segunda-feira, 11 de novembro de 2013

FIOS DA VIDA



(RÔ Campos)

Foram tantos os planos...
E quantos mais planos fiz,
E mais depositei meus sonhos em cestas alheias,
Tantos mais foram os meus desenganos.

Quantos mais desenganos sofri,
E mais feridas se abriram,
Mais forte busquei ser,
Para não me entregar,não ruir.

E quanto mais força procurei,
Muito mais encontrei nos escombros
De outros sonhos do passado, desfeitos
Latentes em minha memória.

Agora, eis-me aqui.
Já não sonho os mesmos sonhos.
E aqueles tantos desenganos,
Os fios que tecem a vida me ensinaram a esquecer.

RETRATOS DA VIDA


(RÔ Campos)

São muitos os retratos
Diante dos meus olhos cansados,
Como se fosse uma avenida
Da vida, nas telas do cinema,
Me trazendo o passado.

Vejo o sorriso escancarado,
Um beijo, o último abraço,
A cama desfeita, o café na mesa.
Ouço os gritos das crianças,
O latido dos cachorros,
O disco tocando na vitrola.
Ouço as vozes de outrora.

A luz vai embora.
Abro a janela da sala, o vento me beija
E apaga a vela posta sobre a mesa.
Está tudo escuro, agora,
E, ainda assim, vejo rostos,
Muitos rostos na parede da memória,
Que nem a força do vento leva embora.

Fecho os olhos e tudo fica claro
A infância alva como os fios da manhã
Os primeiros dias de escola,
As brincadeiras na hora do recreio.
Eu, sempre querendo ser a melhor,
As melhores notas, o melhor trabalho
Na escola, com as amigas, na TV.

Quase que esqueci de viver.




domingo, 10 de novembro de 2013

REINO ENCANTADO DA PARCERIA

(RÔ Campos)

Era uma vez
Uma velha rainha e um jovem rei...
Ela habitava um castelo
No reino da fantasia
Onde portas e janelas
Paredes, telhado e cozinha
Eram todos feitos de poesia.

Ele, tão logo veio ao mundo
Habitou um mágico palácio
No reino da musicologia.
Menino prodígio, predestinado
Cedo iniciou os seus acordes
Espalhando em todo o reinado
O que as musas lhe inspiravam.

Um dia, a velha rainha e o jovem rei
Casualmente se encontraram numa festa
Num reino próximo aos seus
Onde o rei, já vivido, reinava, havia um tempo
Na Constelação dos Corações Valentes.
E o jovem rei, movido pelo encantamento
Pôs-se a musicar os versos da velha rainha.

Era uma vez
Uma velha rainha e um jovem rei
Que se conheceram no reino da fantasia
Poetando acerca de amores imaginários.
Melodia e poesia se encantaram e se casaram
E, desse casamento perfeito, deram à luz uma filha:
Música, é o nome dela.

A PROVA DOS NOVE

(RÔ Campos)

Que coisa mais linda
De se olhar.
Que coisa mais linda
De se viver.
Que coisa mais linda
É viver para o samba.
Porque só quem sabe o samba,
Sabe também o que é viver.
Porque só quem vive de verdade,
Prova do doce e do amargo,
Do que é amar e sofrer.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

SÓ O TEMPO


(RÔ Campos)

Só o tempo vai dizer
O que tantas vezes já tentei
Mas eu posso dizer, eu sei
Você vai se arrepender.

Só o tempo vai dizer
O que você nunca quis ouvir
E você vai então lembrar de mim
E também vai se arrepender.

Só o tempo vai dizer
Sobre o verdadeiro amor
Esse que você não deu valor
E será tarde pra se arrepender.

domingo, 3 de novembro de 2013

O HOJE E O AMANHÃ


(RÔ Campos)

O hoje sempre acaba
Mas o amanhã sempre vem
Ainda que seja coberto de trevas
Ainda que seja repleto de luz.

O hoje sempre acaba
Mas o amanhã sempre vem
Ainda que seja na névoa da guerra
Ainda que seja na brancura da paz.

O hoje sempre acaba
Mas o amanhã sempre vem
Para quem acredita no amor e na vida
E não se esvai no fogo da desilusão.

sábado, 2 de novembro de 2013

QUANDO A RAZÃO PERDE O JUÍZO

(RÔ CAMPOS e VALDO CAVALCANTE)

Quem era pra estar certo
Acabou perdendo a razão.
Um pai à procura de sua menina
Perdida, no meio do parque
Fumando maconha
Entre amigos de araque.
Todos meninos perdidos
Sem rumo na base de um baseado
Fungando no embalo do funk.

Quem era pra estar certo
Acabou perdendo a razão
Revoltando a pequena multidão
De pequenos perdidos no parque
Sem base, sem laço, sem casa.
Meninos perdidos na rua
E nos labirintos da mente
Vitimizados, vítimas
Da família, do Estado
Desse estado de coisas.


Quem era pra estar certo
Acabou perdendo a razão.
Porque a razão tem razões
Que as paixões desconhecem.

Quem era pra estar certo
Acabou perdendo a razão.
Porque as paixões não têm razão.
Porque as paixões não têm coração.
E sempre agem à revelia.
E sempre perdem a cabeça.

Quando a razão perde o juízo
Não há mais chão. Só abismo.