quinta-feira, 10 de julho de 2014

DE QUE É FEITA A VIDA


(RÔ Campos)

Depois que a cheia vazar
A poeira sentar
A dor diminuir
A tristeza passar
Eu volto pra vida
E deixo a vida me levar
(Pela porta que nunca fecho)
Até chegar a próxima agonia.

É nessa onda perigosa que eu surfo
E nesse rio turbulento que navego
E assim eu vou...vivendo
Como o samba, que ri e que chora
E a noite que derrama em silêncio
No orvalho da madrugada
As lágrimas das almas aflitas
Que queimam nas fagulhas dos incêndios.

Porque a vida é feita disso:
De alegrias e tristezas
Cair e levantar
Sonhos e incertezas
Calmarias e vertigens.
De "quem sabe ?"
Ou talvez.
E da solidão de quem se vê sozinho

segunda-feira, 7 de julho de 2014

DEPOIS QUE O TEMPO PASSOU


(RÔ Campos)
Já faz muito tempo, houve um tempo em que a gente achava que o tempo nunca passaria. E pedíamos a ele que corresse. Queríamos crescer, virar gente grande, fumar um cigarro, tomar um drinque.
Aí, então, o tempo foi passando. E, como tínhamos pressa, não percebíamos que o tempo se ia, levando com ele, a cada por-do-sol, a cada lua que dormia, um pedacinho de nós.
E, agora, depois que o tempo passou, eu vivo a pensar no sol e na lua, que muitas vezes deixei de olhar, com tanta pressa que eu tinha, de ver o tempo passar...
Bate um desejo de botar as mochilas nas costas, seguir por aí, sem qualquer direção, ganhar o mundo. Mas, de repente, eu me lembro que os sonhos também batem as pernas. E que os sonhos de menina são como fios de cabelo, agora brancos, que, com o tempo, caem e perdem a cor...

sábado, 28 de junho de 2014

CADA DIA


(RÔ Campos)

Tá tão difícil···
A estrada é longa,
Mas a vida é curta·
A barra tá pesada·
Ouvi alguém falar:
Salde logo as suas pendências,
Porque, de repente, tudo muda·
Até as pedras trocam de lugar·
Tem doido mudando o curso do rio·
Tem maluco querendo se matar·

E eu tenho me rebolado,
Virado-me do avesso·
E daqui a pouco estou de frente·
Encaro a noite triste,
O dia nada claro·
E daqui a pouco a nuvem escura passa·
São dias que são assim:
Às vezes eu já nem sei mais de mim·
Mas quando nasce um novo dia,
Eu me lembro que ainda ontem eu também morri·
E se agora eu abro os olhos e vejo o sol,
É porque hoje também eu renasci·
E assim, eu vou-me embora estrada afora·
Vou-me hoje para voltar amanhã,
Como a lua e o sol de cada dia·
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domingo, 25 de maio de 2014

BRIGA DE CASAL NA ERA DIGITAL


(RÔ Campos)

Ela diz que não está legal.
O cara também fala que a coisa vai mal.
Que não aguenta mais isso e aquilo.
Enche a página do Facebook só naquela de reclamação.
Bota a boca no trombone.
Diz no status que está cansado da vida de casado.
Que é fiel e nunca trai.
Mas a mulher só desconfia de tudo que ele não faz.

Irado, pensa que o Facebook é lavanderia:
Impesta a página jogando fezes no ventilador.
E ela, esperta, recua e se finge de morta.
Não demora e estampam no Face as fotos da reconciliação.
Mil juras de amor eterno, abraços, afagos
(Um tipo secreto de massagem no ego).
Sorrisos no rosto, beijos loucos.
Até a próxima briga e o Face virando lavanderia de novo.
Um esfregando a roupa suja na cara do outro.
Ninguém sabe com quem está a verdade.
Mais louco ainda é quem, como diz o velho ditado,
Mete a colher em briga de marido e mulher.

