Eu ouvia falar naquela avenida, quando ainda era concebida
Não tinha idéia do futuro. Era tudo presente.
Não demorou, chegou o amanhã
A avenida se estendeu sobre o chão, abriu caminhos, encurtou distâncias
Algumas vidas se perderam em plena gestação
Depois da estação das chuvas, ei-la, em pleno verão
Cortando a verde-mata, atravessando o rio
Chamei-a de avenida da luz, essa avenida
Onde o nosso amor reluz.
É noite alta. Regresso com a pessoa amada.
Vou deixá-la ali, onde não é o meu lugar.
E o lugar dela é cá, dentro de mim.
A avenida parece não ter fim. Como infinita é a minha saudade.
Não tenho pressa, mas as horas se vão, desesperadas.
Não quero chegar. E tão logo é o ponto de chegada.
O tempo se vai num instante, como a zombar de dois amantes
Cujas estrelas, no céu cintilantes, espreitam o beijo roubado
Mãos que se afagam com saudades do afago que amanhã pode partir
Não sou mais ninguém sem ele. Que será dele sem mim?
Tomo o caminho de volta, sozinha.
Ele ficou para trás. Mas seus olhos, morando na lua, me seguiam
Nessa avenida tão longa, a avenida dele e minha.
Quando chego em casa, até parece dia
São os olhos dele que me alumiam .
RÔ Campos - 14.07.2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
POBRE BRUNO
Sei que algumas pessoas dirão: pobre Bruno, nada, pobre da moça que foi brutalmente assassinada. Que seja. Que seja. Mas não consigo ver essa questão sob outro ângulo. Não posso falar muita coisa, afinal de contas tudo o que achamos que sabemos é o que a mídia nos traz. Apenas uma quase certeza: a moça foi assassinada aos 25 anos por motivos torpes. Sempre comunguei do entendimento de que o homem carrega em seu DNA o Bem e o mal. Não discutamos nada sobre minha afirmação, se é DNA ou não, pois é apenas uma forma de expressar-me. Podemos dizer de outra forma, se for o caso: o homem traz em suas entranhas o Bem e o mal. Ou, ainda, a índole humana é essencialmente boa, ou essencialmente má, ou as duas coisas. Sempre acreditei que o mal predomina nas atitudes do homem, principalmente movido pelo egoísmo. Mas também sempre acreditei que a minoria, que é o Bem, é quem garante a continuação da humanidade. Sem o Bem seria impossível a existência de vida na Terra. Pobre Bruno, porque o mal o venceu. Porque, inobstante tanto dinheiro e fama, ele mostra-se agora tão pobre. Pobre Bruno, vez que seus sonhos eram tão pequenos. Pobre Bruno, que em pleno século XXI, vive na idade das trevas, carregando em sua morada (que é o corpo em que habita), um espírito embrutecido, desprovido de luz. Sim, pois disse Einstein que não existe escuridão; o que ocorre é a ausência de luz. Sem luz não se vislumbra o Bem, e o mal, então, se instala. Por isso que o mundo do mal é o mundo das trevas, da escuridão. Total ausência de luz. Pobre Bruno, que tão cedo se perdeu. Ainda comentam sobre uma provável arrogância pelo fato de Bruno caminhar de cabeça erguida, mesmo algemado e a caminho da prisão. Esquecem que, no mundo de total escuridão em que vivia (o dinheiro cega),a única coisa que conseguia enxergar é que estava sendo incomodado, ameaçado. E Bruno, todo poderoso, resolveu dar um basta na situação. Só isso. Apenas isso. Nada mais. Assim, como quem vai ao zoológico dar comida aos bichos.
Conheço muita gente que não tem medo algum de enfrentar os tribunais humanos. Conheço muito mais ainda gente que não dá a mínima para o maior de todos os tribunais: o tribunal da própria consciência. Tenho cá comigo que foi isso mesmo que se deu com Bruno, pois ele teve tempo para pensar - e muito, tempo esse em que passou, inclusive, arquitetando essa tragédia. Poderia muito bem ter se arrependido no meio do caminho. Mas ele não podia ouvir a voz de sua consciência, muda que se encontrava, pois a consciência nunca fala na ausência de luz. Faltou luz.
Conheço muita gente que não tem medo algum de enfrentar os tribunais humanos. Conheço muito mais ainda gente que não dá a mínima para o maior de todos os tribunais: o tribunal da própria consciência. Tenho cá comigo que foi isso mesmo que se deu com Bruno, pois ele teve tempo para pensar - e muito, tempo esse em que passou, inclusive, arquitetando essa tragédia. Poderia muito bem ter se arrependido no meio do caminho. Mas ele não podia ouvir a voz de sua consciência, muda que se encontrava, pois a consciência nunca fala na ausência de luz. Faltou luz.
