(RÔ Campos)
No começo foi tudo paixão,
Num estalar de dedos.
Depois, o amor foi tecendo seus fios.
Construímos alicerces, destruímos muros.
O que era medo se tornou coisa do passado,
Tristeza cedeu lugar à alegria.
O que era um pé atrás agora é sempre um pé à frente.
Somos mesmo assim malucos, doidos varridos pela vida.
Fazemos planos sem nem sabermos para onde e quando.
Sonhamos.
Se bato o pé e choro, ele me diz pra não complicar a vida.
Mas se rio, ele chora de tanto rir.
quinta-feira, 4 de abril de 2019
CITAÇÃO
(RÔ Campos)
Quanto mais o relógio marca as horas e o calendário marca os dias, meses e anos, mais eu tenho pressa de viver.
E quando vejo parentes e amigos queridos indo embora, assim, aos poucos, ou de repente, mais vou me conscientizando sobre a finitude, e que tudo isso aqui não passa de uma viagem, às vezes curta, outras vezes longa; Às vezes prazerosa, outras vezes angustiante.
Quanto mais o relógio marca as horas e o calendário marca os dias, meses e anos, mais eu tenho pressa de viver.
E quando vejo parentes e amigos queridos indo embora, assim, aos poucos, ou de repente, mais vou me conscientizando sobre a finitude, e que tudo isso aqui não passa de uma viagem, às vezes curta, outras vezes longa; Às vezes prazerosa, outras vezes angustiante.
PREMONIÇÃO
(RÔ Campos)
Saudade... Eu já te pressinto muito próxima a mim,
Já escuto os teus ruídos ao longe.
Não faz muito tempo te abancaste em minha casa, e nem convidada foste.
Pegaste-me assim, desprevenida...Havia esquecido a porta aberta.
Os meus dias pareciam uma eternidade a me devorar e consumir.
Mas, então, o tempo - que, como disse o poeta, andou mexendo com a gente - passou, ainda que lentamente,
E a saudade se foi com o tempo...
Agora, novamente, ouço teus sinais, teu riso debochado,
Avisando que em breve vais apartar a gente.
E eu sei muito bem da dor que tu me impinges...
Dessa vez vou tentar lembrar de não deixar a porta aberta, e colocar uma tranca pesada.
Mas, abusada como és, vais gritar teu grito esganiçado, lá, do lado de fora, invadindo meus ouvidos, afligindo meu coração,
Até atingires o meu âmago, tão cheio dele, tão cheio de nós.
Saudade... Eu já te pressinto muito próxima a mim,
Já escuto os teus ruídos ao longe.
Não faz muito tempo te abancaste em minha casa, e nem convidada foste.
Pegaste-me assim, desprevenida...Havia esquecido a porta aberta.
Os meus dias pareciam uma eternidade a me devorar e consumir.
Mas, então, o tempo - que, como disse o poeta, andou mexendo com a gente - passou, ainda que lentamente,
E a saudade se foi com o tempo...
Agora, novamente, ouço teus sinais, teu riso debochado,
Avisando que em breve vais apartar a gente.
E eu sei muito bem da dor que tu me impinges...
Dessa vez vou tentar lembrar de não deixar a porta aberta, e colocar uma tranca pesada.
Mas, abusada como és, vais gritar teu grito esganiçado, lá, do lado de fora, invadindo meus ouvidos, afligindo meu coração,
Até atingires o meu âmago, tão cheio dele, tão cheio de nós.
CHEGASTE
(RÔ Campos)
Instiga-me a dúvida,
Essa total incerteza.
E eu aqui, presa,
Nas tramas que urdi.
Não tenho medo de nada,
Nem de navegar nos mistérios.
Já andei por tantos rios,
Tantos mares turbulentos, procelas.
Chegaste.
És meu presente
Sem a face do passado,
Nem promessas de futuro.
Entrementes, não somos. Estamos.
Eu preencho tuas horas mortas,
Dando-te minhas horas vivas.
Tu me tiras o cheiro de naftalina
De mofo.
Instiga-me a dúvida,
Essa total incerteza.
E eu aqui, presa,
Nas tramas que urdi.
Não tenho medo de nada,
Nem de navegar nos mistérios.
Já andei por tantos rios,
Tantos mares turbulentos, procelas.
Chegaste.
És meu presente
Sem a face do passado,
Nem promessas de futuro.
Entrementes, não somos. Estamos.
Eu preencho tuas horas mortas,
Dando-te minhas horas vivas.
Tu me tiras o cheiro de naftalina
De mofo.
sábado, 30 de março de 2019
TE AMO E ME ODEIO
(RÔ Campos)
Amo-te, porque és invenção minha,
Nascida dessa mania que nunca morre,
De ora viver amores platônicos, ora impossíveis, ora complicados.
Amo-te, porque fui eu que te rabisquei nos papéis em branco, que guardava aos montes nas gavetas do armário.
Amo-te, porque fui eu que te desenhei, com desmedida intensidade,nas paredes da minha imaginação, que nunca encontra calma nem abrigo.
Amo-te, finalmente, porque fui eu que te pintei, com as cores mais vibrantes que achei,
(Como as cores intrigantes do arco-íris sugando o sal do mar),
Fazendo dessa tela a minha obra-prima. Definitiva.
Mas também me odeio.
Odeio-me, porque és apenas fruto da minha imaginação, da minha criatividade fértil.
Dessa busca incessante de saciar uma fome avassaladora de amar e ser amada,
Desse vazio nas entranhas que teima em ser preenchido a qualquer custo.
Odeio-me, porque és a realidade crua e fria que bate à minha porta,
A desmoronar, sem ruídos, os castelos de areia que construí nos desertos por onde andei,
Com o gelo feito neve derretendo, borrando os papéis que rabisquei, os desenhos que fiz, e as telas que pintei...
Odeio-me, porque fui eu que te convidei a entrar, fui eu que te inventei, fui eu que te pintei.
Mas agora, borrada a tela, te peço:
Me ensinas o concreto, me fazendo olvidar o abstrato.
Me ensinas a sonhar com os pés no chão,
A criar sem confundir realidade e ficção,
A pintar sem misturar amor e fantasia.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
FECHA A PORTA, CORAÇÃO
(RÔ Campos)
Coração aberto, descuidado,
Pronto pra ser invadido, ocupado,
Portas escancaradas, ao léu,
Numa noite de céu estrelado.
Não te descuides, coração,
Dessas coisas da ilusão,
Que sempre foi terreno fértil
Pra se plantar desilusão.
Fecha a tua porta coração
Diz o juízo: reforça a tranca,
Porquanto há um exército ávido, lá fora,
Espionando a hora de te ocupar.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
MINHA E DELE
(RÔ Campos)
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E como companheira uma estrela solitária que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava tambem uma inquebrantável fé em Deus no coração·
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa onde guardava todos os seus sonhos·
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···e minha·
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E como companheira uma estrela solitária que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava tambem uma inquebrantável fé em Deus no coração·
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa onde guardava todos os seus sonhos·
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···e minha·
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