segunda-feira, 12 de outubro de 2015
FIM DE CASO
(RÔ Campos)
Ainda bem
Que foi tudo ilusão
Que tudo ficou pra trás
Que como toda ilusão
Acabou
Já não me iludo mais.
Ainda bem
Que o cigarro apagou
Que a luz acendeu
Foi o último trago
Já não te trago
No meu coração.
Ainda bem
Não valeu nada a pena
Já paguei minhas penas
Tou de volta pra vida
Quem sabe, na esquina
Aquele amor que deixei.
PRIMAVERA
(RÔ Campos)
Como te esquecer?
Deixar tudo pra trás?
Calar a tua voz,
Se com ela minh'alma se compraz?
Como apagar as lembranças,
Dos dias que vivemos juntos,
Das horas de alegria e de tristeza,
Do teu cheiro que ficou em mim ?
Ainda te vejo correndo por aí,
Feito um menino levado pelo vento,
Que muito cedo criou asas e fugiu
Do céu escuro à procura de outro céu.
Era Setembro quando te conheci.
A Primavera de nossas vidas.
Foi quando então descobri
Que os espinhos não machucam as flores.
SEM AMOR NÃO SEI VIVER
(RÔ Campos)
Coração
Para de sangrar assim.
Coração
Deixa de me machucar.
Coração
Para de bater assim.
Coração
Tem um pouquinho de dó de mim.
Coração
Sem amor sou triste assim.
Coração
Traz o meu amor pra mim.
Coração
Eu não quero mais chorar
Coração
Preciso voltar a sorrir.
Coração
Sem amor não sei viver.
Coração
Eu não sei viver assim.
Coração
Sem amor não sei viver
Coração
Traz o meu amor pra mim.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
PAU QUE NASCE TORTO MORRE TORTO
(RÔ Campos)
O direito é de quem tem
O direito que, doravante,
Não é de mais ninguém.
O direito dizem que é o que é certo,
Bem assim que nunca anda errado.
Direito é direito, não se discute.
Mas já aprendi o velho ditado:
Pau que nasce torto morre torto.
O direito só o tem quem assim prova,
Já me disse o seu doutor e o homem que vestia toga.
Mas quando eu pensei que tinha todas as provas,
Provei da mentira de quem me desmentia.
Tudo aquilo que é justo é direito.
Mas nem tudo o que é dito de direito é justo,
Na balança que ora pende à esquerda,
E ora à direita avança.
PEQUENINA
(RÔ Campos)
Ela andava tão triste,
A saúde meio abalada.
Já não saía pra vida,
Já não ligava pra nada.
De repente, recebeu um convite.
Era uma festa da pesada.
Ela chegou meio acanhada,
Pois não conhecia a moçada.
Foi então que pegou o ganzá,
Que parecia esquecido no canto da sala.
E a Pequenina, que andava tão triste,
Tocou, dançou, sorriu,
Mandou a tristeza ir embora.
Voltou a ser feliz...
NÓ E LAÇO
(R}O Campos)
O amor é laço e também é nó.
No amor eu me transformo,
Sem amor eu me desfaço.
Sonhos sempre serão sonhos,
Sonhos de crianças que ficam grandes.
Sonhos de gente grande como se fossem os pequenos
Grãos que semeados desabrocham.
Mas é sempre no amor que eu me encontro
E é no encontro do amor que eu me acho.
O amor é laço e também é nó.
No amor eu me transformo,
Sem amor eu me desfaço.
Sonhos sempre serão sonhos,
Sonhos de crianças que ficam grandes.
Sonhos de gente grande como se fossem os pequenos
Grãos que semeados desabrocham.
Mas é sempre no amor que eu me encontro
E é no encontro do amor que eu me acho.
UM PEQUENO CONTO SOBRE COISAS NÃO TÃO PEQUENAS
(RÔ Campos)
De repente, visitas inesperadas. Uma viagem não planejada, o meio da noite fria e longa.
Ouço o barulho de carros, de motos emparelhadas, a sirene tocando.
Parece ambulância. Parece polícia.
Vejo no alto, desafiando a força dos ventos, os helicópteros bandeando de um lado para o outro. Aviões que vêm e vão, quebrando aqui embaixo o silêncio das manhãs.
E meus gritos no quintal chamando por meu pai :
- Corre! Corre! Vem ver, papai!
Depois, de novo o silêncio.
E mais uma vez, e outra vez. Um barulhinho no quintal, que, de pronto, distingo: ora um bem-te-vi, ora um sanhaçu, e também um pequenino beija - flor. Ora todos eles de uma vez só, voando de um lado para o outro, do muro alto do vizinho ao lado para os galhos do cansado cajueiro (sobre o qual até hoje se debate como foi nascer ali: teria sido a vovó quem o plantou, ou a dedicada empregada que não trabalha mais aqui? Ou - quem sabe? - os passarinhos que não se cansam de carregar no bico sementes que vão brotar noutros quintais? ), e do velho cajueiro para a cumeeira da edícula.
E, assim, os passarinhos iam e vinham. Ora também planando. E meus olhos não se cansavam de olhar, como se quisessem adivinhar como eles conseguiam ficar assim, parados, no vão do espaço, sem bater as asas.
De repente, fechou o tempo. Nuvens escuras começam a se desenhar no céu.
Pergunto à minha avó se ela vê, como eu, aqueles pássaros grandes, lá no alto.
- Parecem paraquedas, né, vovó? - indago.
E minha vó me diz que não.
- São urubus. Muitos urubus juntos.
Prenúncio de chuva - completa minha vó.
- E por que, vovó? - insisto eu.
Nesse momento, meu pai entra na conversa:
- Ou - quem sabe? - bichos mortos - diz ele.
Mas minha vó rebate, dizendo que não.
- É chuva! Chuva de verão. Vem com muito vento, desarrumando tudo, quebrando os galhos das árvores, derrubando placas nas ruas, destruindo telhados. E, depois dos estragos, vai embora, na mesma velocidade com que veio.
Acordei. E me dei conta de que já se passaram muitos anos desde esses acontecimentos, que, hoje, vieram me visitar através dos sonhos.
E não me recordo de minha avó me haver dito o porquê de aqueles urubus gigantes voando em círculos no céu, entre as nuvens escuras, ser prenúncio de chuva. Nem o que significava "prenúncio".
Agora eu sei o que quer dizer a palavra prenúncio. Mas, confesso, ainda hoje não consegui descobrir - até porque minhas curiosidades de infância foram substituídas pelas coisas duras com que me deparei na adolescência e na vida adulta - a razão pela qual os urubus, quando o tempo fecha, como se estivessem em festa, voam em grande número entre as nuvens escuras e pesadas, prenunciando a chegada da chuva.
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