segunda-feira, 7 de outubro de 2013
O SOL E A LUA
(RÔ Campos)
A lua e eu. Eu e a lua
Eu namoro ela declaradamente
Ela namora o sol às escondida.
Os dois, ouvi dizer, nunca se viam
Mas, vou contar um segredo:
Outro dia, do outro lado da rua
Eu juro, olhei pro céu
E vi o sol cara a cara com a lua.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
VELAS AO VENTO
VELAS AO VENTO
(RÔ Campos)
E ninguém pode entender
O que há no coração de alguém
E quem vai tentar saber
Sem enxergar além?
Os olhos são um mar
O peito um imenso cais
Quem há de ancorar
Sem nem temer jamais?
As dores do amor
São quais punhais que ferem
Mas quem o crucificou
Deixando marcas na pele?
E vejo lágrimas, a peste
Uma cruz que se carrega
Só o amor - não há quem negue
Solta ao mar o barco, ao vento a vela.
A ESCALADA DA VIOLÊNCIA E A PERDA DA DELICADEZA
(RÔ Campos)
Ontem à noite eu senti medo. Estava em frente à minha casa, por volta das sete da noite, conversando com minha irmã Rosana, que estava de saída, quando vimos uma moto subindo a rua; tratamos de entrar imediatamente, e só voltamos quando tivemos certeza de que a moto havia desaparecido. Continuamos a conversa, quando percebemos dois rapazes magros, um deles sem camisa, descendo a rua. Corremos para dentro, eu, agoniada, sem conseguir fazer funcionar o controle remoto do portão. Meu coração ficou na boca, com medo de que, acaso fossem bandidos, entrassem na minha garagem antes que o portão baixasse totalmente.
Não são raros os dias em que temos vivido amedrontados, assustados com tanta violência em nossa cidade, tanto faz dentro de casa ou no meio do mundo. Volta e meia são os amigos ou desconhecidos brutalmente assassinados, como no último final de semana, a querida Michelle Freire, e, ontem, a família Xavier, em pleno recesso de seu lar.
Temos medo de abrir o portão para atender a um pedinte à procura de comida, de roupa ou de qualquer outra ajuda. Já não abrimos mais a nossa porta para qualquer um, temos receio até de socorrer alguém que, muitas vezes, precisa realmente de ajuda, porque ninguém traz identificação em sua face. O mais lamentável de tudo isso, além das perdas irreparáveis, dos sonhos cerceados, das vidas adulteradas e abreviadas, é que por força dessas circunstâncias, nós, sem querermos, estamos pouco a pouco perdendo a delicadeza.
FRAGMENTOS DE MEU TEXTO "CONFISSÕES"
RÔ Campos
"Vivíamos aqueles idos tempos, e eu jurava que te sabia. Ninguém tirava de minha cabeça que eu conhecia a tua cor predileta, o prato preferido, o que te fazia feliz, e tudo o que poderia causar-te mágoa. Eu supunha saber até os sonhos que ainda não havias sonhado. E, assim, os anos se foram...Eu continuei jurando que te sabia. Sempre estavas aqui, quando mais te necessitava, mesmo quando não te chamava. Cheguei a pensar que também me amavas, com a mesma força, a mesma medida e a mesma intensidade. Confesso-te que me enganei. Não, nem tu mesma sabias que a nossa aliança não era de verdade, não naqueles dias. O elo foi quebrado, e eu fiquei durante muito tempo tentando colar os cacos dos meus cristais, consertar os meus navios, com uma tristeza profunda no meu coração, exatamente porque o elo havia se partido, escancarando a fraqueza de todos nós. É bem verdade que não eras aos meus olhos, por exemplo, uma rocha, mas uma jóia preciosa, isto, sim. Uma jóia que, então, perdera o seu valor. Depois que consertei os meus navios, nossos destinos tomaram rumos diversos. Naveguei por outros mares, descobri novos amigos, novos mundos, vivi coisas inusitadas, e vez em quando lembrava de ti, que sempre estivera ao meu lado me vigiando com os olhos de Moscou, e me lembrando de coisas com as quais não me importava. Nessas minhas andanças, compreendi tuas razões. Descobri que nós, as mulheres, somos mesmo assim quando estamos amando (aliás, faz algum tempo que o amor não mora mais em mim...). Brigamos com o mundo, tornamo-nos cegas, trocamos tudo num segundo, mesmo que seja bom, pelo gostinho amargo de um "amor" que maltrata. E insistimos. Acreditamos que vamos conseguir vencer, mudar o outro, quando, na realidade, tudo o que precisamos é mudar o rumo do navio que transporta o nosso destino, alçar velas, dobrar à direita ou à esquerda, buscar um atalho, vencer a tempestade, ou, então, deixar que o vento nos leve para longe, seguir em frente, sem voltar os olhos para trás, porque o passado é um baú cheio de ossos e restos de cabelo.
Acho que foi na Primavera que nos reencontramos. Tu já estavas refeita e vivias um novo amor, que também era velho.Ainda o vives até hoje...e parece eterno.
Eu...faz algum tempo vivo livre, sem amar. O mar é calmo e o céu azul e cheio de estrelas. É muito estranho para mim, que tanto já amei, - amores esses que aprisionam - viver num mundo livre, coração solto, sem amar ninguém. É uma espécie de cumprimento de dura pena em liberdade. E tenho rogado a Deus que me condene a voltar a crer que amores são possíveis".
domingo, 29 de setembro de 2013
DURA PENA
(RÔ Campos)
Minha alma vive livre sem amar
Num mar tão calmo e céu azul.
Minha alma já não crê no que virá
Porque meu coração não mais espera.
Por isso eu pergunto aos juízes:
O que é viver num mundo sem amar
Cumprindo dura pena em liberdade?
Então eu imploro a Deus que me condene
A crer de novo que amores são possíveis.
TUDO POR NADA
(RÔ Campos)
(Uma singela homenagem à querida Michelle Freire, que amava a vida, funcionária desde sempre do Porão do Alemão, muito querida por todos, e que foi brutalmente assassinada ontem, nas ruas violentas desta Manaus também violentada).
Um cão nojento abreviou
A vida que tanto amavas.
Tudo por nada.
Tudo por nada.
Oh, Michelle!!!
Oh, Michelle!!!
Hoje o rock vai ser no céu!!!
O rock aqui na terra emudeceu!!!
(Uma singela homenagem à querida Michelle Freire, que amava a vida, funcionária desde sempre do Porão do Alemão, muito querida por todos, e que foi brutalmente assassinada ontem, nas ruas violentas desta Manaus também violentada).
Um cão nojento abreviou
A vida que tanto amavas.
Tudo por nada.
Tudo por nada.
Oh, Michelle!!!
Oh, Michelle!!!
Hoje o rock vai ser no céu!!!
O rock aqui na terra emudeceu!!!
AONDE O VENTO ME LEVAR (Sobre aforismo de Nietzsche)
(RÔ Campos)
"Desde que me cansei de procurar,
aprendi a encontrar;
Desde que o vento me fez frente
velejo com todos os ventos."
Assim, vou vivendo cada momento,
Seguindo o mar do meu destino,
Sem os reveses da força do vento:
Vou aonde o vento me levar.
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