NÃO SONHO MAIS
Do que te queixas, agora?
Puseste trancas na porta
Reforçaste as travas da janela
O amor desfilou na avenida
Radiante, na passarela
Entre plumas, paetês, brilhantes.
No cativeiro, não o viste passar
Ao final, era tudo poeira, pó
Perdeu-se na dispersão, triste, maltrapilho,
Pedinte.
Recomposto, pos os pés na estrada
Não olhou para trás
Não queria ver-te de costas.
Tempo! Tempo!
Dez anos...
Agora, ressurjes das cinzas
Em meio aos meus desenganos.
Tuas portas abertas
As janelas escancaradas
Na avenida, o amor não passa mais.
São muitas as tuas feridas
Queres voltar atrás, no tempo
Um tempo que já não volta
Queres viver teu sonho, agora
Um sonho que - dizes, não viste
Hoje, porém, quem não sonha mais, sou eu.
Puseste trancas na porta
Reforçaste as travas da janela
O amor desfilou na avenida
Radiante, na passarela
Entre plumas, paetês, brilhantes.
No cativeiro, não o viste passar
Ao final, era tudo poeira, pó
Perdeu-se na dispersão, triste, maltrapilho,
Pedinte.
Recomposto, pos os pés na estrada
Não olhou para trás
Não queria ver-te de costas.
Tempo! Tempo!
Dez anos...
Agora, ressurjes das cinzas
Em meio aos meus desenganos.
Tuas portas abertas
As janelas escancaradas
Na avenida, o amor não passa mais.
São muitas as tuas feridas
Queres voltar atrás, no tempo
Um tempo que já não volta
Queres viver teu sonho, agora
Um sonho que - dizes, não viste
Hoje, porém, quem não sonha mais, sou eu.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
PROCURA-SE UM MÉDICO
Procura-se um médico
Pode ser pobre
Pode ser rico
Conquanto que seja amigo.
Procura-se um médico
Que tenha ouvidos e nunca olvide que seja apenas homem.
Que tenha olhos e enxergue fundo. A alma, inclusive.
Que não faça uma anamnese analisando-nos como se fôssemos máquinas, simplesmente.
E nunca se deixe cegar pela ambição e vaidade.
Que tenha boca e suas palavras sejam sempre um bálsamo para as nossas feridas
E nunca carregue em seu peito a desesperança e o ranço da arrogância.
Que tenha nariz e sua respiração exale o cheiro das flores
E nunca o odor do preconceito.
Que tenha mãos e sempre procure levar a cura
E nunca o peso da dor e do orgulho.
Que tenha sentimentos e fomente a fé,
Mas que nunca prolongue o sofrimento de quem a vida já perdeu.
Que aprecie viver a vida integralmente,
Mas nunca se deixe envenenar pela ganância.
Que acredite na ciência,
Mas que não tenha na razão o único norte. Somos também emoção.
Que creia piamente em sua capacidade e eficiência,
Mas que compreenda ser apenas um instrumento, um meio.
Somos homens. Não somos deuses.
Procura-se um médico:
Se for rico, que o seja na plenitude da riqueza do ser;
Se for pobre, que nunca o seja de espírito e de bondade.
Que sempre cuide de ricos e desvalidos não na mesma proporção de suas posses.
Que nunca diga que não tem tempo. A vida não espera. A morte é uma megera.
Procura-se um médico
Que nunca prescreva para preservar a saúde financeira de laboratórios
Mas sim com a certeza única da busca da saúde do ser posto sob seus cuidados.
Que não mantenha hospitalizado paciente sabidamente recuperado, apenas para se locupletar com o pagamento de diárias.
Que nunca faça julgamentos e jamais discrimine. Médicos não são juízes. Médicos são médicos.
Procura-se um médico
Que trate as pessoas como gostaria de ser tratado.
Que cuide dos pacientes como cuida dos seus familiares.
Que nunca pense que tudo sabe. De verdade, nada sabemos. Nem mesmo sobre um grão de areia.
Que, acima de tudo, valorize a vida.
Que sonhe ser Deus, desde que esse sonho faça-o transbordar.
E esse Deus (dele) que existe dentro de cada um de nós se espalhe
E que promova a cura.
E se a cura não for possível, que alivie a dor
E se a morte for inevitável, que nos console.
Procura-se um médico.
