(RÔ Campos)
E ninguém pode entender
O que há no coração de alguém
E quem vai tentar saber
Sem enxergar além.
Os olhos são um mar
O peito um imenso cais
Quem há de ancorar
Sem nem temer jamais.
As dores do amor
São quais punhais que ferem
Mas quem o crucificou
Deixando marcas na pele?
E vejo lágrimas, a peste
Uma cruz que se carrega
Só o amor - não há quem negue
Solta ao mar o barco, ao vento a vela.
segunda-feira, 12 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
DESPERTADO
(RÔ Campos)
Tenho cá dentro do peito
Uma dor que estilhaça
Deixei-te ir, e nem pensava
Que ao partires, inda te amava.
Molhei meu pranto
E aparei as lágrimas no cântaro
Das flores que entristeceram
Matando meus jardins de sonhos.
Hoje ainda o sabiá canta
Um cantar que é bem bisonho
Na janela do meu quarto
A me olhar meio tristonho.
Por onde andas, eu não sei
Se tens no peito alguma dor
Se ainda sonhas o que sonhamos
Um sonho lindo, que acordou.
Tenho cá dentro do peito
Uma dor que estilhaça
Deixei-te ir, e nem pensava
Que ao partires, inda te amava.
Molhei meu pranto
E aparei as lágrimas no cântaro
Das flores que entristeceram
Matando meus jardins de sonhos.
Hoje ainda o sabiá canta
Um cantar que é bem bisonho
Na janela do meu quarto
A me olhar meio tristonho.
Por onde andas, eu não sei
Se tens no peito alguma dor
Se ainda sonhas o que sonhamos
Um sonho lindo, que acordou.
Nunca, nunca mesmo, pare de sonhar. Nunca se entregue. Nunca deixe de acreditar. Um dia tudo isso vai ter um fim: a indiferença, a maldade, a ganância, o egoísmo. Afinal de contas, quem desses aí construiu o universo? Ninguém! Eles não são donos do mundo. Todos vieram do mesmo lugar - e nem sabemos na verdade de onde. Mas aqui, neste lugar, neste mundo de trevas e de expiações, ninguém é dono de nada, ninguém veio pra ficar. E nem todo o dinheiro que usurparam, ou amealharam, nem ele, comprará a imortalidade. Eles são mortais, igualzinhos a nós todos. Tornarão ao pó.
http://youtu.be/IHpuJ0ulvkM
http://youtu.be/IHpuJ0ulvkM
quarta-feira, 7 de março de 2012
EU MULHER
(RÔ Campos)
Nasci para ser mulher
Mulher com "M" maiúsculo
Muitos mundos há em mim
Ninguém mexe na minha colher
Pode até ser que a mosca
Caia na minha sopa
Porque eu não mando na mosca
Mas a sopa é minha
O prato é meu
A colher é minha
A vida também é minha
E na minha vida mando eu.
Nasci para ser mulher
Mulher com "M" maiúsculo
Muitos mundos há em mim
Ninguém mexe na minha colher
Pode até ser que a mosca
Caia na minha sopa
Porque eu não mando na mosca
Mas a sopa é minha
O prato é meu
A colher é minha
A vida também é minha
E na minha vida mando eu.
segunda-feira, 5 de março de 2012
MEMÓRIAS
(RÔ Campos)
Não sabia a que vinha
Mas logo descobri
Vim, vi, vivi, vivo, ainda
Intensamante. Ardentemente.
Não apenas nas entrelinhas
Mas no livro inteiro, completamente
Nas coletâneas expostas nas prateleiras
Da biblioteca de minhas memóras.
Não sabia a que vinha
Mas logo descobri
Vim, vi, vivi, vivo, ainda
Intensamante. Ardentemente.
Não apenas nas entrelinhas
Mas no livro inteiro, completamente
Nas coletâneas expostas nas prateleiras
Da biblioteca de minhas memóras.
domingo, 4 de março de 2012
MANDEM-ME FLORES
(RÔ Campos)
Se tiverem de me mandar
Mandem-me flores
Os espinhos, esses, eu os dispenso
Já tenho os meus
Frutos da minha semeadura
Onde vez ou outra me arranho
Me firo, me lanho.
E se flores me mandarem
Que sejam flores viçosas
Com o frescor dos bosques
E o aroma das rosas.
As flores desbotadas, desfolhadas
Sem perfume, sem viço
Essas, já recolhi dos jardins onde plantei
Cujos buquês se consumiram nas veias do tempo.
Se tiverem de me mandar
Mandem-me flores
Os espinhos, esses, eu os dispenso
Já tenho os meus
Frutos da minha semeadura
Onde vez ou outra me arranho
Me firo, me lanho.
E se flores me mandarem
Que sejam flores viçosas
Com o frescor dos bosques
E o aroma das rosas.
As flores desbotadas, desfolhadas
Sem perfume, sem viço
Essas, já recolhi dos jardins onde plantei
Cujos buquês se consumiram nas veias do tempo.
MEU OFÍCIO
(RÔ Campos)
Já voltei tantas vezes
E quantas vezes mais houver
Voltarei por alguns caminhos
Mesmo sem saber pra onde
Mesmo sem saber se é perto ou longe
Meu ofício é viver.
O meu destino é andar, feito peregrino
Viver onde haja sombras
Também onde o sol retira o véu
E seja luz no fim do túnel
Do último turno, da jornada da carne
Feita do barro cozido
No calor do fogo, da chama
Do sopro que é a vida.
Andei muitas léguas
Em passos pequenos e largos
Nos pensamentos que voam
Cresci, ouvindo os passos do tempo
Que na mocidade nunca passa
Tudo parece tão longe.
Enfim, estou aqui, no futuro do passado
Vencendo uma a uma as batalhas
Embora algumas perdidas nesse jogo
Que é o quebra-cabeça da vida
Mas eu nem sonhava chegar desse jeito
E, quando olho pra trás, é só o que digo
Escrevam em minha lápide:
"Viver foi o meu ofício".
Já voltei tantas vezes
E quantas vezes mais houver
Voltarei por alguns caminhos
Mesmo sem saber pra onde
Mesmo sem saber se é perto ou longe
Meu ofício é viver.
O meu destino é andar, feito peregrino
Viver onde haja sombras
Também onde o sol retira o véu
E seja luz no fim do túnel
Do último turno, da jornada da carne
Feita do barro cozido
No calor do fogo, da chama
Do sopro que é a vida.
Andei muitas léguas
Em passos pequenos e largos
Nos pensamentos que voam
Cresci, ouvindo os passos do tempo
Que na mocidade nunca passa
Tudo parece tão longe.
Enfim, estou aqui, no futuro do passado
Vencendo uma a uma as batalhas
Embora algumas perdidas nesse jogo
Que é o quebra-cabeça da vida
Mas eu nem sonhava chegar desse jeito
E, quando olho pra trás, é só o que digo
Escrevam em minha lápide:
"Viver foi o meu ofício".
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