segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

CONVERSANDO COM UMA ESTRELA

(RÔ Campos)


Estrela, diz pra mim,

Estrela!

Antes que nasça  a manhã:

Onde ele se escondeu?


Estrela, diz pra mim,

Daí de cima,  onde brilhas:

Como pode ele brilhar

Sem eu?


Estrela, diz pra ele,

Estrela!

Que eu não brilho mais,

Pois perdi o brilho meu. 


Estrela! Estrela!

Para de brilhar assim!

Para de zombar de mim!

Se eu perdi ele e ele se perdeu de mim...


(*) escrito em 17.02.2012 e  revisto e editado nesta data.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

A PORTA

(RÔ Campos)

Essa porta aberta e  a vida lá fora.

Você pode sair,  andar,  voar, ganhar o mundo.

Você pode deixá-la aberta,   para o caso de alguém querer entrar.

Você pode fechá-la,  e  recolher-se para dentro de si mesmo. 

(A escolha sempre será sua!).

Até que o tempo, esse juiz implacável, 

Profira  a sentença final e a porta se feche para sempre... 



domingo, 26 de janeiro de 2025

ACERCA DO DINHEIRO E DO EGOÍSMO


(RÔ Campos)


Dizem que o pobre do dinheiro é o próprio capeta, sempre o culpado de todas as mazelas da humanidade. Mas o dinheiro - lá vou eu com minhas elucubrações! - não tem cérebro, nem pernas, nem pés,  nem braços, nem mãos,  nem boca, nem olhos, nem ouvido, nem tato. O dinheiro não tem sentidos, mas faz sentido. O dinheiro não passa de um mero papel, ou de um valor x. O que lasca é a cobiça, o mau uso do dinheiro, o egoísmo. O egoísmo, sim, é a maior praga da humanidade.

(*) escrito em 26.01.2014

A NATUREZA DAS COISAS

(RÔ Campos)


O dia amanheceu nublado, algumas gotículas aqui, outras acolá. Olho para o pé de carambola em frente à minha janela, cheio de flores, algumas se abrindo, incontáveis frutos de cerca de 1 centímetro. Paro, fixo os olhos numa frutinha, e penso: que coisa mais linda! 

É assim mesmo a natureza de todas as coisas: primeiro a semente, depois o plantio, a germinação, o nascimento, e a coisa vai crescendo, crescendo, tudo a seu tempo.  E há beleza em tudo. E há muitos que não a veem. E há muitos que não a sabem. E há muitos que têm tanto e é como se nada tivessem. E há muitos que nada têm e tanto têm para dar.

A natureza é isso mesmo:  linda e inacabada, uma busca constante por sua conformação. Por isso as intempéries, os cataclismos, os vulcões, os terremotos, os acidentes, os desatinos: somos todos inacabados em busca da conformação. Daí  a Teoria da Evolução. Daí que só os que se adaptam concorrem pela vida. Daí que os que se entregam...

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

ENTRE AMORES


(RÔ Campos)


Entre amar e sentir frio

Preferi o calor do cobertor

E esqueci o que é o amor.


Entre amar e sentir fome

Escolhi tudo aquilo que sacia

E matei o desejo de amar.


Entre amar e morrer de amor

Deixei o amor que não me queria

E  de amor quase morri,

Nos braços de um então amor qualquer,

Quando soube que era por mim

Todo o amor que ele tinha.


Obs: originalmente escrito em 07.01.2014

COMENTARIOS A RESPEITO DA BELEZA

(RÔ Campos)

Tudo o que se vê do lado de fora é o espelho interior refletindo o que mora dentro de cada um de nós. A beleza não se vê com o olhar. A beleza não tem nada de vulgar. A beleza está além, muito além de um olhar qualquer. A beleza está no ato. A beleza está simplesmente em não se ter medo de abrir os braços, tirar a roupa, mostrar o peito, mesmo que minguado. Porque a beleza não está fora, não está na cara, não está no peito. 

A beleza vive em um palácio onde também mora apenas o que é sutil, imperceptível a olho nu, aos olhos de quem a busca na estética. A beleza não tem forma. Beleza é simplesmente ser e viver...e nada mais. Ainda que outros olhos não a vejam, não a saibam. Porque cada olhar é o olhar de cada um, que, muitas vezes, não sabe, não sente, não vê. 

Às vezes só a cegueira enxerga onde ninguém mais vê. Porque a cegueira enxerga com os olhos da alma, e não com os olhos da visão. Porque a cegueira enxerga com o tato, o contato, com os sentidos, com o olfato.


Obs: originalmente escrito em 07.01.2014

CHORA POR ELES

 

(RÔ Campos)


Não chores por ti nem por mim. 

Chora por tantos que sofrem,    

Por tantos que têm sede. 

Chora o fado dos esfomeados.


Não chores por ti nem por mim.  

Chora por tantos perseguidos,    

Por tantos de suas terras fugitivos. 

Chora a angústia dos brutalizados.


Não chores por ti nem por mim. 

Chora por tantos machucados, 

Por tantas criancinhas sem lastro. 

Chora a solidão dos abandonados.


Não chores por ti nem por mim. 

Chora por tantos que não têm teto, 

Por tantos sonhos mutilados. 

Chora a sina dos desgraçados.


Não chores por ti nem por mim. 

Chora por tanta inocência adulterada, 

Por tantas esperanças perdidas. 

Chora a dor dos desesperados.


Obs: originalmente escrito em 07.01.2014