Para tanto, basta que ame ao próximo e respeite à vida.
RÔ Campos
Pode ser pobre
Pode ser rico
Conquanto que seja amigo.
Procura-se um médico
Que tenha ouvidos e nunca olvide que seja apenas homem.
Que tenha olhos e enxergue fundo. A alma, inclusive.
Que não faça uma anamnese analisando-nos como se fôssemos máquinas, simplesmente.
E nunca se deixe cegar pela ambição e vaidade.
Que tenha boca e suas palavras sejam sempre um bálsamo para as nossas feridas
E nunca carregue em seu peito a desesperança e o ranço da arrogância.
Que tenha nariz e sua respiração exale o cheiro das flores
E nunca o odor do preconceito.
Que tenha mãos e sempre procure levar a cura
E nunca o peso da dor e do orgulho.
Que tenha sentimentos e fomente a fé,
Mas que nunca prolongue o sofrimento de quem a vida já perdeu.
Que aprecie viver a vida integralmente,
Mas nunca se deixe envenenar pela ganância.
Que acredite na ciência,
Mas que não tenha na razão o único norte. Somos também emoção.
Que creia piamente em sua capacidade e eficiência,
Mas que compreenda ser apenas um instrumento, um meio.
Somos homens. Não somos deuses.
Procura-se um médico:
Se for rico, que o seja na plenitude da riqueza do ser;
Se for pobre, que nunca o seja de espírito e de bondade.
Que sempre cuide de ricos e desvalidos não na mesma proporção de suas posses.
Que nunca diga que não tem tempo. A vida não espera. A morte é uma megera.
Procura-se um médico
Que nunca prescreva para preservar a saúde financeira de laboratórios
Mas sim com a certeza única da busca da saúde do ser posto sob seus cuidados.
Que não mantenha hospitalizado paciente sabidamente recuperado, apenas para se locupletar com o pagamento de diárias.
Que nunca faça julgamentos e jamais discrimine. Médicos não são juízes. Médicos são médicos.
Procura-se um médico
Que trate as pessoas como gostaria de ser tratado.
Que cuide dos pacientes como cuida dos seus familiares.
Que nunca pense que tudo sabe. De verdade, nada sabemos. Nem mesmo sobre um grão de areia.
Que, acima de tudo, valorize a vida.
Que sonhe ser Deus, desde que esse sonho faça-o transbordar.
E esse Deus (dele) que existe dentro de cada um de nós se espalhe
E que promova a cura.
E se a cura não for possível, que alivie a dor
E se a morte for inevitável, que nos console.
Procura-se um médico.
Para tanto, basta que ame ao próximo e respeite à vida.
RÔ Campos
domingo, 11 de julho de 2010
ROBERTINHO CHAVES É SHOW
Carioca, nascido em Cantagalo. Passou alguns anos morando em Manaus e depois partiu, andou pelo mundo. Onze anos depois está entre nós, novamente. Há alguns meses tornamo-nos amigos virtuais, essas coisas boas que a internet nos proporciona. Tive o privilégio de conhecê-lo pessoalmente há menos de dois meses, logo após sua chegada. Muito me falavam sobre a genialidade desse músico, arranjador, compositor e cantor, e minha curiosidade só aumentava dia a dia. Ainda mais que as opiniões vinham de artistas consagrados como Antonio Pereira e Zeca Torres, o Torrinho. Hoje, não tenho qualquer dúvida daquilo que me diziam: Robertinho Chaves é um dos maiores artistas deste país. Em doses homeopáticas, vou conhecendo as músicas que ele vem compondo ao longo de sua carreira, algumas, aliás, que tornaram-se sucesso no Brasil e na França, gravadas pelo Grupo Carrapicho, do qual fez parte durante um certo período na década de 1990. Verdadeiras pérolas. Além de voltar a morar em Manaus, Robertinho Chaves tomou outra decisão acertada: após tantos anos na estrada, resolveu registrar suas belas canções, já tendo iniciado os trabalhos de gravação de seu primeiro CD, totalmente autoral. O disco vai dar o que falar. Quem viver, verá. Enquanto isso, Robertinho tem cantado e encantado o povo que baixa nas sextas-feiras e sábados no Happy Hour do Toc Toc Delícias & Chope, à Av. do Turismo, com início às 20:00h e término às 22:30h. Agora, Robertinho também vai tornar o domingo do Toc Toc mais especial, a partir de hoje, 11 de julho, com início às 20:00 horas, tocando acompanhado de contrabaixo e percussão, com muita MPB e canções de sua autoria, além de dar ênfase à música regional. Esse projeto do Toc Toc também está aberto ao artesanato e artes plásticas dos artistas da Amazônia que desejarem expor e comercializar seus trabalhos, inclusive venda de CDs, sem quaisquer ônus. Basta entrar em contato pelos celulares (92) 9188-0932/8145-2507 e falar comigo. Esse projeto,de iniciativa do Gilberto Oliveira, proprietário do Toc Toc, sem dúvida alguma é uma excelente oportunidade para os artistas da Amazônia, que, agora, terão à sua disposição, sem qualquer custo ou intermediação, um espaço concentrado para divulgação e comercialização de seus trabalhos, ressaltando-se, ainda, que o TOC TOC recebe uma clientela em sua grande maioria formada por turistas oriundos de outros Estados do Brasil e até mesmo do exterior.
