fui eu que te inventei, fui eu que te pintei.
Mas agora, borrada a tela, te peço:
Me ensinas o concreto, me fazendo olvidar o abstrato.
Me ensinas a sonhar com os pés no chão,
A criar sem confundir realidade e ficção,
A pintar sem misturar amor e fantasia.