(Condensei nesta nota as várias postagens que fiz em meu mural sobre essa questão, já que ficaram dispersas e não localizei mais a postagem do meu querido amigo Afonso Rodrigues, com a qual eu não compartilho, como é público e notório, inclusive através dos vários textos que já escrevi e postei aqui no Face e no meu blog www.rocampossobretodasascoisas.blogspot.com).
Negócio mais esquisito aconteceu comigo há pouco aqui no Face. Afonso Rodrigues fez uma postagem a respeito de músico , música e OMB. Houve vários comentários de amigos músicos, e outros de um que insiste em dizer que o é. Aff! Comecei dizendo: Mandou bem, Lucilene Castro, pois o músico bom sempre terá o seu espaço, e o mau jamais será ameaça". Terminei o texto mas não consegui postá-lo. Não achei mais a postagem do Afonso em seu mural. Sumiu. Queria muito escrever de novo. Alguém me ajuda????
Trocando em miúdos, é o seguinte: Vivemos em um país livre. O dono do empreendimento contrata quem ele quiser. Se o músico for ruim, azar do dono, problema dele. Ninguém pode dar pitaco na minha empresa. Nem o Estado. Doutro modo, eu escolho para onde ir. Se é um lugar que rola algo que eu não gosto, ou o músico não é de meu agrado, eu não vou e pronto. Há alguns nomes citados na postagem de músicos, cantores e compositores que reputo dentre os melhores do país, mas há quem não goste.
É como ocorre em outras profissões. Ninguém inicia uma carreira bambambam. O tempo vai nos lapidando. Ou não (como diria Caetano). O músico também não é diferente. Quando contratamos advogados, engenheiros, médicos, mecânicos, cabeleireiros, costureiras etc. e não gostamos, trocamos e pronto. A mesma coisa: se for a algum lugar que eu por acaso não saiba quem está tocando e me deparar com um profissional a meu ver chinfrim, me retiro e bye bye Brasil.
Portanto, penso que cada qual deve fazer o seu trabalho, sem se importar com o outro, e sem ficar invocando aí uma reserva de mercado. Se o outro é a seu ver sofrível, dane-se o mundo. Você não o é. Isso é que importa.
E, pra encerrar esse meu bla-bla-blá, como uma luva na mão: Agora, eu quero ver é músico se manifestar contra os músicos (ou submúsicos, na linguagem utilizada), que toque na periferia, nos cafundós do judas. Du-vi-de-o-dó! Reserva de mercado em reduto da classe média é maneiro demais.
sábado, 10 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
SHOW DE ANTONIO PEREIRA "MEU VIOLÃO, MINHA VOZ, MEUS ETERNOS COMPANHEIROS"
E vem aí, dia 29 de setembro, última quinta-feira do mês, às 21:30h, no TOC TOC DELÍCIAS & CHOPP (av. do Turismo, a 2km da estrada da Ponta Negra) ANTÔNIO PEREIRA, com o show "MEU VIOLÃO, MINHA VOZ, MEUS ETERNOS COMPANHEIROS". Uma viagem pelas 'LENDAS' do 'O LAGO DAS SETE ILHAS' e pelo 'ESTRADA DE BARRO',com escala em 'AFLUENTES'. Passaporte: R$ 10,00 (dez reais), por pessoa. Assentos liberados. Chegue cedo para garantir o melhor lugar. BOA VIAGEM!
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
O HOMEM QUE AINDA VAI MATAR A MORTE
(RÔ Campos)
(Na noite de 03/08/10 conversava pelo celular com Robertinho Chaves, cantor e compositor, e ele então me falou: eu sou o homem que ainda vai matar a morte. Eu disse a ele: isso dá música! Mas só tem letra)
Eu sou o homem que ainda vai matar a morte
Falo sério, com esse assunto não se brinca
Ela me excita e depois se esconde atrás da porta
Fica calada, e assim, o tempo todo me atenta.
Eu até já lancei-lhe o desafio
Convidei-a pra um duelo tantas vezes
Mas a danada dessa morte é ardilosa
E num duelo não pode haver trapaça.
