(RÔ Campos)
Estava aqui a conversar com os meus botões· Acredito que todos nós, em algum momento da vida, já nos sentimos extremamente sós· E quando falo em solidão, não me refiro à ausência de pessoas, mas, sim, àquele momento em que, mesmo rodeados de gente, a sensação que temos é que estamos abandonados à nossa própria sorte, sem ver uma luz sequer, sem sabermos o que vai ser feito de nossa vida· E ninguém, absolutamente ninguém poderá nos ajudar· Nesse momento - eu acredito - não adianta se desesperar, porque o desespero nunca foi aliado de ninguém· O melhor a fazer é esperar e deixar que as coisas aconteçam, porque elas acontecerão, seja de que forma for·
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
VIDA
(RÔ Campos)
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E como companheira uma estrela solitária, que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava, também, uma inquebrantável fé em Deus no coração·
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa, onde guardava todos os seus sonhos· Quando as pessoas lhe perguntavam o que ele carregava naquela mochila, ele sempre respondia: "a minha vida".
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···e minha·
Ele vivia em uma casa que não tinha portas nem janelas· Todas as suas posses era uma grande e pesada mochila que carregava nas costas franzinas · E como companheira uma estrela solitária, que se punha a mirar, dizendo, feito criança: "olha, essa é a minha estrela!" · E carregava, também, uma inquebrantável fé em Deus no coração·
Na mochila, levava o armário do quarto, uma bolsa contendo as ferramentas e a matéria prima de seu trabalho com a arte· Além de uma pequena caixa, onde guardava todos os seus sonhos· Quando as pessoas lhe perguntavam o que ele carregava naquela mochila, ele sempre respondia: "a minha vida".
Faz mais de quatro anos que não vejo nem ouço falar nesse pequeno grande homem, que parecia ter a face esculpida e as mãos lapidadas por outro grande artista· Mas sempre me lembro dele nas noites em que Léia - era assim que ele chamava a Lua - surge absoluta e exuberante· E quando, perambulando pelas noites vadias, vejo na imensidão do céu a estrela solitária, que sempre foi dele···e minha·
DIOGO: SOBRE O DIA E A NOITE, O SOL, A LUA E AS ESTRELAS
(RÔ Campos)
Acorda! Olha pela janela!Vem ver! É de manhã! O sol já chegou! É hora de levantar!
Olha só, o céu tá ficando escuuuuro! Por quê? Cadê o sol? Pra onde ele foi?
Já é noite! Olha a lua! Ela tá tão bonita! Onde a lua mora? Eu quero ir lá na lua! Mas por que a lua vive tão alto? Posso colocar uma escada para eu tocar a lua?
Olha aquela estrela bem perto da lua! Por que ela fica ali? Como é grande essa estrela! Por que tem estrelas grandes e pequenas?
Vem! Vem pro quintal, pra ver como o céu tá tão bonito!
(Todas essas frases são ditas pelo meu neto Diogo, muitas vezes pela manhã, quando vai me acordar, à noite, quando se avizinha, ou quando vamos ao quintal, nas noites de lua cheia ou lua nova (ele compara a lua a uma bola, ou círculo), ou mesmo nas noites de lua crescente ou minguante (quando ele a compara a uma banana),
Acorda! Olha pela janela!Vem ver! É de manhã! O sol já chegou! É hora de levantar!
Olha só, o céu tá ficando escuuuuro! Por quê? Cadê o sol? Pra onde ele foi?
Já é noite! Olha a lua! Ela tá tão bonita! Onde a lua mora? Eu quero ir lá na lua! Mas por que a lua vive tão alto? Posso colocar uma escada para eu tocar a lua?
Olha aquela estrela bem perto da lua! Por que ela fica ali? Como é grande essa estrela! Por que tem estrelas grandes e pequenas?
Vem! Vem pro quintal, pra ver como o céu tá tão bonito!
(Todas essas frases são ditas pelo meu neto Diogo, muitas vezes pela manhã, quando vai me acordar, à noite, quando se avizinha, ou quando vamos ao quintal, nas noites de lua cheia ou lua nova (ele compara a lua a uma bola, ou círculo), ou mesmo nas noites de lua crescente ou minguante (quando ele a compara a uma banana),
SOBRE A GRATIDÃO
(RÔ Campos)
Nunca espere nada de ninguém· Nem gratidão· Acostuma-te à falibilidade humana· Se alguém te for grato, registra nos haveres da tua contabilidade· Ao contrário, lançar a débito nunca vale a pena·
Nunca espere nada de ninguém· Nem gratidão· Acostuma-te à falibilidade humana· Se alguém te for grato, registra nos haveres da tua contabilidade· Ao contrário, lançar a débito nunca vale a pena·
AMO-TE
(RÔ Campos)
Amo-te·
Amo-te tanto que esqueci até de mim,
E vivo a contar os dias e as noites, esperando que tu regresses·
Amo-te, e é esse amor que me alimenta e me faz sonhar e crer que o sol vai voltar·
Amo-te·
Amo-te tanto, e o meu amor tem a estatura de um gigante e a certeza da eternidade·
Amo-te, e foi o teu amor que me ensinou
Que o amor tem razões que a Razão sempre me negou·
A PARTE QUE ME COMPETE
(RÔ Campos)
Vai dar tudo certo
Ainda que tudo pareça tão escuro
Que o céu se afigure tão longe
E o inferno pareça tão perto·
Vai dar tudo certo
Ainda que pareça tão tarde
Que os ventos soprem ao contrário
Tentando driblar minha sorte·
Vai dar tudo certo
Quando o trem do destino passar
Terei feito a minha parte
E tomarei o assento rumo à felicidade·
·
domingo, 11 de janeiro de 2015
OLHOS VENDADOS
(RÔ Campos)
Quando o sol bater no teu peito,
E, meio sem jeito, abrires a porta,
E deixares o sol entrar -
Trazendo a luz que te mostre aos olhos
Que tão rasas são as alegrias,
E tão falsos os amores e amigos
Que povoam as tuas folias -
Quem sabe, assim, então,
Esgotes os teus estoques de ilusão,
E voltes pra vida, desiludida,
Pra cuidar do que é teu.
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