terça-feira, 17 de fevereiro de 2015
LIBERDADE E CONSCIÊNCIA
(RÔ Campos)
Sinto muito...
Eu não queria que tudo terminasse assim.
Com você até - quem sabe? -
Remoendo ódio contra mim.
Posso até estar errada,
Mas o que me importa não é o que você e os outros vão pensar de mim.
E sim o que me diz a voz da minha consciência,
Que sempre foi o meu juiz.
Se, neste caso, fizeste um pacto com o silêncio,
Minha consciência, ao contrário,
Que nunca se fez omissa,
Também não se calou.
Somos todos homens livres.
E minha liberdade, se é minha,
Como, aliás, assim decretou Mandela,
Não cabe a ninguém mais declará-la,
E a mim, apenas a mim,
O exclusivo e pleno exercício dela.-
domingo, 15 de fevereiro de 2015
RELUZIR
(RÔ Campos)
Hoje eu acordei com uma vontade danada de saber
Aonde anda você, meu amor···
Deve ter sido porque a lua ontem estava tão linda;
Parecia um risco no céu,
Minguante, crescente, eu não sei bem ao certo·
Só sei que me deu uma saudade tão grande···
E essa vontade de te abraçar e te beijar,
Como na primeira vez em que nos vimos···
O tempo tem varrido muitas coisas,
Mas ele nunca se tornou meu algoz ou se fez bandido·
E jamais tentou roubar as jóias preciosas que delicadamente guardo na caixinha do meu coração·
E você é uma delas, meu amor:
Um diamante lapidado pela força bruta,
Mas que, no céu da minha vida e no meu infinito particular,
Reluz muito mais que mil estrelas···
HIPERTENSÃO
(RÔ Campos)
Perdoa, coração,
Se, às vezes, eu ando à toa,
Te machuco, te magoo,
Cuido tão mal de ti·
Sabe, coração,
É que, às vezes, de repente,
Me bate uma grande aflição;
Quero ganhar o mundo,
Despistar a solidão·
Aí, coração,
Numa ânsia incontida,
Saio à procura de dopamina,
Me enveneno e, por tabela,
Te faço tanto mal·
Perdoa, coração,
Por te estreitar as artérias,
Por te deixar tão bravo e cansado,
Com as batidas desesperadas,
E eu, aqui, com medo de te perder···
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
DESEJO DE AMAR
(RÔ Campos/Lívia Mendes)
Muito tarde pra dormir.
Muito cedo pra acordar.
Muitos sonhos pra sonhar.
E esse desejo enorme de amar
Que nunca passa,
Que nunca morre.
A madrugada ainda dorme.
Ouço o sibilo do vento,
O motor da fábrica em movimento,
O cão latindo lá longe.
E penso:
É muito tarde pra dormir
E muito cedo pra acordar.
E esse desejo enorme de amar,
Que nunca passa,
Que nunca morre
É muito tarde pra dormir
E muito cedo pra acordar.
E esse desejo enorme de amar,
Que nunca passa,
Que nunca morre
MERGULHO
(RÔ Campos)
Me leva pra dentro de mim.
Me faz voltar pra mim.
Saber quem eu fui, quem eu sou,
O que posso ainda ser.
Me fala voz do coração.
Me ensina a lição secular:
A fúria não salva os covardes;
A coragem é a luz do viver.
Me mostra o que não pude ver.
Me faz sentir o invisível.
Esquecer o tempo perdido.
Traçar um novo começo.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
DOIS DE JANEIRO DE 2015
(RÔ Campos)
Hoje resolvi revirar os meus guardados,
Revolver o meu passado,
Reabrir as caixas que lacrei·
Reli as cartas que escrevi, e nunca enviei·
Todas falavam de sonhos e amores desfeitos,
De saudades que fizeram doer o peito·
Chorei ao reler as cartas que recebi,
Os cartões desejando Boas Festas, Feliz Aniversário·
E havia também outros que acompanhavam as flores que me eram enviadas·
Muitas foram as confissões de amor eterno,
E também as promessas jamais cumpridas·
Encontrei até velhas roupas rasgadas,
Fotografias às dezenas, como registro dos momentos de alegria e felicidade·
Vi em algumas cartas marcas das lágrimas furtadas dos meus olhos,
Que tantas vezes se fecharam para não sucumbir·
E nessa viagem ao túnel do tempo,
Encontrei corações delicadamente tecidos com fios de cobre,
O meu nome ao lado do nome dele·
Quando dei por mim, já era noite·
Devolvi tudo para as caixas onde estavam guardadas essas lembranças,
E lacrei-as novamente com as fitas que eram os laços,
Que envolviam os buquês das rosas vermelhas,
Que o homem que jurava que me amava, me mandava·
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