Houve uma noite, eu me lembro muito bem
Encontrei-a quando voltava para casa
Quase não chego. Que noite de agonia!
Ela havia preparado uma emboscada.
Eu bem sei, muitas vezes já brinquei
Pensei até em namorar com ela
Mas desisti quando vi a face dela:
É muito feia, fria e traiçoeira.
Mas eu prometo, chegará o dia
Sou o homem que ainda vai matar a morte
Ela vive a me espreitar, quero coragem!
Não tenho escolha: mato essa peste ou me mata ela.
04/08/2010
(Na noite de 03/08/10 conversava pelo celular com Robertinho Chaves, cantor e compositor, e ele então me falou: eu sou o homem que ainda vai matar a morte. Eu disse a ele: isso dá música! Mas só tem letra)
Eu sou o homem que ainda vai matar a morte
Falo sério, com esse assunto não se brinca
Ela me excita e depois se esconde atrás da porta
Fica calada, e assim, o tempo todo me atenta.
Eu até já lancei-lhe o desafio
Convidei-a pra um duelo tantas vezes
Mas a danada dessa morte é ardilosa
E num duelo não pode haver trapaça.
Houve uma noite, eu me lembro muito bem
Encontrei-a quando voltava para casa
Quase não chego. Que noite de agonia!
Ela havia preparado uma emboscada.
Eu bem sei, muitas vezes já brinquei
Pensei até em namorar com ela
Mas desisti quando vi a face dela:
É muito feia, fria e traiçoeira.
Mas eu prometo, chegará o dia
Sou o homem que ainda vai matar a morte
Ela vive a me espreitar, quero coragem!
Não tenho escolha: mato essa peste ou me mata ela.
04/08/2010
O CIGARRO, A MACONHA, O ÁLCOOL, O CAPITALISMO E O VALOR DA VIDA
Coisa esquisita esse negócio que vem tomando conta da cidade. Adesivos - ou serão cartazes? Que nome dar a esse troço que um certo órgão público (Anvisa, Covisa, sem lá bem o quê que é) tem afixado nos bares, restaurantes, casas noturnas manauaras e similares, proibindo, agora, 100%, o fumacê (cigarros, cigarrilhas, charutos, cachimbos etc) nesses locais, mesmo em áreas livres, sob ameaça de multa?
Bem, o que me chamou a atenção nisso tudo é que, se essa desgraça desse tal de fumo faz tanto mal (e eu, particularmente, sei que faz - pelo menos a mim, por experiência mais do que própria), por que não cortar o mal pela raiz e proibir a fabricação desse infeliz? O que existe de tão poderoso no reino da indústria do fumacê que,embora expulso do paraíso e jogado no fogo do inferno, ainda resiste a tanta pressão? Como pode um troço que - dizem aqueles que entendem do assunto - contém inúmeras substâncias cancerígenas, dentre outras que provocam, inclusive, a morte por males causados ao coração, pulmão, rins etc., continuar a ser produzido, vendido e consumido por pessoas totalmente marginalizadas, mediante autorização do Estado, e esse mesmo Estado proibir o seu consumo? E esse mesmo Estado, também, negar-se a legalizar o uso da maconha em determinadas situações, comprovadamente benéficas para a saúde daqueles que a necessitam? E alguém aí já pensou, por exemplo, que o sujeito, acuado, vai isolar-se em sua casa, para fumar, causando um grande mal às crianças, que não poderão ser obrigadas a retirar-se de casa para permitir que seus pais gozem as delícias de seus vícios malditos? Ou, ainda, nos danos maiores que serão causados ao meio ambiente, pois, ao invés das famigeradas baganas serem devidamente recolhidas em sacos, serão jogadas na rua, para onde os fumantes marginais são obrigados a ir, a fim de satisfazerem seus vícios, contribuindo muito mais para a poluição e entupimento de esgotos?
