(RÔ Campos)
Acorda! Olha pela janela!Vem ver! É de manhã! O sol já chegou! É hora de levantar!!!
Olha só, o céu tá ficando escuuuuro! Por quê? Cadê o sol? Pra onde ele foi?
Já é noite! Olha a lua! Ela tá tão bonita! Onde a lua mora? Eu quero ir lá na lua! Mas por que a lua vive tão longe? Posso colocar uma escada pra eu tocar a lua?
Olha aquela estrela bem perto da lua! Por que ela fica ali? Como é grande essa estrela! Por que tem estrelas grandes e pequenas?
Vem! Vem pro quintal pra ver como o céu tá tão bonito!
(Todas essas frases são ditas por ele, Diogo, meu neto amado, muitas vezes pela manhã, quando vai me acordar, ou quando a noite vem chegando e ainda quando vamos ao quintal, nas noites de lua cheia ou lua nova ( quando ele compara a lua a uma bola ou círculo), ou mesmo nas noites de lua crescente ou minguante (quando ele a compara a uma banana)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
CONVERSANDO COM A LUA
(RÔ Campos)
Conta pra mim, lua, o que dizem os olhos dele quando, parados, ficam a te mirar?
Vês, por acaso, lágrimas neles, assim como ficam os meus?
Todas as vezes em que apareces avassaladora, penso nele, que sempre te dizia dele·
Ele que, nas noites frias, só tinha tu por testemunha e companhia...
Conta pra mim, lua, o que dizem os olhos dele quando, parados, ficam a te mirar?
Vês, por acaso, lágrimas neles, assim como ficam os meus?
Todas as vezes em que apareces avassaladora, penso nele, que sempre te dizia dele·
Ele que, nas noites frias, só tinha tu por testemunha e companhia...
COMENTÁRIOS A RESPEITO DA FORÇA
(RÔ Campos)
Bater, todo mundo bate, todo mundo quer, enche-se de força.
É como aquela coisa de jogar pedra no telhado alheio. Todo mundo joga, todo mundo quer. Agora, quando a pedra se volta contra o seu próprio telhado, a então "vítima" grita, esperneia.
Fiz uma postagem no Facebook sobre quem venceria nessa luta entre o rochedo e o mar. Alguns poucos amigos foram unânimes: o mar. Eu estava a conversar com os meus botões, para poder comentar a respeito das colocações, quando me deparei com essa frase, atribuída a um certo Le Lézard, que diz absolutamente tudo que penso:
"A verdadeira força não é a do mar enfurecido que tudo arrebenta, mas a do rochedo, imóvel, que a tudo resiste."
Pois é.
QUEM NÃO DÁ ASSISTÊNCIA ABRE CONCORRÊNCIA
(RÔ Campos)
A vida do Zé
Era esnobar a mulher·
Ciumenta e vaidosa,
é bem verdade,
Mas tudo o que a Rita queria
Era com ele se casar,
Juntar as escovas de dente,
E ir morar num condomínio de luxo.
Porque, justiça se faça,
Rita, além de fina e bonita,
Tinha dinheiro pra gastar·
Mas o Zé, todo atrapalhado,
Nunca conseguiu se decidir
Entre perder a liberdade, saindo do conjugado,
E ir morar num palacete com madame a lhe cobrar·
Rita chegou a lhe dar o ultimato,
Uma, duas, três vezes,
Até perder a conta.
E um dia, sem perceber, se cansou de dividir
O Zé que queria só pra si.
Meio que, assim, na surdina,
Rita se apaixonou por um amigo em comum.
Boa pinta, bem afeiçoado,
Com fama de conquistador,
Com ele logo se casou·
O Zé, pobre coitado,
Andou sofrendo um bocado,
E demorou pra deglutir o velho ditado,
Acerca do homem que não dá bola pra mulher·
O Zé, então, inconformado
Por ter perdido a mulher,
Passou a perambular pelas ruas, repetindo o refrão, sem parar:
Oh, Zé, quem não dá assistência abre concorrência·
E quem não tem competência não se estabelece!
Oh, Zé, quem não dá assistência abre concorrência.
E quem não tem competência, não se estabelece!
Oh, Zé!
COMO AS ARARAS
(RÔ Campos)
Quando nós nos descobrimos sabíamos que vez em quando eu seria tu e tu também serias eu. E que, muitas vezes, num futuro próximo, seríamos um só, como uma partícula integrada: respiraríamos o mesmo ar, sorveríamos o néctar dos mesmos beijos, seríamos uma pele sobre a outra pele, o suor se misturando nos poros enquanto nossas bocas enlouqueciam, seguiríamos lado a lado, para sempre, como as araras...
O tempo foi passando, e nosso amor crescendo. Já não éramos mais dois - três é o que passamos a ser. E, cheios de ideais e de vontade de viver, botamos as pernas no mundo...e tudo vencemos com as nossas forças integradas. Sempre fomos fiéis um ao outro, assim, também, como as araras...
Depois de muitos quilômetros percorridos na estrada da vida, de tantas batalhas, de alegrias e tristezas, de termos alcançado a riqueza - essa em geral perseguida pelos homens -, materializando o que vivia no mundo de nossas ideias...descobri que amar também pode ser sofrer. E que, se amar é sofrer, não há vida sem dor.
E, por derradeiro, agora vim a saber o quanto dói a dor do amor. Mas a dor da saudade do amor que se acabou dói muito mais...
E que a dor da solidão do amor que se foi, e me deixou, também fere como punhal...E viver na solidão é morrer de amor.
Assim como as araras...
CAUTELA E CALDO DE GALINHA
(RÔ Campos)
Vai em frente, parente,
Corre, como quem foge da cruz,
Corre que atrás vem gente
Querendo te derrubar.
Tem muito cuidado, parente,
Porque na frente
Também sempre tem gente
Querendo te rasteirar.
Fica de olhos bem abertos, parente,
Com quem começa a se achegar:
Porque a inveja é erva daninha
Que não demora vem te devorar.
CORAÇÃO CABEÇA, CABEÇA CORAÇÃO
(RÔ Campos)
Coração em fogo
Mente em brasa
Centelha! Centelha!
É o amor qual lamparina
Um fogo abrasador.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Coração em fogo
Mente em brasa
Centelha! Centelha!
É o amor qual lamparina
Um fogo abrasador.
Coração cabeça, cabeça Coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
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