segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
COMO AS ARARAS
(RÔ Campos)
Quando nós nos descobrimos sabíamos que vez em quando eu seria tu e tu também serias eu. E que, muitas vezes, num futuro próximo, seríamos um só, como uma partícula integrada: respiraríamos o mesmo ar, sorveríamos o néctar dos mesmos beijos, seríamos uma pele sobre a outra pele, o suor se misturando nos poros enquanto nossas bocas enlouqueciam, seguiríamos lado a lado, para sempre, como as araras...
O tempo foi passando, e nosso amor crescendo. Já não éramos mais dois - três é o que passamos a ser. E, cheios de ideais e de vontade de viver, botamos as pernas no mundo...e tudo vencemos com as nossas forças integradas. Sempre fomos fiéis um ao outro, assim, também, como as araras...
Depois de muitos quilômetros percorridos na estrada da vida, de tantas batalhas, de alegrias e tristezas, de termos alcançado a riqueza - essa em geral perseguida pelos homens -, materializando o que vivia no mundo de nossas ideias...descobri que amar também pode ser sofrer. E que, se amar é sofrer, não há vida sem dor.
E, por derradeiro, agora vim a saber o quanto dói a dor do amor. Mas a dor da saudade do amor que se acabou dói muito mais...
E que a dor da solidão do amor que se foi, e me deixou, também fere como punhal...E viver na solidão é morrer de amor.
Assim como as araras...
CAUTELA E CALDO DE GALINHA
(RÔ Campos)
Vai em frente, parente,
Corre, como quem foge da cruz,
Corre que atrás vem gente
Querendo te derrubar.
Tem muito cuidado, parente,
Porque na frente
Também sempre tem gente
Querendo te rasteirar.
Fica de olhos bem abertos, parente,
Com quem começa a se achegar:
Porque a inveja é erva daninha
Que não demora vem te devorar.
CORAÇÃO CABEÇA, CABEÇA CORAÇÃO
(RÔ Campos)
Coração em fogo
Mente em brasa
Centelha! Centelha!
É o amor qual lamparina
Um fogo abrasador.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
Coração cabeça, cabeça coração.
Viver é uma paixão!
Coração em fogo
Mente em brasa
Centelha! Centelha!
É o amor qual lamparina
Um fogo abrasador.
Coração cabeça, cabeça Coração.
Viver é uma paixão!
Meu coração morando em ti
Tu morando no meu coração
O cheiro de saudade na cabeça
Da chuva molhando a gente
Dos pés perdendo o chão.
ECOS DO PASSADO
(RÔ Campos)
Assim meu coração não Aguenta!!!
Hoje, quase manhã, dei uma carona a um amigo que mora na Boa Sorte, rua no bairro da Matinha onde eu nasci e me criei, até os 15 anos. Deixei-o cerca de uns 200 metros após o início da rua e fui descendo devagar, olhando casa por casa, quando deparei-me com meu amigo de infância, Raimundo Bezerra Barbosa, pai do Ramõn, amigo de meus filhos do Colégio Preciosíssimo Sangue. Ele arrumava os produtos em sua pequena taberna, quando eu gritei: Raimundinhooooooo!!! A festa foi grande.
Nós morávamos em uma casa quase em frente à dele, e, por conta disso, comecei a fazer-lhe algumas perguntas. Ele, então, me apontou um senhorzinho que estava sentado em um banco, em frente à taberna, dizendo-me que ele era a pessoa que havia comprado nossa casa. Conversa vai e vem, o generoso senhor me perguntou se eu queria ir ver a casa, e eu não pensei duas vezes para aceitar o convite. Não tenho como descrever a emoção que senti, e não deu para segurar as lágrimas. Havia 41 anos que eu não botava os pés ali, desde quando nos mudamos, eu com 15 anos. A cada passo que eu dava o coração apertava. Tudo continuava exatamente do jeito como havíamos deixado, à exceção da cerâmica dos quartos dos meus velhos e do primeiro quarto, que, por sinal, era onde eu dormia, e do estado de deterioração da velha casa. Fomos até o quintal e fiz uma viagem ao passado, à minha infância querida. Passou um filme na minha cabeça: aquele quintal tem muitas doces histórias pra contar de nossas vidas!! Enfim, terminou a minha visita tão inesperada, que me deixou em transe e êxtase ao mesmo tempo.E, ao sair, passando pela minúscula sala de estar, foi como se ouvisse os Beatles na vitrola, e eu, mais minha amiga Grace (Maria Célia Penafort Pacheco), por volta dos 10 anos, dançando seus hits. Aquela casa está impregnada de nós...