Engraçado, ainda, é que o cigarro é a bola da vez (e eu não estou fazendo nenhuma apologia a esse produto tenebroso, creiam-me), e, em alguns lugares onde o consumo também tem sido agora sistematicamente proibido (bares, por exemplo), o álcool, muito mais devastador do que o fumo (pois, em tese, quem fuma faz mal a si mesmo, enquanto, quem bebe, está sujeito a cometer desatinos e crimes, como quem dirige alcoolizado, por exemplo, que pode tirar a vida de terceiros), corre solto em tais lugares, com muita gente bebendo até embriagar-se, sem nenhuma proibição tanto para a venda quanto para o consumo, à exceção de menores de idade.
O que estou pondo aqui, é que tenho batido minha cabeça para entender essa equação, e não consigo, por mais que me esforce.
Tanta falação quanto às malditas gorduras trans, sal e açúcar em excesso, óleos, alimentos transgênicos etc., com o Estado posando de preocupado com a saúde do povo e diz-que avançando contra as indústrias desse segmento, enquanto o álcool continua matando de maneira inclemente seus próprios consumidores e pessoas inocentes, e o cigarro segue um túnel que se afunila progressivamente, mas segue, enquanto continuar, é claro, sendo fabricado para matar, com a autorização do Estado, que aufere grandes somas com os impostos incidentes sobre eles, valores esses que, no entanto, sequer amenizam os males causados à saúde, com prejuízos inestimáveis ao erário e, consequentemente, ao povo.
Causa-me também espécie, determinadas pessoas que se vestem de paladinos da saúde e do bem-estar, verdadeiros inimigos do cigarro, chegando às vias de fato em certos locais, por exigirem que os viciados não fumem, alegando incômodos causados pela fumaça, que abusam não apenas do consumo do álcool, como de produtos ou objetos outros que também causam tantos danos à natureza e à saúde pública.
Há que se comportar com menos hipocrisia sobre esses assuntos, e que se repensar profundamente tais questões, coisa complexal no contexto atual, onde o capitalismo e seu filho lucro são o senhor de tudo, e a vida em si vale quase nada.
Bem, o que me chamou a atenção nisso tudo é que, se essa desgraça desse tal de fumo faz tanto mal (e eu, particularmente, sei que faz - pelo menos a mim, por experiência mais do que própria), por que não cortar o mal pela raiz e proibir a fabricação desse infeliz? O que existe de tão poderoso no reino da indústria do fumacê que,embora expulso do paraíso e jogado no fogo do inferno, ainda resiste a tanta pressão? Como pode um troço que - dizem aqueles que entendem do assunto - contém inúmeras substâncias cancerígenas, dentre outras que provocam, inclusive, a morte por males causados ao coração, pulmão, rins etc., continuar a ser produzido, vendido e consumido por pessoas totalmente marginalizadas, mediante autorização do Estado, e esse mesmo Estado proibir o seu consumo? E esse mesmo Estado, também, negar-se a legalizar o uso da maconha em determinadas situações, comprovadamente benéficas para a saúde daqueles que a necessitam? E alguém aí já pensou, por exemplo, que o sujeito, acuado, vai isolar-se em sua casa, para fumar, causando um grande mal às crianças, que não poderão ser obrigadas a retirar-se de casa para permitir que seus pais gozem as delícias de seus vícios malditos? Ou, ainda, nos danos maiores que serão causados ao meio ambiente, pois, ao invés das famigeradas baganas serem devidamente recolhidas em sacos, serão jogadas na rua, para onde os fumantes marginais são obrigados a ir, a fim de satisfazerem seus vícios, contribuindo muito mais para a poluição e entupimento de esgotos?
Engraçado, ainda, é que o cigarro é a bola da vez (e eu não estou fazendo nenhuma apologia a esse produto tenebroso, creiam-me), e, em alguns lugares onde o consumo também tem sido agora sistematicamente proibido (bares, por exemplo), o álcool, muito mais devastador do que o fumo (pois, em tese, quem fuma faz mal a si mesmo, enquanto, quem bebe, está sujeito a cometer desatinos e crimes, como quem dirige alcoolizado, por exemplo, que pode tirar a vida de terceiros), corre solto em tais lugares, com muita gente bebendo até embriagar-se, sem nenhuma proibição tanto para a venda quanto para o consumo, à exceção de menores de idade.