E, agora, vejo o cara postando de novo no Face,
Falando com a maior cara de pau,
Que não disse nada daquilo no status;
Que foi alguém que invadiu sua página.
E tudo não passou de um negócio viral.

ALGUMAS NOTAS

(RÔ Campos)

Acabei de dizer à uma amiga: "Há quantos anos não nos vemos?! Que saudade daqueles tempos, quando ainda sonhávamos muito!!! Continuamos sonhando, é claro. Mas, agora, sonhos compatíveis com o nosso tempo, um novo tempo".
Minha sobrinha Vanessa Campos, disse-me, certo dia: "até os sonhos têm sua época".
Os sonhos sonhados na juventude já não encontram eco na maturidade. Naquela época, as mulheres sonhávamos com o príncipe encantado. Para alguns homens bastava uma gata borralheira. Mas nada disso nos impede de sentir saudade. Principalmente dos sonhos que sonhamos e não pudemos ou não fizemos nada para concretizá-los.
E vez em quando é bom sentirmos o aroma das flores se abrindo na primavera... E é bem melhor do que sentirmos o cheiro forte de urina, da fumaça preta que sai do escapamento dos automóveis, dos esgotos a céu aberto, do amargo na boca

terça-feira, 20 de maio de 2014

DEIXA


(RÔ Campos)

Deixa o desejo falar
Abre a boca
Escancara um sorriso
Fecha os olhos
Deixa entrar o sentimento.

Deixa que eu te roube um beijo
Quero descobrir os teus segredos
Navegar nos rios do teu coração
Ser teu leme, tua quilha
Teu mastro, teu convés.

Deixa que hoje a noite é feita de estrelas
Parece ser festa no céu
E mesmo que a chuva te açoite
Não te queixes, não é nenhum castigo
Amanhã vão-se abrir os girassóis.

domingo, 18 de maio de 2014

RESPOSTA A UM "RELIGIOSO" FUNDAMENTALISTA


(RÔ Campos)

Já andei por muitos cartórios procurando, mas nunca achei. Talvez em algum tabelionato em outras galáxias, quem sabe, um dia eu possa encontrar. (É, deve haver outros mundos, em outras dimensões do Cosmo!). Vez em quando eu esqueço dessa minha procura. Mas, quando algum grileiro surge, assim, de repente, meio que defendendo o seu quinhão, vem-me logo à memória, e penso: vou em busca dessa escritura. Quero saber quem foi o primeiro dono destas vastas terras cá do nosso planeta, e de que forma (a que título) e de quem ele as adquiriu. E tenho outras curiosidades, também: 1) Como se deu o loteamento de tanta terra?; 2)De onde surgiu tanta gente, ocorrendo essa irrefreável expansão? Em que momento apareceram os grileiros? Além das terras do lado de cá, abaixo do azul infinito, é verdade que o primeiro dono também era proprietário do espaço sideral,e, nessa condição, também doou, loteou, vendeu o céu? Quantos o adquiriram? - pergunto eu aos meus botões - já que o que existe por aqui de gente que se intitula dono nem que seja de um pedacinho do céu. E o inferno, existe mesmo? Se positivo, o primeiro dono destas terras de cá e do espaço celeste, também o doou, loteou, vendeu? Quem o comprou? Algumas pessoas falam em Escrituras Sagradas, mas eu insisto em saber quem, naquele tempo, teria fé pública para lavrá-las. E, ainda, se já existisse o notário, quem o dotava dessa fé? E os grileiros, desde quando surgiram? Muitas perguntas eu vivo a me fazer. Quem sabe, igual a Tomé, eu precise ver para crer. Por isso, acredito tanto na Ciência. Na Razão. Na certeza de que cada um de nós é apenas um grão de areia, formando os grandes desertos, onde marcham multidões de desertos corações, para onde eu não sei...Por isso, tenho tanta fé na minha fé. Eu creio na Fé raciocinada. Eu creio na Razão que nos induz a pensar e acreditar que só o amor e a compaixão salvam-nos da mediocridade.