Tomando a rua, vejo o velho Nonato, morador da casa que fica ao lado esquerdo, com os cotovelos debruçados sobre o muro. Eu o reconheci de pronto, apesar de não o ver desde que nos mudamos. Cheguei perto dele e disse-lhe: Nonato, eu duvido você dizer quem sou eu. Ele, porém, sem pestanejar, e com convicção, respondeu, soletrando enfaticamente: "N.O.K.A" (Noca, com "cê", era meu apelido de infância). E de novo a emoção bateu mais forte que o meu coração. Depois de conversarmos um pouco, ali, frente a frente, como se o tempo não tivesse passado, mas, da noite para o dia a neve tivesse desabado sobre nossas cabeças, fui embora com mil promessas de fazer novas visitas. Mas, quando me dirigia para o carro, observei que o portão da garagem da casa que fica à direita da nossa, estava entreaberta, denunciando que sua dona já acordara. Cheguei mais perto e vi uma senhorinha de cabelos cor de prata, sentada em uma cadeira. Era Ruth D'Urso, mãe de Itaúna, Iraúna, Índio, Ianaíra e... (esqueci o nome da outra filha). Outro espanto. A velha Ruth D'Urso, é, hoje, a imagem de sua Nona, de quem eu, quando criança, ouvi muitas histórias...Lágrimas também rolaram olhos abaixo quando ela perguntou sobre minha irmã Rosalba Campos, lembrando-se, na sequència, da amada e saudosa amiga Tereza Guerreiro, de quem ela me disse jamais esquecer.
Aí, percebi que a manhã avançava e resolvi partir, trazendo comigo os ecos do passado...
Assim meu coração não Aguenta!!!
Hoje, quase manhã, dei uma carona a um amigo que mora na Boa Sorte, rua no bairro da Matinha onde eu nasci e me criei, até os 15 anos. Deixei-o cerca de uns 200 metros após o início da rua e fui descendo devagar, olhando casa por casa, quando deparei-me com meu amigo de infância, Raimundo Bezerra Barbosa, pai do Ramõn, amigo de meus filhos do Colégio Preciosíssimo Sangue. Ele arrumava os produtos em sua pequena taberna, quando eu gritei: Raimundinhooooooo!!! A festa foi grande.
Nós morávamos em uma casa quase em frente à dele, e, por conta disso, comecei a fazer-lhe algumas perguntas. Ele, então, me apontou um senhorzinho que estava sentado em um banco, em frente à taberna, dizendo-me que ele era a pessoa que havia comprado nossa casa. Conversa vai e vem, o generoso senhor me perguntou se eu queria ir ver a casa, e eu não pensei duas vezes para aceitar o convite. Não tenho como descrever a emoção que senti, e não deu para segurar as lágrimas. Havia 41 anos que eu não botava os pés ali, desde quando nos mudamos, eu com 15 anos. A cada passo que eu dava o coração apertava. Tudo continuava exatamente do jeito como havíamos deixado, à exceção da cerâmica dos quartos dos meus velhos e do primeiro quarto, que, por sinal, era onde eu dormia, e do estado de deterioração da velha casa. Fomos até o quintal e fiz uma viagem ao passado, à minha infância querida. Passou um filme na minha cabeça: aquele quintal tem muitas doces histórias pra contar de nossas vidas!! Enfim, terminou a minha visita tão inesperada, que me deixou em transe e êxtase ao mesmo tempo.E, ao sair, passando pela minúscula sala de estar, foi como se ouvisse os Beatles na vitrola, e eu, mais minha amiga Grace (Maria Célia Penafort Pacheco), por volta dos 10 anos, dançando seus hits. Aquela casa está impregnada de nós...