O que estou pondo aqui, é que tenho batido minha cabeça para entender essa equação, e não consigo, por mais que me esforce.
Tanta falação quanto às malditas gorduras trans, sal e açúcar em excesso, óleos, alimentos transgênicos etc., com o Estado posando de preocupado com a saúde do povo e diz-que avançando contra as indústrias desse segmento, enquanto o álcool continua matando de maneira inclemente seus próprios consumidores e pessoas inocentes, e o cigarro segue um túnel que se afunila progressivamente, mas segue, enquanto continuar, é claro, sendo fabricado para matar, com a autorização do Estado, que aufere grandes somas com os impostos incidentes sobre eles, valores esses que, no entanto, sequer amenizam os males causados à saúde, com prejuízos inestimáveis ao erário e, consequentemente, ao povo.
Causa-me também espécie, determinadas pessoas que se vestem de paladinos da saúde e do bem-estar, verdadeiros inimigos do cigarro, chegando às vias de fato em certos locais, por exigirem que os viciados não fumem, alegando incômodos causados pela fumaça, que abusam não apenas do consumo do álcool, como de produtos ou objetos outros que também causam tantos danos à natureza e à saúde pública.
Há que se comportar com menos hipocrisia sobre esses assuntos, e que se repensar profundamente tais questões, coisa complexal no contexto atual, onde o capitalismo e seu filho lucro são o senhor de tudo, e a vida em si vale quase nada.
domingo, 4 de setembro de 2011
FECANI?
Não vejo mais nenhum sentido nesse negócio de FECANI. Se é que algum dia alguém realmente pretendeu dar sentido a ele. FECANI, para quem não sabe, significa Festival da Canção de Itacoatiara, que, neste ano, se minha memória não estiver a me enganar, está em sua 27a. edição. Que me relevem meus amigos músicos (e os nem tanto), mas esse FECANI já deu o que tinha que dar. Hoje, de festival, não tem mais nada, pelo menos do ponto de vista da natureza de tais festivais, como aqueles gloriosos da década de 1960, do século passado, onde inúmeros artistas foram revelados para o Brasil, como Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo, Jair Rodrigues, entre tantos e tantos. O FECANI, como pode constatar qualquer um que se debruçar sobre o desenrolar do evento, desde sua criação até os dias de hoje, no aspecto competitivo, resume-se, na atualidade, praticamente, às mesmas figuras carimbadas daqui e dalhures, que, passados alguns dias do seu término, caem no esquecimento da memória coletiva, mesmo aqueles que conseguem abocanhar alguns prêmios. Apenas a memória dos artistas que participam do evento guardam registros, dizendo-me a mim, cá, os meus botões, que o FECANI, com algumas companhias pelo Brasil do sul, sudeste e nordeste, nesse particular, acabou por criar a figura do músico profissional de festivais, que participa desse tipo de evento com o objetivo único de ganhar alguns milhares de reais, até porque os trabalhos, mesmo aqueles vencedores, caem, como já mencionei, num vazio intransponível.
Por outro lado, as apresentações não competitivas não trazem qualquer identidade com a natureza dos festivais, e, na maioria das vezes, têm sido de um mau gosto de corar marciano, que até meus dedos se negam a digitar nomes, como exemplo desse verdadeiro acinte à canção brasileira. Não, não vou me furtar de citar pelo menos um fato. Estive eu em 2006 em Itacoatiara, para assistir ao festival, que teve o sopro de inteligência de convidar Oswaldo Montenegro naquele ano bendito, mas, tal foi minha indignação quando surgiu no palco um grupo de pagode do Rio de Janeiro (cujo nome não recordo - ainda bem!), com o vocalista mostrando seu físico musculoso, com os botões da camisa abertos, como se estivesse num desfile de moda para seres não pensantes. E, se novamente não me falha a memória, foi nesse ano que apresentaram-se Calcinha Preta e KLB. Pra acabar!
Tudo isso, diga-se de passagem, financiado com dinheiro público. Milhares e milhares de reais que poderiam muito bem ser aplicados, de verdade, no próprio segmento da música, mas com fins sócio-educativos, pois música é educação, música é arte, e o maior patrimônio de um povo é a sua arte.