CHEIRO DE AMOR
CHEIRO DE AMOR
Teu cheiro está impregnado
Esse cheiro de homem, de macho
Eu já senti, já conheço
É cheiro de amor.
Teu cheiro alçou voo
Pousou em meu corpo, entranhou-se
O olfato, sutil, percebeu
Manifestou-se no tato.
Agora, é fato
Teu cheiro, cheiro de amor
Mostraram-me o olfato, o tato, o contato
As horas que passo ao teu lado
Eu me delato. Tu te delatas.
E mesmo quando estás distante
Com esse teu cheiro entranhado
Vem meu cérebro e me diz
Sobre esse delator, o olfato
Está tudo gravado no éter. É fato.
É cheiro de amor, que não se esquece
É cheiro de amor, impregnado.
RÔ Campos, 10/07/2010
Teu cheiro está impregnado
Esse cheiro de homem, de macho
Eu já senti, já conheço
É cheiro de amor.
Teu cheiro alçou voo
Pousou em meu corpo, entranhou-se
O olfato, sutil, percebeu
Manifestou-se no tato.
Agora, é fato
Teu cheiro, cheiro de amor
Mostraram-me o olfato, o tato, o contato
As horas que passo ao teu lado
Eu me delato. Tu te delatas.
E mesmo quando estás distante
Com esse teu cheiro entranhado
Vem meu cérebro e me diz
Sobre esse delator, o olfato
Está tudo gravado no éter. É fato.
É cheiro de amor, que não se esquece
É cheiro de amor, impregnado.
RÔ Campos, 10/07/2010
sexta-feira, 2 de julho de 2010
EU CANTEI A PEDRA
Pois, vejam só, qual foi o último texto que postei??? Eu avisei! Só não enxergava quem não queria, que essa seleção ia dar no que deu. Faltava açúcar, afeto, uma ausência de um não sei o quê, que me incomodava. O técnico, um verdadeiro Dunga-Zangado. Um anão no quesito humildade, relacionamento humano. Que segurança poderia passar aos jogadores, para que pudessem procurar tranquilidade no momento em que foram mais exigidos? A seleção, que não era lá essas coisas, ficou pior ainda, desmoronando-se, literalmente, ao tomar o primeiro gol. O sentimento de obrigação de vencer em tudo na vida retira do homem a sua capacidade de viver integralmente, de contemplar, de aprender com os erros. É vencer ou vencer. Isso desestabilizou a seleção brasileira, quando, na realidade, nem sempre se vence, nem sempre se perde. No final, de 32 seleções mundiais apenas uma vence. Por que teria que ser o Brasil, sempre? Lidar com as vitórias e as perdas é um exercício.Evitemos os excessos, em quaisquer das situações. Depois, a gente começa a perceber que vitória é poder viver a vida em sua totalidade e que perder foi apenas mais um sonho que se foi. Mas sonhos vão, sonhos vêm. E se eles não vierem, a gente inventa, pois nossa necessidade de sonhar é vital. A realidade é uma fera e se não escaparmos dela, nos devora. Bom, mas a seleção também teve seus méritos. Jogou feio quando o adversário era feio. Melhorou um pouquinho quando o adversário foi mais ousado. Com o seu descobridor, foi quase um Brasil-Colônia. Passeou pelo Chile e, finalmente, naufragou nas pontes de Amsterdam. Havia um gigante, não se pode negar: Lúcio, guerreiro, sempre combatendo bem o seu combate. Se esqueci de alguém, desculpem-me.
Agora sou Argentina e não abro, mas tenho cá a impressão de que a Holanda, no final, é quem fará a grande festa.
Agora sou Argentina e não abro, mas tenho cá a impressão de que a Holanda, no final, é quem fará a grande festa.
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