domingo, 5 de janeiro de 2014

NINA


-Éric Vinícius Campos Freire-

Nina, Nina, Nina
Pequenina, Tia Nina!
Por que queres ir tão longe
Se não mais de 14 atingirias?
Qual a força que te move
Se até a medicina descria?

Nina, Nina, Nina
Valente, Tia Nina!
Que segredos tu escondes
Debaixo de tão pequena carcaça?
De onde tiras tanta força?
Onde encontras tanta graça?

Toda cheia de manias,
Uns chamam até de frescura
Mas ninguém a ti pergunta
O quanto isso te incomoda
Ou qual o tamanho da tua luta.

Nina, Nina, Nina
Boêmia, Tia Nina!
Brindemos à tua alegria!
Brindemos à tua vasta idade!
Hoje tens mais de cinquenta.
Mostraste à medicina a verdade:
Ninguém sabe mais do que Deus.
Nada pode mais que a vontade.

SE


(RÔ Campos)

Eu queria ser um ladrilheiro
Para muitos caminhos ladrilhar.
Eu queria ser um pintor
Para muitas tristezas colorir.
Eu queria ser um ferreiro
Para o preconceito fundir.
Eu queria ser músico
Para a muitos corações falar.
Eu queria ser poeta
Para em muitas almas entrar.

REDEMOINHO


(RÔ Campos)

E meus sonhos medonhos
Misturam-se às lembranças
Envolvem-se rapidamente
Revolvendo as entranhas
E permanecem...
E também partem...
Andam não sei por onde
Quem sabe, alguns desertos
E depois voltam com os ventos.

E nesse vai e vem
De partidas e regressos,
Vivo a pensar no amor
Que nunca confessei
E deveria ter confessado.
Vivo a me indagar:
Por que aquele abraço
Ficou contido nos meus braços?
Por que aquele beijo
Ficou preso em minha boca?

O CAMINHO


(RÔ Campos)

Que tudo seja luz
Dispersando as trevas
Do passado!
Que tudo seja luz
Clareando os passos
Do futuro!
Que tudo seja ouro
Refletindo a Vida,
Buscando o Tao,
A Subida.

GOZO PROFUNDO


(RÔ Campos)

E quando minha alma caminha pelos campos e vales...É como se minha alma se ajoelhasse e rezasse uma prece, num encontro glorioso com Deus, provocando um gozo profundo e indizível.
E quando minha alma caminha pelos vales e montanhas da música...É como se minha alma ficasse muda. Porque a música tem algo mais que só beleza. A música nos comunica uma certeza: "Sem música a vida seria um erro".

CONSCIÊNCIA CÓSMICA


(RÔ Campos)

Oh quanta vergonha senti
Pelos carvalhos que cobicei!
Tantos eu também plantei,
Mas desejei os do vizinho ao lado.

E fui então confundida
Pelos jardins que escolhi.

E tornei-me como os carvalhos cobiçados.
E minhas folhas foram ao chão,
Caídas, sem força, sem vida.

E nos jardins que escolhi
Também não havia água.
E veio o sol e queimou a relva,
E as labaredas consumiram meus jardins.
E eu então ardi no fogo de minha cobiça.
E nunca houve quem o apagasse.

Mas, veio um tempo, e a solidão doía.
Eu, em meio aos meus jardins já mortos,
Quando senti uma névoa flamejante me envolvia.
Era uma Luz Viva, sem manchas, sem nódoa,
O despertar verdadeiro, cheio de alegria,
De uma CONSCIÊNCIA CÓSMICA.

Obs: Construído a partir de Isaías, 1:29,30,31, e, a última estrofe a partir de "Consciência Cósmica - Um estudo sobre a evolução da mente humana" ( Richard Maurice Bucke)

DEMORASTE TANTO


(RÔ Campos)

Demoraste tanto
Que cansei de esperar.
Demoraste tanto
Que tirei a roupa,
E, quase louca,
Me joguei da cama
Sobre o chão do quarto.

Demoraste tanto
E eu te necessitava.
Procurei desesperadamente
Alguma coisa que acabasse
Com aquela louca espera.
Que pusesse um fim
Na saudade que dilacera.

Demoraste tanto
Que o jantar esfriou.
A janela da sala estava aberta
E o vento bateu,
A vela apagou,
E o amor morreu
De tanto frio.