Tomando a rua, vejo o velho Nonato, morador da casa que fica ao lado esquerdo, com os cotovelos debruçados sobre o muro. Eu o reconheci de pronto, apesar de não o ver desde que nos mudamos. Cheguei perto dele e disse-lhe: Nonato, eu duvido você dizer quem sou eu. Ele, porém, sem pestanejar, e com convicção, respondeu, soletrando enfaticamente: "N.O.K.A" (Noca, com "cê", era meu apelido de infância). E de novo a emoção bateu mais forte que o meu coração. Depois de conversarmos um pouco, ali, frente a frente, como se o tempo não tivesse passado, mas, da noite para o dia a neve tivesse desabado sobre nossas cabeças, fui embora com mil promessas de fazer novas visitas. Mas, quando me dirigia para o carro, observei que o portão da garagem da casa que fica à direita da nossa, estava entreaberta, denunciando que sua dona já acordara. Cheguei mais perto e vi uma senhorinha de cabelos cor de prata, sentada em uma cadeira. Era Ruth D'Urso, mãe de Itaúna, Iraúna, Índio, Ianaíra e... (esqueci o nome da outra filha). Outro espanto. A velha Ruth D'Urso, é, hoje, a imagem de sua Nona, de quem eu, quando criança, ouvi muitas histórias...Lágrimas também rolaram olhos abaixo quando ela perguntou sobre minha irmã Rosalba Campos, lembrando-se, na sequència, da amada e saudosa amiga Tereza Guerreiro, de quem ela me disse jamais esquecer.
Aí, percebi que a manhã avançava e resolvi partir, trazendo comigo os ecos do passado...
DESPROFUNDIDADE
(RÔ Campos)
Quando me dei a ti
Mergulhei tão fundo,
E tudo o que era profundo
Tornou-se superfície.
Era o sol refletindo na água,
Como um espelho cristalino.
Tua aura refletiu na minh'alma,
E vi a beleza da pérola
Que no fundo do teu mar se escondia.
Mas vi também cores sem vida.
De repente, nem vermelho, nem violeta.
Tardes com muito sol,
Inclemente, queimando teu rosto.
Vi a cor da solidão que amargou a tua vida.
E tudo o que habitava as profundezas,
Ao mergulhar minh'alma, tão fundo,
Quase se afogando,
Tornou-se superfície.
E um tesouro emergiu da escuridão
Do fundo do mar da tua solidão,
Onde quase naufragou meu coração navegante.
sábado, 2 de janeiro de 2016
MINHA AMIGA É DILMAIS. EU SOU DILMENOS.
(RÔ Campos)
Acho que perdi uma amiga.
Uma amizade muito antiga.
Daquelas que a gente traz no coração.
Eu andava muito apressada.
E nem cheguei a perceber
Que ela não estava mais aqui.
Ontem foi que me dei conta.
Digitei o nome dela noFacebook.
Muitas outras apareceram.
Mas minha amiga querida
Não estava mais entre os amigos.
Conversei com os meus botões,
Para entender o que se passava.
E meus botões então disseram :
És anti - petista convicta.
E ela... militante do pt.
ESSA TAL FELICIDADE...
(RÔ Campos)
Eu vivia a procurar pela felicidade.
Achava que a vida era triste,
Pois nenhum amor verdadeiro eu encontrava.
Andei muitas léguas.
Atravessei mares turbulentos.
Às vezes quase naufraguei.
Um dia, quando pensei que havia encontrado
O amor da minha vida,
Percebi que era tudo mentira,
Pois o amor não era de verdade.
Quando desisti de procurar essa tal felicidade,
Nos braços e beijos de alguém,
Descobri que na verdade a felicidade
Não depende dos beijos e abraços de ninguém.
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