Já passou a hora do Brasil virar a mesa e resgatar a sua música, uma das mais ricas deste planeta. Tudo o que tem sido criado de mais belo na incomparável música brasileira, está atrás de uma cortina de fumaça, que o povo não consegue ultrapassar, ou a música não consegue alcançar o povo. A mídia, concessão pública, se fechou para a cultura e escancarou as portas para o lixo. E, quando teço comentários sobre essa questão, não o faço apenas com foco no aspecto sócio-educativo, como, também, econômico e do mercado de trabalho. Há uma incomensurável produção musical no Brasil que jamais chega às prateleiras das lojas. Há uma incomensurável produção musical no Brasil que não tem mais locais onde tocar, onde realizar shows. E grande parte dos artistas brasileiros sobrevivem de sua arte, aos trancos e barrancos, a despeito do descaso do governo brasileiro com essa parcela gigantesca da economia, que tem capacidade de gerar milhões de reais, porque tudo o que sabem fazer é arte. Ou, então, vão-se para o exterior, especialmente Japão, Europa e Estados Unidos, onde são reconhecidos e vivem com dignidade. Enquanto nós, pobres mortais, vamos seguindo praticamente proibidos de gozar do que há de melhor na música brasileira. Brasil: um país tão rico e tão pobre!
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
DA BR 174 A BALBINA. AGORA, BELO MONTE. LÁ SE VAI MAIS UM HORIZONTE
(RÔ Campos)
Disse-me ontem um padre
E eu fiquei a divagar:
"Deus perdoa sempre
O homem, às vezes
A natureza, nunca".
Portanto, não mude nada de lugar
Deixe o Velho Chico seguir seu curso
O Amazonas, no mar desembocar
Na Terra, o homem há de ficar
Marcianos, em Marte a encarnar
E o que é da Lua
Sempre será lunar.
Balbina, cemitério de árvores
De bichos
Horripilante!
As lágrimas correram meu rosto
Ao ver aquele cenário
No meu imaginário:
Aves, sem árvores para pousar
Outros bichos, terrestres
Em fuga afogados pela fúria das águas
Nenhuma chance de vida
A ordem era matar
Exército de bichos
Pela voz desgovernada
De um (des)governo militar
Rasgaram a verde-mata
Pintada de vermelho
Do sangue de Calleri
Cuja missão era pacificar
Índios, expulsos de suas terras.
Outros corpos também quedaram
Vencidos, amarelados
Cruel anofelino!
Choraram os citadinos
Não menos também choraram os índios
E Manaus, depois, muito depois
Vive na escuridão
Dessa luz que ainda não veio.
Belo Monte! Belo Monte!
Lá se vai mais um horizonte!
( 01/09/2011)
Disse-me ontem um padre
E eu fiquei a divagar:
"Deus perdoa sempre
O homem, às vezes
A natureza, nunca".
Portanto, não mude nada de lugar
Deixe o Velho Chico seguir seu curso
O Amazonas, no mar desembocar
Na Terra, o homem há de ficar
Marcianos, em Marte a encarnar
E o que é da Lua
Sempre será lunar.
Balbina, cemitério de árvores
De bichos
Horripilante!
As lágrimas correram meu rosto
Ao ver aquele cenário
No meu imaginário:
Aves, sem árvores para pousar
Outros bichos, terrestres
Em fuga afogados pela fúria das águas
Nenhuma chance de vida
A ordem era matar
Exército de bichos
Pela voz desgovernada
De um (des)governo militar
Rasgaram a verde-mata
Pintada de vermelho
Do sangue de Calleri
Cuja missão era pacificar
Índios, expulsos de suas terras.
Outros corpos também quedaram
Vencidos, amarelados
Cruel anofelino!
Choraram os citadinos
Não menos também choraram os índios
E Manaus, depois, muito depois
Vive na escuridão
Dessa luz que ainda não veio.
Belo Monte! Belo Monte!
Lá se vai mais um horizonte!
( 01/09/2011)
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